Nossa MPB é Internacional?

É muito comum ouvirmos por aí aquele velho discurso de que a música brasileira está fazendo sucesso no exterior. Na prática, a realidade é bem diferente.

Mesmo os artistas que lotam casas de shows no exterior reconhecem que, na maioria das vezes, seu público é composto por brasileiros cheios de saudade de sua terra natal e um ou outro gringo, acuado em um canto do estabelecimento, que por algum motivo qualquer acabou gostando do artista através de um amigo da terra tupiniquim. Para completar, soma-se a isso a pouca vendagem dos discos dos nossos artistas em solos estrangeiros.

Além das letras das canções em português, que soam incompreensíveis para o público estrangeiro, é importante salientar que a música brasileira realmente boa não parece tão inovadora e surpreendente para o público norte-americano e europeu. Isso se reflete no trabalho de artistas consagrados nacionalmente, como Caetano Veloso ou Marisa Monte. Eles lotam casas de shows na Europa e Ásia, fazendo turnês rentáveis, mas com pouco apelo do público internacional. Caetano ainda se destaca um pouco mais, por ser conhecido como o primeiro artista brasileiro a se apresentar em uma premiação do Oscar.

Um bom exemplo de carreira internacional de sucesso seria o rei Roberto Carlos. Ele é o único artista latino-americano que superou a marca das 100 milhões de cópias vendidas e também é respeitado em países como Argentina, México, Espanha e Itália. Como ele, podemos destacar também o maestro Tom Jobim, que é considerado um dos maiores compositores de todos os tempos. A canção Garota de Ipanema é uma das mais conhecidas e executadas no mundo, e foi gravada até mesmo por Frank Sinatra, em parceria com o próprio Tom.

Tom (em preto e branco) e o rei Roberto Carlos: grandes expoentes da música brasileira no exterior.

 

Os artistas que conseguem fazer sucesso lá fora apelam pra duas vertentes distintas: os que compõem no idioma da terra do Tio Sam e os que mesclam os ritmos criados lá com uma pitada de cultura nacional. Exemplos claros são bandas como Cansei de Ser Sexy (que mescla batidas de rock e música eletrônica) ou Sepultura. A primeira, formada em 2003, foi febre nos últimos anos entre os adolescentes aspirantes a cults. Já Sepultura é, talvez, o único representante brasileiro de um rock genuinamente bom.

Entre os que preferem seguir pela segunda vertente, ficam os destaques para Bebel Gilberto ou DJ Marky. A filha do veterano João Gilberto mistura, de forma bem criativa, bossa nova com elementos eletrônicos, enquanto DJ Marky saiu da zona leste de São Paulo e se tornou um dos cinco maiores DJs do mundo.

Cansei de Ser Sexy estourou na Europa, enquanto Bebel Gilberto tem música inclusive na trilha de filme norte-americano.

 

Na contramão do sucesso, há artistas que tentam uma carreira internacional, mas não conseguem emplacar no exterior. A ex-dupla Sandy e Junior, por exemplo, sucesso entre os adolescentes brasileiros, não agradou ao público ao compor um álbum completamente em inglês. Recentemente, Ivete Sangalo, musa baiana, também gravou um álbum ao vivo nos EUA. A imprensa caiu de graças pela ousadia da cantora e ela foi destaque nas manchetes por lotar o Madison Square Garden, em Nova York – o que seria decisivo para sua carreira no exterior. Mas, até agora, tudo continua na mesma. Wanessa (ex-Camargo) foi outra que tentou e, como não conseguiu, acabou direcionando sua música ao público GLS.

Obviamente, não faltam bons artistas nacionais com talento para fazer uma carreira internacional glamorosa. Há muita gente boa, principalmente nos meios alternativos. Mas as gravadoras insistem em não investir em boa música e valorizar o que vem de fora. Errado? Não, porque realmente muito conteúdo bom acaba, inevitavelmente, vindo dos países mais influentes culturalmente. Além disso, há uma tendência nacional em não reconhecer (e por vezes, deturpar) a música de qualidade. Então, ou começamos a valorizar nossa música ou paremos com as noticias incabíveis de que nosso som está em alta lá fora, quando na verdade são apenas nossos amigos livremente exilados que estão dando ibope aos nossos artistas.

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