Wall-e

Começo esta crítica com uma confissão arriscada: para mim, Wall-e é a melhor obra da Pixar em todos os tempos. Digo que é arriscado porque, bem, estamos falando da Pixar – empresa à frente de sucessos como a trilogia Toy Story, Up – Altas Aventuras ou Procurando Nemo. Mas tenho algumas especulações que sustentariam minha tese (ou ao menos minha modesta opinião) de que Wall-e é a obra-prima dos estúdios de John Lasseter; um verdadeiro trunfo da animação e uma das produções mais cativantes que eu já tive o imenso prazer em assistir.

04Pelo princípio: assim como em outras produções da Pixar, Wall-e possui protagonistas improváveis (a não ser que você ache comum brinquedos ou carros que falam, um rato que sonha em ser chefe de cozinha ou um peixe palhaço à procura do filho perdido). Neste caso, falamos do robozinho do título, único “habitante” de um planeta Terra bem diferente daquilo que poderíamos esperar em um filme que se passa no futuro: inóspita e repleta de lixo por todos os lados. Solitário, Wall-e passa seus dias na árdua tarefa de “limpar” a Terra (juntando todo o lixo acumulado durante gerações) enquanto coleciona objetos utilizados pelos humanos que, agora, vivem no espaço. No entanto, a rotina pacata de Wall-e muda com a chegada inesperada de Eva, uma sonda moderna e sofisticada enviada ao planeta com a missão de descobrir sinais de vida vegetal que indiquem um retorno da sustentabilidade da vida humana.

Com uma sinopse razoavelmente simples, muito pouco poderia se esperar de Wall-e. Até mesmo porque Wall-e, apesar de ser uma animação, não é feito diretamente para crianças. Há de se dizer, inclusive, que as crianças podem criar certa resistência ao filme – o que é completamente justificável. Wall-e foi feito para quem gosta de cinema. É a sétima arte em seu mais puro estado, uma experiência visual que remete o espectador aos primórdios da comédia muda (de Charles Chaplin a Buster Keaton, por exemplo), à ficção científica que tomou conta das telonas por volta da década de 70 e ao maior clichê cinematográfico de todos os gêneros: o encontro casual (e o desenrolar da relação) entre homem e mulher.

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O que torna Wall-e uma obra sublime (no mais amplo sentido da palavra) é que a experiência visual proporcionada pelo longa se estende sobre os itens anteriormente citados, mas de forma muito mais requintada. Comédia muda a começar porque Wall-e é um filme que conta sua história sem os artifícios do diálogo narrativo. Diria que, se muito, apenas um terço do filme tem diálogos falados. Toda a narrativa é contada através de suas imagens. Wall-e, por exemplo, exprime todas as suas emoções através praticamente de seus olhos (que transmitem tristeza, timidez, seu jeito desengonçado de ser e até mesmo seu interesse na humanidade). Esse mérito da produção é resultado de uma característica da Pixar com a qual já estamos habituados: a perfeição com que os estúdios trabalham sua técnica. Wall-e é simplesmente impecável do ponto de vista técnico. Isso fica evidenciado a cada momento através das belas imagens criadas pela equipe Pixar, enchendo os olhos do espectador com planos e sequências inspiradoras, formando uma fotografia ímpar. A cena do balé de Eva e Wall-e no espaço é uma daquelas sequencias cinematográficas para entrar na história – comparada às vassouras cheias de vida de Fantasia ou ao beijo inocente de A Dama e o Vagabundo.

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Em se tratando de ficção científica, Wall-e segue na contramão do roteiro que se poderia esperar do gênero. Não é apenas uma abordagem “futurista”, mas uma obra que propaga também questões ambientais (e por que não humanitárias) que vão muito alem do que muitos filmes, documentários ou obras do gênero pregam. A sátira ao consumo desenfreado, por exemplo, está presente claramente na quantidade de lixo acumulada ao longo dos anos e que o robô tenta, inutilmente, organizar. Com uma história simples, o longa passa uma mensagem muito mais direta e comovente do que muitos discursos ecológicos e humanitários por aí, até mesmo por uma razão: Wall-e é um filme otimista, há esperança de um futuro melhor. Isso fica evidenciado na forma como o robô coleciona os objetos humanos que o fascinam, como se a cada objeto, o melhor da raça humana fosse separado. É muita ternura em um único personagem.

