As Virtudes do Novo Álbum do P!ATD

Nunca considerei a hipótese de atribuir o status de “melhor banda do mundo” (em determinada época, claro) a qualquer banda que fosse. Meu argumento era simples: cada conjunto tem um estilo, uma sonoridade e um conceito bastante distintos e, portanto, acharia injusto considerar uma banda melhor do que outra diante dessas circunstancias. Entretanto, quando ouvi A Fewer You Can’t Sweat it Out, em 2005, me vi obrigado a confessar algo que sempre neguei: sim, havia uma banda superior a todas as outras. E ela se chamava Panic! At The Disco. Anos mais tarde, com o sucessor Pretty Odd, minha idéia continuava a mesma: não havia outro grupo naquele momento que pudesse ser comparado ao quarteto liderado por Brendon Urie. Hoje, anos depois, me vejo diante do novo trabalho da banda estadunidense que revolucionou o rock atual, e algumas conclusões são previsíveis.

Primeira: não, este não é o melhor álbum do P!ATD. Definitivamente. Segunda: sim, o P!ATD ainda tem calibre pra ser considerada a melhor banda do mundo na atualidade. Basta querer. Bom, explico: não há banda no cenário internacional que tenha a mesma sensibilidade poética e melódica quanto o P!ATD. Nenhuma banda é capaz de ser tão inovadora a ponto de lançar dois álbuns completamente diferentes e agradar aos fãs e à crítica. E, deixando bem claro, o Panic não é minha banda favorita.

Vices & Virtues é o terceiro álbum de estúdio da banda, primeiro a ser lançado após a saída de Ryan Ross e Jon Walker, respectivamente guitarrista e baixista originais do grupo. Com estréia prevista para o final de março, o álbum vazou na internet no inicio desta semana e causou alvoroço entre os fãs. Com pouco mais de 35 minutos, o curto disco apresenta apenas 10 músicas (com exceção da edição de luxo, já na pré-ordem no site oficial da banda, que inclui outras quatro faixas bônus) interpretadas pela dupla Brendon e Spencer Smith, únicos remanescentes da formação original.

O álbum empolga porque ele soa como uma fusão perfeita dos dois discos anteriores, com um singelo toque de superioridade. Mas, como eu mencionei, não é o melhor álbum do P!ATD (agora novamente com ! ). Não é muito difícil chegar a esta conclusão: seria impossível pra qualquer banda superar o épico A Fewer You Can’t Sweat it Out. Mesmo o segundo álbum, Pretty Odd, com toda sua qualidade artística, arranjos excepcionais e letras marcantes, não alcançou essa proeza; conseguiu, no máximo (e com louvor) estar à altura do anterior.

E a fusão que predomina no álbum não é facilmente percebida, porque temos também uma amostra de um futuro rumo na música dos caras. As batidas, se ora mesclam os dois discos anteriores, em muitos momentos se confundem com arranjos novos e inesperados. É o caso do primeiro single, The Ballad of Mona Lisa: as estrofes remetem a um P!ATD antigo, mas o refrão vem recheado com uma guitarra que nunca foi tão proeminente nas composições da banda.

Depois, temos a faixa Let’s Kill Tonight – de longe, a faixa que mais me agradou em termos de estética musical. É criativa e nostálgica ao mesmo tempo, com uma bateria deliciosa e arranjos que chegam a dar medo (e cairiam perfeitamente em jogos de videogame, não sei por que eu tenho essa sensação). A terceira faixa, Hurricane, também nos lembra as batidas do primeiro cd, mas possui um refrão mais dançante que o comum (me lembrando vagamente um powerpop do estilo Danger: Radio).

Em seguida, temos Memories, com um refrão bonito, guitarra base sedutora e incríveis arranjos de cordas. Trade Mistakes traz uma bela introdução com violinos, mas ao longo de seu desenvolvimento me faz recordar músicas do Coldplay em certos trechos (será que eu fui o único que teve essa sensação?). Já Ready To Go (Get Me Out of My Mind) tem o refrão mais pegajoso do album (ô ô ô ô ô), mas nem por isso deixa de ser uma boa faixa. A segunda melhor faixa do álbum é Always, carregada por um violão singelo, mas suficiente, além de trechos com cordas que me deixou extasiado (mas tenho a sensação de que, se não fosse a percussão, a música seria melhor).

Já na reta final, temos The Callendar, uma música simplesmente irrelevante no álbum. Já Sarah Smiles surpreende pela melodia irreverente a surpreendente, com arranjos de acordeom e metais que soam como música mexicana em alguns momentos. Finalizando o álbum, temos Nearly Witches (Ever Since We Met…), que tem uma introdução meio que entediante, mas que toma um caminho surpreendente e divertido – e tem os melhores arranjos do álbum.

Okay, depois de um apanhado sobre cada música, vamos ao resumo: é um bom álbum. Sem dúvida, um dos melhores do ano (e nem preciso escutar o que vai vir por aí pra estar certo disto). Os fãs que clamavam por um retorno ao P!ATD antigo podem agradecer por este álbum, pois ele tem traços dos primeiros anos da banda. Mas, ao mesmo tempo, já nos dá os indícios de que algumas mudanças serão inevitáveis. Seja nas batidas um pouco mais agressivas, seja na guitarra com mais pegada, seja nas letras. Muitos elementos do primeiro álbum que foram deixados de lado em Pretty Odd estão de volta, mas com características próprias. Ou seja, a nostalgia se funde com uma espécie de nova era. A própria capa do álbum pode indicar isso: repare na coroa de flores com o nome Panic (alusão à essa nova fase? Ou referencia explicita à “morte” do velho Panic – sem exclamação – da época de Ryan e Jon?).

A capa do novo álbum da banda: indireta (bem direta) aos ex-companheiros ou indício de um novo momento para o duo?

 

O próprio Smith assumiu que as músicas tem estilos bem diferentes. E isso é mérito do dueto. Sempre foi. Criar música. Música. Sem se importar com o estilo, com os instrumentos utilizados, com os arranjos. Esse foi o ponto alto de Pretty Odd que poucos entenderam e muitos criticaram. E é por esta razão que o P!ATD ainda tem chances de ser a melhor banda da atualidade. Afinal, fazer boa música com a atitude de quem realmente quer fazer “música” – e não apenas agradar aos fãs e à crítica – não é objetivo de todos os que estão no topo da Billboard. Aliás, isso é mero detalhe…

O álbum tem lançamento previsto para o final do mês, mas já pode ser facilmente baixado na internet.
DETALHE: esclarecendo possíveis comentários, o conceito de “melhor banda” a qual eu me refiro no início do texto não é o de “ele toca melhor, ele canta melhor, ele é melhor”, mas sim a idéia de banda que tem melodias boas, letras convincentes, inovação musical, criatividade.
Deixando de lado qualquer preferência artística, falo da idéia de banda como um conjunto que cria uma boa obra, o artista propriamente dito, e não o músico em si.

 

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