Minha Mãe

03A obra do cineasta francês Christophe Honoré já rendeu todo tipo de filme – ótimos (Canções de Amor, Em Paris), bons (A Bela Junie, Bem Amadas) e ruins (Homem ao Banho). Pode-se dizer que Minha Mãe (Ma Mère, 2004) está na linha tênue que separa o bom do ruim – revelando-se um projeto cuja pretensão de chocar e ser elevado a status cult o torne indigesto para alguns e clássico instantâneo para outros.

Baseado no livro de Georges Bataille (de 1955), a trama gira em torno de Pierre, jovem de 17 anos, que tem uma verdadeira adoração por sua mãe, Hélène. Após a morte do pai, a progenitora decide quebrar o mistério e revelar ao filho sua verdadeira natureza: uma mulher imoral, para quem o sexo é pura banalidade. Despertado em sua sexualidade, Pierre é orientado pela mãe em práticas sexuais pouco comuns – mas, após uma sessão de orgias, mãe e filho se separam, tentando amenizar o que sentem um pelo outro e abrindo espaço para vivenciar novas experiências.

O incesto entre mãe e filho não é um assunto propriamente novo no cinema – apesar de sempre causar certo desconforto no espectador. Em Pecados Inocentes, de 2007, a personagem de Julianne Moore tem uma relação pouco convencional com o filho Tony (Eddie Redmayne). O que diferencia ambos os filmes, no entanto, é que em Minha Mãe o excesso de cenas de sexo é claramente uma forma de chocar o espectador. Ou seja, Honoré, ao que tudo indica, não pretende chamar a atenção do público com conteúdo – mas sim com cenas de sexo que, em alguns momentos, podem causar asco em uma plateia mais “puritana”.

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Minha Mãe é, sob vários aspectos, portanto, um filme “forte”. Não é para qualquer um. Honoré constrói uma narrativa perturbadora e até mesmo incômoda, sem a intenção de explicar, mas apenas mostrar. Seus personagens não levantam debates sobre o que é certo ou errado: eles apenas estão ali, para viver suas histórias da forma mais intensa possível. Não há julgamentos ou questionamentos: há apenas o prazer – e isto é o que torna o relacionamento entre mãe e filho tão artificial. O roteiro parece perdido, assim como suas personagens que não tem rumo certo. Falha no roteiro que sequer desenvolveu suas personagens e abrem diversas lacunas – como a verdadeira relação entre marido e mulher ou entre pai e filho ou ainda a origem do comportamento promiscuo de Hélène. Felizmente, são os atores que conseguem dar ritmo à trama. Enquanto Garrel está linear, Isabelle Hupert consegue causar certa repugnância ao longo da história, com sua personagem distante, insatisfeita e imoral. Outra boa surpresa do elenco é Joana Preiss, a amante de Hélène e Pierre – o trio protagoniza uma tórrida cena de ménage à trois dentro de um táxi.

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Com uma fotografia bem colocada (constante na filmografia do diretor), Minha Mãe é um daqueles filmes que exigem que você, espectador, esteja aberto a todo e qualquer tipo de acontecimento. Com um final surpreendente (aliás, apesar do que se sugere, há pouco contato entre mãe e filho), o longa parece um mural construído com diversas cenas interessantes e avulsas mas, como produto final, compõe um bom trabalho – para ser apenas observado, nunca julgado. Há, ainda, outro argumento que muitos poderão levar em consideração ao assistir Minha Mãe: Louis Garrel. O ator francês, que é um dos maiores expoentes de sua geração (além de prezar por uma beleza particular), aparece nu em vários momentos do filme. Espere: eu disse que Garrel aparece nu neste filme? E desde quando isso é novidade no currículo do ator?

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