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O encontro casual entre homem e mulher, finalmente, é ainda mais terno porque, neste caso, o casal em questão é formado por dois robôs. Isso não impede que a Pixar recrie uma fábula contemporânea (digo, futurista) sobre a solidão. Wall-e, quando encontra Eva, se apaixona de forma pura pelo robô. Na verdade, o que temos aqui é a simples história de um ser solitário que descobre o amor – e como o amor muda seu universo. É o amor em seu estado mais honesto e que produz os mais ricos sentimentos: o cuidado, o ciúme, o respeito, a confiança, o medo da perda. É uma das histórias de amor mais puras que o cinema foi capaz de produzir em anos, evidenciada pela excelência no trabalho de animação que reproduziu com esmero todos os movimentos dos personagens e deram vida a cada um deles.

O menos surpreendente, no entanto, é que, assim como boa parte dos filmes da Pixar, Wall-e é uma animação que agrada adultos, mas principalmente aqueles que amam o cinema (o que torna Wall-e a melhor produção da Pixar). Desde sua cena inicial (com a bela visão do planeta Terra acompanhada de uma belíssima trilha sonora – que é um caso a parte e mereceria um texto especial), Wall-e nasceu para emocionar e consegue isso muito bem através também de uma singela (mas encantadora) homenagem à história do cinema, com referências a grandes obras que até hoje cativam o público. Wall-e, solitário em sua humilde residência, assiste a trechos do musical Alô, Dolly!, enquanto tenta imitar os passos vistos na tela – em uma das cenas mais “fofas” que já presenciei no cinema. Wall-e é um daqueles momentos únicos, uma pérola cinematográfica inigualável e incontestável – revelando-se um dos maiores clássicos do cinema e a obra definitiva da Pixar, empresa conhecida por sua excelência e qualidade, que alcançou em Wall-e sua magnitude.

Finalmente é Natal! Okay, e aí???

Então, finalmente é Natal!

Época de reunir a família, os amigos, comer panetone, fazer amigo secreto, gastar com presentes, dizer aos colegas da empresa que os ama (aham) e muito mais como assistir aos especiais do Roberto Carlos e da Xuxa. É época de refletir sobre a vida e repensar em tudo aquilo que se passou no ano que já está quase acabando – guardar o que foi bom e jogar fora o que restou pois acredito nos meus sonhos… (até porque o real sentido de Natal há muito tempo já deixou de existir, certo? Nascimento de Jesus, cadê?).

Mas aqui é um site cujo autor é um cinéfilo inveterado. E por esta razão, nada melhor do que listar aqui alguns filmes indispensáveis para se assistir nessa data – na verdade, para alguns deles você não terá opção mesmo. Então, já que no Brasil não tem neve e você vai ficar chupando o dedo achando que vai fazer um belo bonequinho ou que o velho Noel vai descer chaminé adentro, dê uma conferida nos títulos e escolha o seu. Garanto que um bom filminho nesse feriado chuvoso vai cair muito bem.

O Estranho Mundo de Jack (1993)
O nosso bom e velho Tim Burton (todo amor a ti, Burton) criou, em 1993, seu primeiro longa em animação e de cara agradou a todos. De fato, O Estranho Mundo de Jack é uma das animações mais cultuadas e amadas de todos os tempos. A história do Rei do Halloween que decide recriar o Natal a seu modo um tanto quanto “assustador” se tornou filme obrigatório nas noites de Natal, trazendo personagens inesquecíveis aos cinemas – o que resultou em um das produções burtonianas de maior aprovação na crítica.

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Esqueceram de Mim (1990)
Impossível não se lembrar deste filme quando falamos em Natal. Esqueceram de Mim (que depois ganhou outras sequencias) é uma das comédias mais hilárias de todos os tempos. A história do garotinho que é esquecido em casa por sua família na época natalina e tem de enfrentar sozinho dois atrapalhados bandidos fez platéias de todo o mundo rolar de rir nos cinemas – boa parte por conta das caras impagáveis e da atuação certeira do jovem Macaulay Culkin.

