Rock de Cara Nova

Eis, a seguir, algumas perguntas que ainda geram polêmicas: o rock realmente morreu? Será que ele está de cara nova? E, se estiver, qual é essa nova face? Fato incontestável: o rock atual não é o mesmo das antigas gerações. Se pararmos pra pensar (e, claro, escutar), ficaremos em dúvida sobre quais são os verdadeiros ideais deste movimento cultural – e até mesmo social.

As primeiras bandas consideradas como tal eram bem diferentes das que escutamos hoje. Ao ouvir, por exemplo, artistas nacionais como Os Mutantes, me pergunto qual a razão pela qual ela é aclamada como um dos maiores expoentes do rock nacional, já que sua batida é tão diferente daquilo que boa parte das pessoas considera como “rock”. Mesmo alguns cantores nacionais como Rita Lee ou Cazuza, ícones de uma geração, tem um som por vezes tão popular que é difícil acreditar que Rita é considerada a mãe do rock ou que Cazuza seja definitivamente roqueiro. E é nessas horas que chegamos a uma conclusão obvia: rock não é apenas um solo de guitarra – é também atitude.

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Foto do trio “Os Mutantes”, no início de carreira.

Antigamente, grande parte dos grupos de rock tinha, por exemplo, certa adoração e simpatia por assuntos de caráter diabólico e pagão. Basta citar artistas como Rolling Stones ou Black Sabbath, que realmente acreditavam naquilo que pregava Raul Seixas (“o diabo é o pai do rock”). Entretanto, este movimento na atualidade tem tanto “sentimento” que é difícil que essa teologia ainda seja real (claro, há bandas que assumidamente cultuam o dito cujo e se orgulham abertamente disto). Ao que tudo indica, a moda atual é fazer uma música muito mais “pop” (no que se refere às letras), de modo que sua arte atinja um público maior. Perceba que muitas cantores apostam em batidas cada vez mais pesadas – mas as letras não traduzem bem o sentimento de revolta e transgressão que antes era a base das músicas.

A imagem e o comportamento dos artistas no palco também é importante para os conjuntos atuais. Agressividade já não é tão bem vista pelo público. Veja exemplos de bandas como My Chemical Romance. Ao longo de sua carreira, o quinteto liderado por Gerard Way sofreu mudanças visíveis. O contraste entre o primeiro disco e Danger Days – último álbum lançado em 2010 – é grande: o grupo que antes escrevia letras recheadas de palavras negativas (“sangue”, “tiros”, “morte”, “caixão” e “derivados”) declara que “não pode parar agora porque está dançando!”. A imagem também sempre falou alto: em 2006, para representar o personagem principal do célebre disco The Black Parade, o vocalista fez uma mudança radical no visual: cabelos curtos e louros, em nada lembrando o pálido cantor de cabelos negros que bancava de vampirinho pra galera.


Outro bom exemplo do que foi dito é são os caras do The Used. O som dos estadunidenses alternam entre batidas pesadas e melodias suaves, com destaque para os vocais “scream” de Bert McCracken. Aliás, o próprio Bert é considerado por muitos como o novo Kurt Cobain – acho a comparação meio infeliz, mas é o que muitos dizem. As letras também trafegam entre canções de amor e gritos de ódios – fazendo com que a banda conquiste fãs variados.

A questão que me surpreende é que o público, no final das contas, gosta de tudo isso. Ao que tudo indica, aquela agressividade que antes reinava no universo do rock está sendo substituída, aos poucos, por uma onde de sentimento que é o reflexo de um momento pela qual nossa sociedade vem passando. O respeito, a união, o amor tem sido base fundamental nas noavs relações e as pessoas querem ver isso refletido na arte – já que na vida real, no cotidiano, o mundo está cada vez mais frio e distante.

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Foto dos norte-americanos do My Chemical Romance, para promoção de seu último disco.

Para concluir o assunto, eu chego à seguinte idéia: o rock não morreu, como alguns alegam. Há muita coisa boa na música atual, muitas bandas realmente marcantes. O que acontece é que o mercado fonográfico está tão grande (afinal, qualquer um pode fazer sucesso hoje, pois existem meios pra isso) que a boa música acaba sendo ultrapassada pelas mais populares (as nossas velhas e conhecidas “modinhas”).

O rock está diferente: não está melhor nem pior, apenas diferente. E essa é uma grande sacada para a nova geração. O que realmente esperamos é que o bom rock nunca morra e isso só depende de nós, seja como musicistas, seja como amantes do gênero ou simplesmente na seleção de artistas que fazemos. Afinal, cá entre nós: de “modinha” estamos cheios…

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2 pensamentos sobre “Rock de Cara Nova

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  2. Realmente o rock parece que mudou, mas não acho isso! O que mudou foi a forma de se expressar antes as pessoas eram “rebeldes sem causa”, mas com o grande mercado da música disponível para todos os gostos e estilos, não se pode manter uma tendência antiga e sim se adequar ao público.

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