10 Anos de “American Idiot”: Como o Green Day Conquistou o Mundo Com Seu Ópera Rock

02Parece que foi ontem, mas já se passaram 10 anos desde que a banda estadunidense Green Day lançava a obra-prima de sua carreira, American Idiot – amplamente elogiado pela crítica e pelo público e sendo considerado um dos álbuns de rock mais influentes de todos os tempos e, provavelmente, o melhor do início dos anos 2000. Em um ano repleto de hits mas com poucos trabalhos relevantes, o grupo liderado por Billie Joe Armstrong criou um disco conceitual que consagrou a banda e a colocou de vez no patamar mainstream.

Evidenciando uma política antiamericana forte, American Idiot apresenta o protagonista St. Jimmy (que dá nome também a uma das melhores faixas do conjunto), um homem comum e espécie de anti-herói, preso em um mundo de mentiras e totalmente desesperançoso com seu meio. Assumindo uma postura mais séria do que em seus trabalhos anteriores, o trio de musicistas faz de American Idiot uma carta de repugnância ao governo norte-americano da época (não que as coisas estejam muito diferentes hoje), com letras cheias de ironia e sarcasmo e um senso de indignação que era tudo o que o povo americano sentia naquela momento.

A faixa título – e que abre o disco – cai como uma luva para a situação da política dos EUA na época, com Armstrong criticando abertamente a forma como a mídia norte-americana controla seu país, alienando seu povo através da propaganda. Provavelmente, é uma das melhores letras do álbum, seguida pela ópera-rock Jesus Of Suburbia, com seus nove minutos de duração (divididos em cinco partes), que passa pelo punk dos anos 70 – em especial The Who e Beach Boys. Holiday, outro single, surge com um discurso de protesto inflamado, assim como Boulevard of Broken Dreams, que narra liricamente a história de milhares de soldados americanos que perderam seus sonhos para lutar em um guerra sem razão. Are We The Waiting soa como um  hino em forma de baladinha com sua guitarra melancólica e sua bateria que dão todo um ar “épico” – acentuado ainda com o refrão carregado de vozes. Em seguida, a banda retorna aos primeiros anos com St. Jimmy, uma canção rápida com o som pesado do punk tradicional – sem mencionar a letra tão punk quanto.

Dando uma pausa na correria, chega  Give Me Novacaine, praticamente um apelo sensível por uma nova droga que faça nosso personagem esquecer tudo o que lhe acontece. She’s a Rebel é mais uma música que traz o melhor punk do Green Day dos primeiros trabalhos. Buscando influências nas canções dos anos 60, Extraordinary Girl é uma baladinha deliciosa, que lembra vagamente o som do Beach Boys da segunda fase e as letras dos Beatles (com todo seu apelo adolescente) da primeira fase. Mais uma faixa com pegada punk, Letterbomb abre caminho para a balada emotiva (e com inúmeras interpretações) Wake Me Up When September Ends – que ganhou um clipe com ares cinematográficos. Homecoming, dividido também em cinco atos, chega como segundo ópera-rock de American Idiot, carregando mais uma vez fortes influências do Who – mas menos marcante que Jesus of Suburbia. Fechando a trajetória de nosso personagem, Whatsername finaliza o álbum com um som que mistura um pouco o new e o old punk rock.

Com quase uma hora de duração, American Idiot é, definitivamente, o melhor registro do Green Day em toda sua carreira. O álbum não se torna cansativo ou entediante em nenhum momento e todas as faixas estão estrategicamente inseridas para criar uma história coerente se ouvida na sequência – apesar de que, individualmente, todas as músicas funcionem tão bem quanto. Com letras muito mais maduras do que os trabalhos anteriores da banda, American Idiot tem uma grande importância na história da música, uma vez que American Idiot foi o primeiro disco de uma banda mais expressiva norte-americana a criticar tão abertamente a política de seu país.

03E PARA COMEMORAR…

… a revista norte-americana Kerrang! (uma das mais importantes da música) lançou há alguns dias o Kerrang! Does Green Day’s American Idiot, um álbum tributo com todas as músicas do original em versões executadas por várias bandas, como 5 Seconds of Summer, New Politics, Falling in Reverse e até por Frank Iero, guitarrista da extinta My Chemical Romance. Alem dessas, outras duas faixas famosas da banda fazem parte da coletânea, Welcome to ParadiseBasket Case. Vale lembrar que a própria Kerrang! colocou American Idiot na 13ª colocação na lista de maiores álbuns de rock de todos os tempos – apenas mais uma classificação que o qualifica como um dos discos mais importantes da história.

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