“Lucy”: Ficção Científica Disfarçada de Ação

03A jovem Lucy (personagem título) é forçada a trabalhar como “mula” do narcotráfico para um chefão da máfia coreana, transportando uma droga sintética conhecida como CPH4 dentro de seu ventre. Acidentalmente, no entanto, a substância invade seu organismo, habilitando seu cérebro a utilizar muito alem dos 10% de sua capacidade (teoria um tanto quanto controversa) e aumentando drasticamente o poder de raciocínio da moça.

A sinopse reduzida pode parecer batida – e, na verdade, é. Em 2011, Neil Burger abordou basicamente a mesma ideia em Sem Limites, filme estrelado por Bradley Cooper e que dissertava também sobre uma droga que aumentava o percentual de utilização da capacidade do cérebro humano (isso fora outras inúmeras produções que, ainda indiretamente, tratam do tema). Mas Lucy, que chega aos cinemas brasileiros nesta semana, tem algo a mais: Luc Besson, o artista francês à frente de elogiadas fitas de ação, como O Profissional (1994) ou O Quinto Elemento (1997). Seja dirigindo, produzindo ou escrevendo roteiros, Luc é um nome importante na atualidade dentro deste gênero – e Lucy só comprova o talento do cineasta para este tipo de filme.

Não que Lucy seja um clássico moderno. Mas há de se admitir que Lucy funciona bem dentro de seu propósito: entreter. Na verdade, o filme é uma mistura de ação com ficção científica: há inúmeras cenas de ação de tirar o fôlego, estrategicamente inseridas ao longo da projeção, que se fundem a sequências mais “sérias”, onde (de forma quase didática) passamos a conhecer um pouco mais sobre as teorias abordadas. Pretensioso, essas partes sérias, em sua maioria, ficam a cargo do personagem de Morgan Freeman, um cientista que está na fita de passagem e é totalmente descartável (alem do fato de Freeman estar ligado no automático, mas enfim…), e também de inúmeras cenas de animais e alguns efeitos especiais que propositalmente tentam criar um simbolismo, dando maior profundidade à história – mas falhando miseravelmente nesta empreitada.

01

Mas para bons longas de ação, é imprescindível um trabalho correto de fotografia e edição – e isto, Luc soube aproveitar. Com cortes de câmera rápidos e inúmeros planos fechados em sua protagonista, o diretor consegue deixar uma tensão no ar a cada sequência – tensão estendida pela trilha sonora do também francês Éric Serra, velho parceiro de Besson, que contribui para o ritmo frenético da narrativa. Mas nada ajuda tanto quanto ela: Scarlett Johansson. Linda do início ao fim da trama, Johansson já é uma das maiores atrizes de sua geração, em diversos gêneros, e o progresso de sua personagem Lucy ao longo da história é incrível – mais um tipo feminino forte dentro da filmografia de Besson.

02

Os conceitos principais, apesar do excesso de didatismo em alguns momentos, não são devidamente explorados – principalmente por conta da curta duração da fita. Mas Lucy ainda assim merece ser conferido. O cineasta mostra boa forma atrás das câmeras, dirigindo muito bem as ótimas cenas de ação que não deixam o espectador tirar os olhos da tela e muito menos ficar perdido com muita firula – e isso compensa toda a superficialidade com a qual o tema principal é tratado. Ou seja, Lucy é um filme bom e com muito mais potencial do que demonstra, mas que prefere limitar sua narrativa a perseguições, tiros, correrias, etc., etc. e etc. E para os que gostam disso, vai por mim: Lucy é um momento respeitável (e indispensável) na obra de Luc Besson.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s