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Um Herói de Brinquedo (1996)
Quem já deixou para comprar o presente natalino para aquela pessoa especial às vésperas do Natal sabe exatamente o que Arnold Schwarzenegger passou em Um Herói de Brinquedo. Arnold é um importante homem de negócios que promete ao filho um brinquedo como presente de Natal – mas não imagina que o boneco tão sonhado pelo filho está em falta devido à alta demanda de fim de ano. O filme se tornou um sucesso instantâneo na época em que foi lançado e chamou a atenção para Arnold, famoso por seus filmes de ação, atuando em uma comédia natalina.

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O Expresso Polar (2004)
Animação clássica nas noites de Natal e com um elenco que inclui Tom Hanks e Josh Hutcherson, O Expresso Polar recria a fábula da criança desiludida que não acredita mais em Papai Noel. Esperando por algo que o faça voltar a acreditar na figura natalina, ele embarca em um trem negro com destino ao Pólo Norte.

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O Grinch (2000)
Adaptado dos livros do Dr. Seuss, O Grinch é um daqueles filmes que a Globo adora reprisar nessa época. Jim Carrey interpreta um Grinch que detesta o Natal e decide bolar um plano para impedir que os moradores de uma pequena cidade comemorem essa data. Dessa forma, ele invade as casas dos habitantes da cidade e rouba tudo aquilo que é relacionado ao Natal.

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Edward Mãos de Tesoura (1990)
Muitos filmes se tornaram clássicos da Sessão da Tarde, mas Edward Mãos de Tesoura é uma daquelas preciosidades em que há uma certa unanimidade. Dirigido por Tim Burton, o filme apresenta a história de Edward, um ser inacabado e que possui tesouras no lugar de suas mãos. Quando sai de seu mundo solitário para conhecer uma pequena cidade, o doce Edward se vê em situações onde mesmo a sua vida está em perigo. Clássico burtoniano, Edward Mãos de Tesoura é um conto de fadas moderno e de qualidade e lirismo inquestionáveis.

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A Felicidade Não se Compra (1946)
Eleito como o melhor filme de Natal de todos os tempos (ainda que na época de seu lançamento o sucesso não tenha sido imediato), A Felicidade Não se Compra é um daqueles filmes que marcaram muita gente. Conta a história de um espírito, possível candidato a anjo, que é enviado à Terra com a missão de ajudar um empresário desolado com intenção de suicídio. OBS.: não se assuste com a sinopse reduzida.

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O Amor Não Tira Férias (2006)
Comédia romântica recente, O Amor Não Tira Férias traz Cameron Diaz e Kate Winslet nos papéis principais. Enquanto Cameron é dona de uma próspera produtora de vídeos, Kate é uma jornalista apaixonada por seu colega de trabalho. Após sofrerem uma desilusão amorosa, ambas se conhecem na Internet e decidem fazer um intercâmbio de casas. Em lares e países diferentes, elas conhecem e se relacionam com os mais variados tipo de pessoas e descobrem novos amores que marcarão suas vidas.

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Os Fantasmas de Scrooge (2009)
Produzido pela Walt Disney, Os Fantasmas de Scrooge conta a história de Ebenezer Scrooge (interpretado por Jim Carrey), um milionário ranzinza que só pensa em dinheiro e despreza o Natal. Com a morte de seu sócio, Scrooge recebe a visita de três fantasmas do Natal: do passado, presente e futuro, que levarão o velho a uma viagem que o ajudará a refletir melhor sobre suas escolhas.

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Milagre na Rua 34 (1994)
Refilmagem do clássico natalino de 1947, Milagre na Rua 34 gira em torno de um homem que é contratado para trabalhar como Papai Noel em uma loja de brinquedos. Lá, ele conhece Susan, uma garota que não acredita no bom velhinho – e lá está ele para provar à garota que o Papai Noel não apenas existe como está mais próximo do que ela imagina.

