“Pasolini”: Um Registro Biográfico Sem Paixão

O cineasta Abel Ferrara (de O Rei de Nova York, de 1990, e o mais recente Bem-vindo a Nova York) reconstrói em Pasolini os últimos momentos de vida do controverso artista Pier Paolo Pasolini, o polêmico realizador italiano, falecido em 1975, que influenciou o mundo das artes e o pensamento moderno, se tornando uma das figuras mais importantes de sua época. Ao longo de sua projeção, o filme resume o último dia de Paolo após seu regresso de Estocolmo, onde Pasolini deu aquela que seria sua derradeira entrevista – sendo depois brutalmente assassinado por um jovem de dezessete anos.

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Conhecendo o mínimo da história de Pasolini, qualquer aficionado por cinema é capaz de criar enormes expectativas quanto ao longa de Ferrara – afinal, a biografia do italiano é incrível, bem como toda sua obra. Logo, o elemento “biográfico” do projeto bem como o protagonista da trama (o ator Willem Dafoe, colaborador assíduo de Ferrara nos últimos anos) são promissores. O problema com Pasolini é que ele se contenta apenas em narrar os fatos que cercam o assassinato de sua personagem principal (até hoje não muito bem esclarecido) sem levantar nenhuma nova idéia. Para além dessa abordagem descritiva, o roteiro (parceria do próprio Ferrara com Maurizio Braucci) tenta recriar quase literalmente trechos de duas obras inacabadas de Pasolini. Isso impede que a fita seja mais um mero registro biográfico tradicional, mas também torna o filme um tanto “perdido” entre a biografia convencional (muito bem situada, diga-se de passagem) e as suposições sobre o trabalho não finalizado de Paolo.

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Como se não bastasse isso, o fato de Willem Dafoe ser fisicamente parecido com Pasolini não colabora muito com a película, uma vez que o ator norte-americano está quase ligado no automático em sua performance. Das atuações, destaca-se positivamente apenas a pequena mas intensa participação da portuguesa Maria de Medeiros, na pele da atriz italiana Laura Betti. No mais, Pasolini está muito longe de ser uma verdadeira homenagem a seu personagem título. Faltou paixão, ousadia e provocação à altura da inestimável contribuição de Pasolini à sétima arte.

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