A Fronteira da Alvorada

O cinema francês não é para qualquer um. Na maior parte das vezes, há os dois extremos: ou se ama ou se odeia. A Fronteira da Alvorada, do diretor Philippe Garrel, está exatamente nessa linha tênue de amor e ódio, gerando opiniões distintas no público e crítica.

A história do filme é simples – e sob certo aspecto, tem um final previsível (que vou evitar mencionar aqui). Carole (Laura Smet) é uma atriz solitária (apesar de cercada de amigos) recém-casada com um cineasta hollywoodiano. Longe do esposo, ela se envolve com o fotógrafo François (Louis Garrel), após uma sessão de fotos. Carole, que já possuía um histórico psiquiátrico não muito favorável, é abandonada por François e cai em profunda depressão, vindo a falecer. Tempos depois, François tenta reconstruir sua vida ao lado de uma nova paixão, porém é atormentado pela imagem da ex-amante.

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O cineasta faz um obra que, apesar de tratar de um tema atual – o amor – , foge dos padrões de cinema contemporâneo. A Fronteira da Alvorada é um filme sem muito apelo comercial e muito mais voltado à arte. Não que seja um produto difícil de digerir ou mesmo de se entender – o que diferencia A Fronteira da Alvorada dos demais longas convencionais que tratam sobre o amor é a maneira como o cineasta opta por criar um filme onde a arte é elevada à sua magnitude (apesar de algumas deficiências).

Esse status já fica explícito pela escolha do diretor em filmar em preto e branco – criando uma belíssima fotografia. Isso, de cara, já traz um clima romântico e retrô, assim como a obra anterior do cineasta, Amantes Constantes. Isso torna o filme infinitamente mais belo, nos dando uma espécie de expressionismo romântico carregado de beleza. Além disso, Garrel (pai) sabe bem que uma imagem vale mais do que mil palavras. É o gestual que acaba falando mais alto – como na cena do ensaio fotográfico onde, com uma curta troca de palavras, a tensão é acentuada pelo movimento de Carole e François na sacada do apartamento.

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É a fotografia em preto e branco que faz toda a diferença neste longa. Melhor: a maneira como a fotografia em preto e branco é utilizada. Os enquadramentos beiram a perfeição: seja no retrato dos rostos humanos (que captam os profundos sentimentos das personagens), seja nos ângulos das tomadas externas ou mesmo no uso da luz (ora com mais contrastes, em outros momentos com maior saturação). Com alguns defeitos nos aspectos sonoros, no entanto, o filme perde um pouco de sua qualidade técnica. A mixagem, em muitos momentos, evidencia uma total manipulação dos aspectos sonoros – o que pode causar certo desconforto.

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No final, são os belos e ricos diálogos que tornam A Fronteira da Alvorada um filme inspirador. E é ali que Garrel consegue o melhor: falar de amor de uma maneira atemporal e universal. Apesar da previsibilidade do desfecho, Garrel nos delicia com belas cenas e profundas reflexões ao longo de sua exibição. O espectador pode, assim, ficar despreocupado: A Fronteira da Alvorada atinge direto seus olhos e também seu coração.

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