Sedução: O Que Mais Falta em “Bel Ami”

Nem sempre um rosto bonito, um nome de sucesso e uma boa história geram um bom filme. Isso é um fato já comprovado diversas vezes no cinema. Muitas produções, para chamar público e a atenção da crítica, gastam tanto tempo promovendo esses itens que esquecem de desenvolver bem sua trama – e o fiasco é irreversível. Pois bem, é mais ou menos dessa forma que os críticos receberam Bel Ami – O Sedutor, longa que estreou nos cinemas brasileiros nesta semana.

Aparentemente, Bel Ami teria tudo para ser um bom filme – quer dizer, ao menos os itens mencionados anteriormente estão presentes ali. Temos um rosto bonito (Robert Pattinson – ao menos para as adolescentes virgens fãs do ator), nomes de sucesso (ou, neste caso, pelo menos dois, Uma Thurman e Christina Ricci) e uma boa história (o romance do escritor Guy de Maupassant, com um enredo que utiliza episódios amorosos para criticar a moral religiosa, a política e as mazelas da alta sociedade). Mas fica-se a questão: por que o filme não decola?

É difícil listar os motivos que tornam uma produção boa ou ruim. No caso de Bel Ami – O Sedutor, temos um problema grave: o filme não te seduz. Não há aquela identificação com o público e nem mesmo o menor feeling com a platéia. Okay, daí quem leva a culpa? Direção, elenco, roteiro, fotografia, trilha sonora? Bom, no caso de Bel Ami, a culpa é um pouco de todo mundo.

O trio feminino da trama: Kristin Scott Thomas (a esposa devotada), Uma Thurman (a misteriosa manipuladora do fantoche George Duroy) e Christina Ricci (a esposa solitária). PS.: sim, meninas, Pattinson pegou todas…

Vamos começar pelo roteiro. Tem gente que acha que adaptar uma obra literária é apenas criar diálogos e colocar um bando de atores contracenando entre si para contar a história. Mas se esquecem do principal: desenvolver esta história. Desenvolver é essencial e não apenas ilustrar os fatos. Isso cria um roteiro atropelado, onde as ações centrais são exibidas, mas o caminho entre elas não são mostrados ou sequer desenvolvidos. Mais ou menos assim: o cara tosse numa cena e em seguida morre de uma doença fatal; o jovem olha uma mulher numa cena e na próxima já a leva pra cama; a mulher está na cama com o jovem e em seguida já está perdidamente apaixonada por ele; um homem ajuda um jovem necessitado e duas cenas depois já o odeia.

Provavelmente, é esse erro fatídico no roteiro que tornou as atuações do filme tão gritantes. Talvez pelo fato do livro ser uma espécie de romance novelesco, optou-se por fazer uma interpretação mais pomposa. Não funcionou e o resultado foram performances que, cá entre nós, são dignas de produções baratas. O elenco tem uma dramaticidade exagerada e quase teatral, que não acompanha o fraco ritmo do roteiro. Pattinson é razoavelmente suficiente, com as mesmas caras e feições de qualquer um de seus trabalhos anteriores – mas percebe-se o esforço e a vontade do ator em fazer um bom personagem, e por isso nem vou critica-lo. Apesar de atuar sem muita confiança, o rapaz até pode ser promissor. Agora, ver Uma Thurman (de Kill Bill, meu amigo, pensa só…) fazendo uma atuação tão pobre quanto sua Madeleine Forestier é triste. Nem Christina Ricci se contorcendo e tentando ser sexy ajudou a salvar um elenco nada inspirado – e inspirador.

A trama central já foi vista e revista várias vezes no cinema. Um jovem humilde quer subir na vida e utiliza seu poder de sedução como ferramenta de manipulação. O que acontece é que George Duroy (o verdadeiro nome de Bel Ami) não tem nenhum sex appeal e não manipula, mas é manipulado. Ele até se dá bem no final, mas o bonzão, o garanhão é apenas uma peça no jogo. Se durante todo a narrativa ele pensa que está arrasando, que tem tudo calculado e a seu favor, na verdade seu único mérito é tirar proveito de toda e qualquer situação. Mas nada além disso.

Bel Ami – O Sedutor se sustenta apenas na presença de Robert Pattinson, que não vai levar somente suas fãs aos cinemas, mas também aqueles que querem ver sua atuação fora da saga Crepúsculo (meu caso, que além de ficar curioso quanto à performance de Pattinson, também queria ver Uma Thurman nas telonas novamente, mas nem isso valeu a pena). Talvez a direção dupla de Declan Donnellan e Nick Ormerod acabou confundindo também os atores, roteirista, diretores de arte, musicistas e compositores (sério, que trilha sonora previsível!) e a produção como um todo. Bel Ami é um filme até que bonito, mas que não passa nada: não diverte, não seduz, não entretem, não passa uma mensagem – como aquelas mulheres para as quais você olha, admira e cobiça, mas quando abrem a boca, tudo o que você mais quer é que acabe logo.

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