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E para finalizar este post, já que o mundo realmente ainda não acabou,é sempre correto desejar boas festas a todos aqueles que estiveram acompanhando o site durante todo esse período. Obrigado de coração a todos que visualizam e ajudam na divulgação, ainda que indiretamente.

Haja Coragem Para Assistir “Valente”

É desnecessário dizer que a Pixar nos deixou mal acostumados. Afinal, ao longo dos anos, a qualidade inegável de seus filmes só produziu aquela sensação de que sempre podemos esperar um pouco mais do estúdio. Entretanto, há pouco mais de 5 anos, a Pixar juntou forças com a Disney – e Valente, que chegou aos cinemas brasileiros essa semana, mostra os primeiros (e preocupantes) sinais dessa junção que está desencadeando uma grande crise de criatividade na empresa.

Valente, de longe, lembra muito mais um daqueles clássicos dos estúdios Disney. Tem tudo ali: princesas, bruxas, poções mágicas, animais antropomorfizados, trilha sonora com músicas pegajosas, lição moralista, etc. Daí alguém pode perguntar “mas não foi justamente isso que criou todo o sucesso da Disney?” e eu respondo que sim, afinal, estamos falando da empresa que revolucionou a animação no cinema e criou clássicos como Branca de Neve e os Sete Anões, Pinóquio, Alice no País das Maravilhas, A Bela e a Fera, O Rei Leão, só para citar alguns. O problema com Valente reside justamente no currículo da Pixar e as expectativas que temos sobre ela.

Família ainda permanece como um dos temas centrais das obras Pixar.

Quem imaginaria que um robô futurista apaixonado, um peixe palhaço, um boneco caubói com sentimentos ou mesmo um rato com dotes culinários poderiam, em algum momento, ser protagonistas de uma animação? A marca registrada da Pixar durante quase 2 décadas de existência foi criar personagens nada convencionais, apostando em histórias incomuns e sempre (sempre mesmo) nos surpreendendo. Exatamente por isso, Valente, para os amantes dos filmes do estúdio, parece muito mais um conto da carrochinha do que um produto Pixar.

O roteiro, baseado em lendas escocesas, tem como pano de fundo a cultura bretã e narra a trajetória de Merida, uma jovem princesa que, para fugir de um casamento arranjado, recorre à uma bruxa que transforma sua mãe em um urso. Ao longo da história, Merida tenta desfazer o feitiço e recuperar sua mãe, ao mesmo tempo em que deve restabelecer os laços com sua progenitora.

Alguns traços inerentes às obras da Pixar, até então, estão presentes ali. O primeiro está no conceito de família, aqui representado pelo relacionamento entre pais e filhos. Merida está mais próxima, espiritualmente falando, à figura paterna (guerreiro, destemido, valente) do que à sua mãe (educada, sensata, acolhedora). É como se a garota estivesse entre a cruz e a espada, estando mais propensa à liberdade (representada pelo pai) do que à tradição (espelhada na mãe). Aqui, a princesa também luta por seu final feliz – mas, diferente do que acontece nos contos de fadas tradicionais, este final feliz não inclui o casamento com o príncipe encantado. Para Merida, seu happy ending é sua liberdade para fazer o que quiser ou mesmo para amar a quem desejar. É o primeiro longa da Pixar a ter como protagonista uma “mulher”. Entretanto, Merida age muito mais como um garoto de oito anos do que uma princesa tradicional dos estúdios Disney. Talvez tenha sido estratégia para não afastar completamente os garotos e também para fugir das comparações com o fiasco A Princesa e o Sapo.

E o destino que tanto foi pregado no inicio do longa? Cadê?

O problema no roteiro se mostra em um filme que mesmo curto (cerca de 1 hora e meia) se torna cansativo. Tudo é muito clichê e coincidente e falta uma boa dose de humor. Assisti a uma sessão com a sala recheada de crianças e pais e pude contar as poucas risadas que ouvi. Para ser honesto, teve apenas uma única sequência em que eu realmente ri – e não lembro qual foi, o que quer dizer que não foi uma cena tão marcante. As únicos instantes cômicos da trama se revelavam na figura dos irmãos trigêmeos de Merida e na tentativa de sua mãe em se adaptar às suas próprias convenções no corpo de um urso.

