Como a Arte Trata a Homossexualidade

Já se foi a época em que a homossexualidade era reprimida na arte. Atualmente, é comum vermos personagens gays em novelas, filmes, peças de teatro, e as pessoas estão lidando com isso de forma cada vez mais sensível, o que indica que o público está cada vez mais aberto para essa temática.

Quando falamos de novelas, por exemplo, é difícil encontrar na atualidade uma trama que não tenha um personagem gay. A atual novela das oito, Insensato Coração, está aí pra comprovar: escrita pelo autor também homossexual Gilberto Braga, a trama é considerada uma das que mais tem personagens homossexuais na história. No cinema, a homossexualidade já deixou de ser tabu há muito tempo. Em 2011, por exemplo, das produções indicadas ao Oscar de melhor filme, duas continham temáticas homossexuais.

E o sucesso dessas obras não é apenas entre homossexuais ou simpatizantes do mundo GLS. Quando tratados de forma correta, esses personagens acabam agradando ao público e ganhando destaque nas produções. Mas pra chegarmos até aqui, muita coisa mudou. Por isso, listei a seguir, com a ajuda de amigos, algumas obras que trataram deste tema e alguns personagens que o público não esquece. Confira quais são os filmes e novelas que abordaram este universo e, de certa forma, se tornaram referencial para o tema.

1. Torre de Babel (1998)
Silvio de Abreu teve que mudar sua história às pressas quando viu a audiência de sua trama despencar por conta do casal lésbico vivido por Christiane Torloni e Silvia Pfeifer. Inicialmente, apenas uma delas ficaria na trama após a explosão do shopping e tentaria refazer a vida ao lado de um novo amor. Com a rejeição do público, ambas as personagens morreram no desastre.

As personagens lésbicas foram retiradas às pressas da trama, devido às reinvidicações do público.

2. Eclipse de uma Paixão (1995)
Filme biográfico, Eclipse de uma Paixão narra a intensa e conturbada relação amorosa entre os poetas Arthur Rimbaud e Paul Verlaine. Financiado pelo amigo, Rimbaud se destaca nos meios literários franceses por sua precocidade, enquanto Verlaine abandona esposa e filho e parte pra uma vida de aventuras com o jovem poeta.

Baseado na história real do poeta francês Rimbaud, o filme rendeu uma das melhores atuações da carreira de Leonardo DiCaprio.

3. Do Começo ao Fim (2009)
Polêmico mesmo antes de ser concebido, Do Começo ao Fim apresentou a história do casal de irmãos gays vividos pelos atores Rafael Cardoso e João Gabriel. Após a morte da mãe, os jovens decidem assumir um relacionamento, até o momento em que enfrentam uma separação. Apesar do roteiro cheio de falhas, a crítica recebeu bem ao filme do cineasta Aluizio Abranches.

O filme nacional abordou questões polêmicas, como a homossexualidade e o incesto.

4. Antes do Anoitecer (2004)
Mais um filme biográfico na lista. Desta vez, trata-se da história do autor cubano Reinaldo Arenas (interpretado pelo talentoso Javier Bardem), um revolucionário que luta pela liberdade de seu país e de sua homossexualidade, em um período regrado de tabus. O filme ainda conta com a participação de Johnny Depp, que vive dois personagens diferentes – entre eles o travesti Bon Bon.

Baseado na biografia de Reinaldo Arenas, o filme rendeu a Javier Bardem uma indicação ao Oscar de melhor ator.


5. Mulheres Apaixonadas (2003)
Talvez esse tenha sido o primeiro casal homossexual a ter uma boa aceitação do público em telenovelas brasileiras. Manoel Carlos soube retratar bem a relação entre as duas adolescentes homossexuais de “Mulheres Apaixonadas”. Ao longo da trama, as garotas sofreram muito preconceito e rejeição por outras personagens, mas o público se sensibilizou bastante com a história. No final, o casal ficou junto – mas não houve a tão esperada cena do beijo gay.

Mesmo com a torcida do público por um final feliz para o casal homossexual, a produção da trama chegou a conclusão de que o público não estaria pronto pra assistir ao primeiro beijo gay em telenovelas.

 6. Billy Elliot (2000)
Ambientado em uma época problemática, o filme mostra a trajetória real do bailarino Billy Elliot em busca do seu sonho de ser um dançarino profissional. Enfrentando o preconceito do pai e do irmão, Billy abandona as aulas de boxe e passa a treinar balé escondido da família. A questão central do filme é a paixão de Billy pela dança – o que não o torna um homossexual, como alguns sugerem.

A amizade de Billy com um homossexual e sua paixão pela dança não afetaram sua sexualidade - como alguns sugeriam.

7. Cisne Negro (2010)
Cisne Negro não trata especificamente um caso de amor homossexual, mas apresenta uma cena de suposto sexo entre duas amigas bailarinas. Na película, a cena poderia representar a forma pela qual a personagem de Natalie Portman se liberta de suas dúvidas, incertezas e opressões que vivera durante toda a vida. Essa superação se torna fundamental para que Nina abandone a imagem de doce e imatura menina e encarne a sensual e forte personagem de sua peça.

A cena de sexo entre as duas bailarinas foi uma das mais polêmicas do ano.

 
8. Minhas Mães e Meu Pai (2010)
Já se imaginou tendo duas mães? O casal homossexual Jules e Nic (respectivamente Julianne Moore e Annette Bening) tem dois filhos adolescentes concebidos através de uma inseminação artificial. A comédia mostra o que acontece quando um dos filhos do casal decide sair em busca de seu pai biológico. O filme, além de divertido e polêmico, rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz para Annette.

A história do casal lésbico vivido por Bening e Moore tiraram boas gargalhadas do público.


9. Ti-ti-ti (2010)
No remake da obra de Cassiano Gabus Mendes, Maria Adelaide Amaral criou o casal homossexual vivido por André Arteche e Gustavo Leão. A personagem de Gustavo morreu nos primeiros capítulos, o que foi primordial para o desenvolvimento da trama. Entretanto, Julinho (personagem de Arteche) continuou na trama e agradou ao público.

Os personagens de André Arteche e Gustavo Leão na trama de Maria Adelaide Amaral foram bem recebidos pelo público.


10. O Segredo de Brokeback Mountain (2005)
Certamente, este foi um dos filmes mais felizes a tratar sobre o tema. Ambientado entre as décadas de 60 e 80, a produção norte-americana e canadense conta a história de amor entre dois jovens vaqueiros impedidos de assumir seu romance por conta de seus casamentos falidos e do medo da homofobia que era característica da época. A atuação memorável de Heath Ledger foi fundamental para o desenvolvimento da trama, que entrou na lista dos filmes românticos de maior bilheteria de todos os tempos.

A atuação impecável do falecido Heath Ledger contribuiu para o sucesso do filme.

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