Eu Não Quero Voltar Sozinho

Há curtas-metragens que valem muito mais do que filmes com horas de duração (alguém aí falou sobre a saga Senhor dos Anéis, é isso mesmo?). E existe produções nacionais que faz muito produto hollywoodiano parecer vídeo escolar (okay, são poucos – Hollywood ainda é o grande centro das atenções cinematográficas). É nesse perfil – e não poderia ser diferente – que classifico Eu Não Quero Voltar Sozinho, curta-metragem de 2010 dirigido por Daniel Ribeiro. A princípio, quero deixar claro aqui que se trata de um curta com temática homossexual. Portanto, se você for um homofóbico latente, pule para o próximo texto. Agora, se você for um apreciador de um bom filme, continue. Você terá bons motivos para assistir a essa produção.

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A trama foca a relação de um grupo de adolescentes que estudam em um mesmo colégio. Enquanto tem que lidar com os ciúmes da amiga Giovana, o adolescente deficiente visual Leonardo vive a descoberta do amor e se apaixona por Gabriel, um novo colega de classe. Inicialmente liberado para exibição no Cine Educação (projeto que você pode conhecer aqui), o vídeo criou polêmica ao ser exibido em uma escola do Acre e acabou tendo sua exibição proibida (sim, nosso país ainda é atrasado). Mas aí pode ficar a questão: é um bom curta apenas por ter uma temática homossexual?

Definitivamente, não. É um bom curta – independente do fator homoerótico presente nele. O fato de contar uma relação entre dois garotos em nada altera o teor do roteiro – bem escrito e desenvolvido ao longo de seus 15 minutos. Mesmo se fosse o caso do protagonista se apaixonar por uma menina, isso não tiraria, sob hipótese alguma, a qualidade do texto. A história entre os dois rapazes só serve, a meu ver, para levantar o debate que divide opiniões sobre o homossexualismo (É algo simplesmente físico? Uma doença? Envolve sentimento? A pessoa nasce assim?).

2O diretor Daniel Ribeiro (que já tinha abordado um relacionamento homossexual em outro curta, o polêmico Café com Leite), conseguiu criar um roteiro leve e sem apelação acaba por comover. É impossível chegar ao final do filme e não enxergar os dois adolescentes juntos (a não ser que você seja um homofóbico chato que continuou lendo este texto), pois a relação entre os dois é construída com tanto carinho e inocência que é algo naturalmente… natural.

Existem várias formas de se abordar uma história como essa. Daniel Ribeiro optou por mostrar toda sua sensibilidade – que emana no filme logo nas cenas iniciais. Com quinze minutos, Eu Não Quero Voltar Sozinho é um curta-metragem daqueles que você vai assistir mais de uma vez. Já se rola boatos de que o filme será refilmado como um longa. Não que seja necessário. Eu Não Quero Voltar Sozinho já cumpriu bem seu papel: cativar o público com um tema tão polêmico sem abusar de emoções ou criar situações constrangedoras aos seus atores (uma constante em títulos nacionais mais badalados). Isso é o que o destaca das demais obras do gênero.

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