Okay, nem tudo em Valente é ruim. Como sempre, a Pixar dá uma aula nos cenários – que são de tirar o fôlego. As belas paisagens escocesas foram retratadas com perfeição e aproximam ainda mais as animações dos filmes em live action. Bom, o melhor exemplo disto é o cabelo excepcional de Merida: vermelho, desalinhado, jogado ao vento (representando muito bem o espírito da jovem e contrastando com o penteado contido e alinhado da mãe) e que tomou quase 1/3 de toda a produção, que durou 6 anos. O 3D, também, apesar de não ter muito exagero, também me impressionou. Geralmente, efeitos 3D são usados em cenas com objetos sendo arremessados ou caindo de grandes alturas, esbanjando falta de criatividade. Aqui, os efeitos nos deixavam praticamente dentro da história, quase sentindo a brisa das árvores ou a água da cachoeira no rosto.

Rebeldia adolescente. Então…

Há também uma ou outra sequência que até divirta ou mesmo mereça atenção, como a inicial, quando o pai de Merida enfrenta um urso gigante, ou mesmo o duelo de arco e flecha quando, para disputar sua própria mão e não ser obrigada a casar, Merida com dificuldades para atirar, rasga seu vestido colado, revelando suas formas – numa cena até certo ponto sensual, assim como sua mãe nua (okay, coberta) após ser liberta do feitiço. Ah, e obviamente, destaque também para o belíssimo curta La Luna, exibido antes do filme, que é uma verdadeira preciosidade. Vale a pena você chegar antes para ver esse espetáculo.

“La Luna”, já considerado a obra-prima dos curtas da Pixar, é o que mais vale o ingresso.

Valente já rendeu, apenas nos EUA, mais de US$ 200 milhões, o que não é ruim se a animação fosse feita por qualquer outro estúdio, menos a Pixar, acostumada a gerar blockbusters. Se ajustarmos a inflação, Valente é a segunda pior bilheteria do estúdio, perdendo apenas para Carros 2 (que, até agora, foi o único longa da Pixar sem nenhuma indicação ao Oscar). Além disso, Valente é a terceira animação da Pixar a ficar abaixo dos 90% de críticas positivas, faturando míseros 76% de aprovação (o que é alto, mas não para a empresa que criou Wall-e, Up Altas Aventuras e Toy Story), perdendo também para os dois filmes da franquia Carros.

Mas tudo bem Carros e Carros 2 não irem muito bem. Afinal, essa franquia, claramente, é uma tentativa da Disney de vender brinquedinhos e faturar alto com produtos. Certo? Mas Valente não tem esse perfil. E se Carros consegue faturar alto com a venda de sua linha é porque, ainda que fraco, os personagens tem algum tipo de potencial. Não é o que acontece com Valente, cujos personagens individualmente não tem grande representatividade, a começar por sua protagonista, que durante todo o filme é apenas uma mera espectadora de todos os acontecimentos e não faz jus ao título.

“Carros”: estratégia para aumentar faturamento ou deslize da Pixar?

Ao que parece, a Pixar está se rendendo à Disney. Prova disso é a produção de continuações ao invés de apostar em novas personagens. Além de Carros 2, já foram anunciadas as continuações de Monstros S.A. e Procurando Nemo. Ou seja, limita-se a criatividade da empresa para apostar em tipos já conhecidos, numa tentativa explícita de se faturar um pouco mais do público. Valente é um filme mediano. Tem um visual deslumbrante (mesmo, sem exageros), mas pouco estimula o público, seja crianças ou os pais delas. Apostou numa fórmula certeira da Disney, os contos de fadas com lição de moral, mas decepcionou os espectadores acostumados aos personagens pouco convencionais e ortodoxos. Valente é um bom desenho para os padrões Disney, mas muito abaixo do padrão inovador e criativo da Pixar.