“Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse”: Como Mariah Surpreende Sem Inovar

Diva da música norte-americana no início da década de 90, quando despontou para o mundo com o seu primeiro trabalho, auto-intitulado, Mariah Carey é uma daquelas artistas que ou você ama ou você odeia – mas mesmo que você não caia de amores por ela, você deve admitir: Mariah é, sem dúvidas, uma das maiores intérpretes femininas de todos os tempos. Com uma carreira de altos e baixos, Mariah está prestes a lançar, na próxima semana, o seu décimo quarto álbum de estúdio, Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse – marcando o retorno da diva após um hiato de cinco anos desde Memoirs of an Imperfect Angel.

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O novo e aguardado álbum, que já pode ser conferido na rede, chegou como um presente aos fãs da cantora – e, à primeira audição, é um compacto multifacetado cujo foco está naquilo que Mariah sabe fazer de melhor: baladas R&B. O disco funciona como uma experimentação para diversos gêneros, mas sem fugir muito de sua especialidade – o que não deixa de ser uma boa sacada. Mariah, hoje aos 44 anos, já atingiu um momento de sua carreira onde não precisa mais provar nada a ninguém. Casada, mãe, dona de uma carreira invejável (e uma fortuna considerável), Mariah visivelmente mostra sinais de que quer apenas fazer aquilo que gosta sem precisar reinventar a roda – o que não necessariamente indica que não nos possa ainda surpreender de forma positiva.

Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse abre de forma deliciosa com a ótima Cry – onde Mariah mostra porque é chamada de “diva”. Acompanhada de um piano muito bem executado e vocais adocicados, a faixa de abertura ainda traz Mariah com seus inconfundíveis agudos – mas muito mais contidos. Segue-se com Faded, uma mistura de pop com resquícios de hip-hop, com sua base repetitiva ao som de piano e Mariah nos deliciando com seus agudos novamente – mas aqui muito mais explícitos. Dedicated chega cheia de energia através de sua batida hip-hop – uma parceria com o rapper nova-iorquino Nas. Um dos maiores acertos deste projeto, #Beautiful é uma baladinha quase acústica em parceria com o cantor soul Miguel. Com um ar meio sessentista, a canção é uma delícia R&B moderna e, de longe, uma das melhores músicas do álbum. Outro acerto de Mariah fica por conta de Thirsty, uma faixa “club” cheia de atitude e carro chefe desse novo trabalho – e já considerada por muitos críticos como o melhor lançamento de Mariah desde Obsessed.

Make It Look Good é outra boa pedida, mas que não chega a ser uma preciosidade. Em You’re Mine (Eternal), a cantora consegue trazer uma boa balada R&B, não tão empolgante quantas outras faixas mas boa o suficiente para agradar aos fãs. Em seguida, temos You Don’t Know What To Do, mais uma parceria (aqui com o rapper Wale) e faixa deliciosa que joga todo mundo na pista. Supernatural é outra música ao melhor estilo Mariah de ser – e, talvez por isso, não cause tanto impacto. Meteorite também chega com estilo e potencial, com sua batida dançante e bem tocada. Camouflage é mais uma faixa que deixa claro o porquê de Mariah ser considerada uma diva R&B – com uma ótima melodia, alem de um excelente trabalho vocal. One More Try e Heavenly são outras boas pedidas – sendo essa última uma incrível canção com um “q” nigger que a tornam uma grata surpresa do disco. Chegamos ao final de Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse com a já conhecida The Art of Letting Go, um retorno de Mariah às suas origens, mas sem a forçação de barra para “divar”. Sem exageros, a faixa tem uma sonoridade soul (quase caindo no gospel), com um certo toque vintage, como se estivéssemos a ouvindo com a agulha diretamente no vinil – charme que só a torna uma das melhores do disco.

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Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse, de longe, não é o melhor registro da carreira de Mariah, mas é um álbum que funciona bem de duas formas: primeiro, individualmente cada música tem seu charme para se sustentar por si mesma; segundo, como um todo, o disco é bom em seu conjunto. Apesar de não representar muita inovação em relação aos seus trabalhos anteriores, Mariah opta por permanecer naquilo que é certeiro em sua carreira, mas apostando discretamente em novas sonoridades que não deixa que o álbum canse aos ouvidos ou soe mais do mesmo ou tudo a mesma coisa (como aconteceu em seus dois últimos discos, onde ficava a sensação de que você ouvia a mesma faixa duas ou três vezes). Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse tem por grande mérito provar que Mariah ainda é Mariah – algo que, em uma indústria fonográfica em constante mudança, é algo louvável. Mariah mostra que é ainda é diva, mas de forma discreta e cheia de falsa modéstia, como se falasse “Eu? Uma diva? Quem dera…” justamente querendo dizer o contrário. Com seu novo CD, Mariah não inova e cai até mesmo na mesmice, mas surpreende por agradar mesmo assim, fazendo seu arroz com feijão que pode até não ser uma refeição muito requintada – mas mata a fome.

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