Preço Justo: o Manifesto Boca-Suja de Felipe Neto

Mais de um milhão de acesso em dois dias. Pois esses são os números (bastante animadores) de acessos ao último vídeo do vlogueiro Felipe Neto. E, ao que parece, esse número só tende a crescer, uma vez que Felipe mencionou um assunto que é alvo de muitas polêmicas: a carga tributária no país. Mas nada melhor do que assistir ao vídeo e tirar algumas conclusões sobre ele:


Pois bem, alguns pontos a serem considerados. O primeiro deles se refere ao canal Não Faz Sentido. Desde que estourou, no início do ano passado, Felipe Neto tem sido uma das figuras mais procuradas na internet. E o sucesso, de certa forma, é merecido. Abusando de um humor bastante peculiar e idéias bastante admiráveis para um jovem de pouco mais de vinte anos, Felipe ficou famoso ao postar vídeos onde falava sobre temas variados. De bandas coloridas às séries vampirescas adolescentes, o garoto construiu suas críticas e textos baseados em bons argumentos e abriu caminho para a onda de vlogs que surgiram posteriormente.

Mas se por um lado o canal começou bem, ele teve uma queda brusca na qualidade. Se antes Felipe tinha um humor simples e direto, aos poucos os assuntos foram faltando e Felipe acabou se perdendo em muitos vídeos. Alguns deles beiram o ridículo, como os últimos Regras de Dublagem ou Essa Modinha Escrota Aí. Alguns alegavam que Felipe só sabia “criticar as coisas” – uma vez que seus vídeos de maiores acessos são críticas diretas a determinados temas. Mas uma coisa deve ser dita: nem só de humor sobreviveu o vlog de Felipe; as críticas políticas provaram que o garoto também tinha conteúdo.

Ator e webstar, Felipe Neto foi um dos precursores da onda de vlogs que invadiu a rede brasileira.

De longe, #PrecoJusto é um dos melhores vídeos do canal, juntamente com Políticos, lançado como forma de protesto durante o período eleitoral do último ano. Apesar de não serem os mais acessados, eles soam como a voz de toda uma geração contra um sistema falido na nossa sociedade. Felipe não fala absolutamente nada a mais do que aquilo que já sabemos – mas que insistimos em negar. Por medo, insatisfação ou comodidade, nossa geração se apresenta como uma das mais passivas da história do país, e isso resulta no sistema deplorável em que vivemos. Um sistema cheio de falhas – onde os maiores prejudicados somos nós mesmos.

O vídeo de #PrecoJusto nos mostra uma realidade com a qual a classe média vive constantemente: os altos índices tributários do país. Realmente é revoltante saber que o Blu-ray de um lançamento nos EUA custa por volta de R$ 25,00, enquanto no Brasil esse valor pode ser triplicado. É frustrante ver as propagandas contra a pirataria em um país que não nos permite adquirir produtos originais.

A quantia arrecadada em impostos no país realmente é alta, e esse dinheiro – que deveria ser usado em benefício do povo, na educação, saúde, segurança – permanece centralizado na mão de poucos. É a velha realidade brasileira: poucos que tem muito e muitos que tem pouco (ou que não tem nada). E esse papo de que atualmente a situação melhorou é conversa: na prática, conhecemos bem nossas limitações e sabemos bem como funciona o sistema nacional.

A crítica de Felipe em torno deste tema é digna. Mas muita gente argumenta que o garoto não convenceu. E apontam graves erros. O primeiro deles é o fato (já conhecido) de que Felipe, apesar de traçar bem suas idéias, tem um vocabulário pouco adequado. E, realmente, talvez esse tenha sido o vídeo onde mais se tenha ouvido a palavra “porra” por minuto. Se Felipe queria chamar a atenção ou chocar os seus seguidores, não havia essa necessidade, pois seus argumentos bastariam.

O segundo fato discutido em relação a Felipe se deve ao seu modo de assumir um papel do qual ele não é a figura ideal. Será que queremos um garoto como Felipe Neto levando um manifesto como este a uma presidente (mesmo que a presidente em questão seja a petista Dilma Roussef)? Será que Felipe é a figura mais apropriada depois do festival de palavras baixas do vídeo? É o que pergunta muita gente.

Felipe bateu no peito para dizer que levaria pessoalmente o manifesto à Brasília e o entregaria nas mãos da presidente caso conseguisse 1 milhão de assinaturas no site http://precojustoja.com.br/. Provável que consiga. Aliás, se você concorda com Felipe, se inscreva no site e ajude a causa. Isso levará alguns poucos segundos do seu dia e irá requerer dados como nome, email e CPF (ótima sacada dos idealizadores para garantir – ou tentar – a legitimidade dos dados). Mas isso não foi muito marketig pessoal? Afinal, o canal Não Faz Sentido andava tão pouco movimentado, tão parado, daí de repente surge Felipe Neto com um novo – e polêmico – vídeo. Bom, é de se pensar a respeito.

A idéia é louvável. O texto é bom. O argumento é suficiente. Só o manifestante – e idealizador do projeto – é questionável. Mas, como Felipe já mencionou no vídeo, ninguém é obrigado a ajudar – mas também pra que atrapalhar? Felipe tem a chance da sua vida agora: tornar-se uma das celebridades mais influentes do país. Se prometer o que cumpriu no vídeo, todo mundo vai olhar pra ele e dizer “esse é O cara”. Do contrário, ele vai virar mais uma das pseudo-celebridades – que ele tanto critica – pra quem a gente olha e fala “que porra é essa?”.

Façam suas apostas.

PS.: Esqueci de comentar:
1. Show do Luan Santana com dinheiro público? Vergonha, Rio de Janeiro!
2. Camiseta no site a R$ 40,00? Vergonha, Felipe Neto!

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Um pensamento sobre “Preço Justo: o Manifesto Boca-Suja de Felipe Neto

  1. E qual o problema em utilizar esse palavreado? É o palavreado que os jovens utilizam. E ele está sendo natural, por isso muita gente o acompanha. Se é autopromoção ou não, isso não importa, o que realmente importa é que a ideia do manifesto é excelente. E questiono também, qual o problema dele ser o “representante do povo”? Qualquer pessoa deveria ter o direito, afinal somos NÓS que colocamos esses governantes lá. Se o tiririca pode criar leis e cuidar do ministério da educação, então o Felipe também pode intervir em assuntos de interesse geral.

    Eu acompanhava o felipe neto nos primeiros videos, mas depois que virou modinha e o nivel dos videos caíram eu larguei mão. Porem, isso não faz que eu não dê força ao manifesto.

    Lucas

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