Disney + Lucasfilm: o que se pode esperar?

Uma notícia movimentou a comunidade cinematográfica (e os nerds de plantão) nesta última semana: a Disney – sim, a empresa do Mickey – comprou a produtora Lucasfilm – sim, da saga Star Wars -, do lendário cineasta George Lucas. O valor da transação saiu pela bagatela de 4 bilhões de dólares – valor bem menor daquilo que foi pago pela aquisição da Pixar, em 2006, que saiu por pouco mais de 7 bilhões de dólares. E, assim como aconteceu com a empresa de John Lasseter, já surgem as mais diversas opiniões sobre esta aquisição, mas todas tentando responder a uma mesma pergunta: qual será o futuro de Star Wars?

A imagem mais vista nas últimas semanas.

Vamos entender, primeiramente, o que tudo isso significa. A Walt Disney Pictures é, hoje, simplesmente o maior conglomerado de mídia e entretenimento da indústria. Fundada em 1923, é dona de uma porrada de marcas e produtos, responsável por angariar fãs das mais diversas idades em todo o mundo, apaixonados por seus personagens e histórias. Foi a empresa que produziu o primeiro longa metragem em animação da história, o clássico Branca de Neve e os Sete Anões, que se tornou um modelo na produção de animações até hoje e apresentou ao mundo aquilo que seria uma “marca” dos filmes Disney: histórias de contos de fadas recheados de magia, músicas pegajosas, animaizinhos antropomorfizados, vilões malvados, princesas meigas, final feliz e etc…

Cena de “Fantasia”, um clássico (entre tantos outros) dos estúdios Disney.

Já a Lucasfilm, fundada em 1971, é a produtora de filmes e efeitos especiais (excelentes, diga-se de passagem) do cineasta George Lucas, conhecida principalmente por produzir os seis filmes da série Star Wars, terceira série  cinematográfica mais lucrativa de todos os tempos (perdendo para o bruxinho Harry Potter e James Bond). Criada pelo próprio George, Star Wars se tornou não apenas uma franquia cinematográfica de sucesso, mas desencadeou uma série de outros produtos (jogos, quadrinhos, séries de TV e outros), transformando Star Wars em um fenômeno mundial da cultura pop.

Assim, com o contrato anunciado nos últimos dias, a Lucasfilm passa a fazer parte do conglomerado Walt Disney, juntando-se a empresas como a Marvel, a Touchstone Pictures, Buena Vista, entre outras. Daí, você pode argumentar o seguinte: duas empresas fantásticas, quando se juntam, só pode resultar em algo fantástico, certo? Então… há discussões. Não é porque duas empresas produzem produtos bons que o produto de sua fusão também será bom. Um exemplo dentro do próprio universo Disney é a aquisição da Pixar. Antes da compra, a Pixar era responsável pela produção dos filmes, enquanto a Disney ficava responsável pela distribuição dos longas. Agora, há enormes críticas envolvendo essa fusão e o que muitos argumentam é que, após ser comprada pela Disney, a Pixar acabou “perdendo a mão” e se rendendo aos encantos da empresa do ratinho Mickey. De fato, os últimos filmes Pixar começam a dar sinais de alerta: ValenteCarros 2 foram desastres de crítica e público, alcançando os piores índices de aprovação dos filmes da empresa. Por outro lado, juntas, Disney e Pixar produziram Toy Story 3Up – Altas AventurasWall-e, considerados excelentes filmes.

Mais um exemplo positivo: em parceria com a Marvel desde 2009, a Disney criou o sucesso Os Vingadores, terceira maior bilheteria de todos os tempos – em boa parte, devido às sessões em 3D que, em geral, custam em média o dobro das sessões convencionais. Mas não é só nas bilheterias que Os Vingadores se destaca: o filme também é sucesso de crítica – alguns consideram a melhor adaptação de heróis já produzidas no cinema. E já foi anunciada a continuação do longa para 2015.

Da mesma forma, há opiniões divididas entre os fãs da saga Star Wars. Criada inicialmente em 1977, a primeira trilogia foi lançada em espaço de 3 anos. Dezesseis anos após o término da primeira sequencia, uma nova trilogia foi  lançada, seguindo o mesmo espaço de três anos. Foi uma série que mudou a cara da indústria cinematográfica, em uma época onde grandes diretores surgiam – como Steven Spielberg, Coppola e Scorcese. Com Star Wars, nascia os chamados blockbusters, conquistando uma legião de fãs e admiradores da franquia. Agora, o sétimo episódio da saga já foi anunciado pela Disney – assim, para causar mesmo! – e os fãs que cresceram com a série já começam a ficar alvoroçados.

George Lucas, um gênio por definição, é cultuado até hoje pelos fãs da série – apesar das escorregadas dos últimos episódios.

A preocupação é uma só: e se a Disney resolver colocar a mãozinha onde não deve? É uma hipótese muito válida. Não que a Disney seja uma produtora ruim – afinal, seria sacanagem falar isso da empresa que criou O Rei Leão, PinóquioA Bela e a Fera e tantos outros filmes e personagens que povoam o imaginário infantil. Mas há uma probabilidade de “infantilizar” Star Wars? Sim, há. Mas também há a possibilidade de se fazer algo extraordinário com isso – e, se tratando da Disney, essa última é a mais provável.

Quando adquiriu a Marvel, a Disney foi criticada duramente, pois ninguém acreditava que a empresa poderia criar bons filmes de super-heróis. Daí a Disney cospe Os Vingadores na cara dos críticos e todo mundo fica calado. Muita gente torce o nariz para os últimos filmes da Pixar, mas e Toy Story 3, como fica? Não dá para saber ao certo o que vai acontecer daqui pra frente. Se pensarmos racionalmente, vamos chegar à conclusão de que a Disney é uma companhia inteligente e que quer alcançar lucros. Dificilmente eles farão algo que não possa arrancar milhões dos bolsos dos telespectadores. Alem disso, tem muita gente que argumenta que após os últimos episódios da série, nada poderá ficar pior em Star Wars.

Fãs de Star Wars, não se desesperem: está aí o máximo que pode acontecer com os personagens da série. #NOT

Nisso tudo, o mais admirável é a posição de George Lucas. Que gênio abriria mão de toda sua obra? Foi uma das atitudes mais admiráveis que já vi na vida: o cara cria um império, um universo que muda toda uma geração e, ao ver que não vai mais poder seguir com ele, decide coloca-lo nas mãos de outro – quando muitos o guardariam para si e morreriam com seu legado. George já havia declarado diversas vezes que não voltaria a fazer Star Wars, lembre-se disso. Colocar seu universo nas mãos do ratinho Mickey foi a solução mais viável para que seu universo não morra – ao menos tão cedo.

O que certamente vai acontecer é a Disney querer faturar com Star Wars – afinal, qual seria o motivo da compra? Apenas preservar a obra de George Lucas? Aham, está bem, vou acreditar nisso. É certo que a Disney vai criar milhares de produtos da franquia para alavancar sua receita – e isso vai desde cadernos até parques temáticos, já imaginou? A maior certeza é que a saga Star Wars ainda tem muito a faturar antes de morrer – se é que isso vai um dia acontecer. Façam suas apostas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s