Retrospectiva 2013 – Parte 1: O Que Passou de Pior Por Aqui

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O ano de 2013 está chegando ao fim – e é quase unanimidade entre os cinéfilos que o ano não teve uma boa safra de grandes produções.

Exatamente por esta razão, decidi listar os filmes que estrearam nesse período e, que de alguma forma, chamaram a atenção do público e da crítica por suas qualidades “questionáveis”. De rostos desconhecidos a grandes nomes, é um fato que muita coisa ruim deixou a sensação de que 2013 poderia ter sido bem melhor. De remakes a faroestes, confira a lista e veja as produções que, literalmente, deram bola fora…

JOBS (Jobs, Joshua Michael Stern)
A biografia de Steve Jobs foi levada às telas pelo insosso Joshua Michael Stern (um nome até então não muito conhecido pelo público). Além de ser protagonizado por Ashton Kutcher, a cinebiografia não obteve uma boa avaliação da crítica – e seu diretor, que tinha um ótimo material nas mãos e o desperdiçou em um filme mediano, continua praticamente no anonimato.

01

O GRANDE GATSBY (The Great Gatsby, Baz Luhrmann)
Baz foi mundialmente aclamado com sua visão arrebatadora de Moulin Rouge, de 2001. O Grande Gatsby era uma grande promessa – teve gente que, inclusive, chegou a cogitar a hipótese de Leonardo DiCaprio, o protagonista, ganhar uma indicação ao Oscar de melhor ator. Bom, se vai ou não, ainda temos que aguardar. O fato é que O Grande Gatsby tem muita música, muito brilho, muito glamour mas… e aí?

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O CAVALEIRO SOLITÁRIO (The Lone Ranger, Gore Verbinski)
Gore Verbinski é a mente por trás da cultuada saga Piratas do Caribe. Quando os estúdios Disney anunciaram a produção O Cavaleiro Solitário, os fãs de Depp e da saga pirata ficaram enlouquecidos. Não que o filme seja ruim, mas O Cavaleiro Solitário não é nada além do que Jack Sparrow em versão western – e apesar do filme até ser bom, o mau desempenho nas bilheterias foi inevitável.

03

ONE DIRECTION: THIS IS US (One Direction: This is us, Morgan Spurlock)
Em 2012, o fenômeno pop era Katy Perry que, no embalo de sua turnê adocicada para o álbum Teenage Dream, lançou um documentário sobre sua curta carreira. Em 2013, foi a vez dos “garotos” da banda britânica One Direction – que lançaram um documentário que o público até curtiu e serviu de propulsor para o terceiro disco da banda.

04

PERCY JACKSON E O MAR DE MONSTROS (Percy Jackson: Sea of Monsters, Thor Freudenthal)
O primeiro parte da franquia já não foi lá essas coisas, mas para não ficar chato para os estúdios, Percy Jackson e o Mar de Monstros chegou aos cinemas em 2013 – e provou que o problema não era no filme em si, mas sim na saga. Fiasco, nem o rostinho angelical de Logan Lerman foi o suficiente para evitar que a produção morresse na praia…

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MEU NAMORADO É UM ZUMBI (Warm Bodies, Jonathan Levine)
Um longa que começou errado desde o princípio, com a péssima tradução do título, Meu Namorado é um Zumbi é um filme morno que ora flerta com o terror barato, ora com a comédia insípida – e no final, se torna um produto para adolescente ver no cinema quando sai do colégio. Do mesmo diretor do elogiado 50%Warm Bodies (excelente título original) vagueia muito mais nas sombras do que suas personagens…

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KICK-ASS 2 (Kick-Ass 2, Jeff Wadlow)
Não que seja horrível, mas se comparado com a primeira parte da franquia, Kick-Ass 2 deixa a desejar. Além das inúmeras inverossimilhanças com os quadrinhos que o originou, o filme abre mais espaço para a personagem Hit-Girl – que agora, é uma adolescente em crise no colégio que se apaixona pelo nosso herói.

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AMOR PLENO (To The Wonder, Terrence Malick)
Depois do deleite visual de A Árvore da Vida, Terrence Malick nos deu Amor Pleno – um longa-metragem morno, com bela fotografia mas roteiro que não envolve. Tedioso em inúmeros momentos, o não convencional filme de Malick foi uma das maiores esperanças do ano – se revelando também uma das maiores decepções de 2013…

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JOÃO E MARIA: CAÇADORES DE BRUXAS (Hansel and Gretel: Witch Hunters)
Transformar dois personagens clássicos da literatura infantil em caçadores de seres macabros é uma escolha arriscada. João e Maria: Caçadores de Bruxas é um ótimo blockbuster, mas ruim de doer na alma… História com ritmo fraco e um roteiro bem questionável, é um filme que pode até agradar o povão – mas cinéfilo nenhum jamais o assistiria duas vezes…

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CARRIE – A ESTRANHA (Carrie, Kimberly Peirce)
Uma das maiores decepções do ano, o remake do clássico da década de 70 não decolou – e foi um fiasco. Nem mesmo os recursos visuais (que, aparentemente, deveriam ajudar a melhorar a refilmagem) contribuíram para evitar que o filme ficasse muito ruim.

10

O Filme sem Compromisso de Natalie e Ashton

 

Amigos próximos costumam dizer que eu mantenho certa antipatia por alguns artistas devido às más lembranças que trago de antigos relacionamentos. Ashton Kutcher seria o exemplo ideal. Assim, confesso que fui ao cinema assistir a Sexo Sem Compromisso com certa precaução. Além do motivo óbvio, acrescento também o fato de ficar traumatizado com o ator devido ao péssimo filme Jogando com Prazer (ainda me pergunto o quanto Anne Heche recebeu para se submeter àquelas cenas com Kutcher) e à sua limitação artística (já reparou como ele sempre faz o mesmo personagem?). Entretanto, como o filme também é protagonizado por Natalie Portman, resisti bravamente e acompanhei a história sem compromisso do filme.

Rotulado como comédia romântica, o filme conta a história de Emma, uma jovem médica que mantém certa repulsa por relacionamentos e que reencontra o bonitão (e bobão) Adam, uma antiga paquera dos tempos de colégio. Após uma manhã de sexo, os dois resolvem encarar uma relação aberta e sem o menor vínculo afetivo, onde ambos satisfazem sexualmente um ao outro a qualquer momento em que um dos dois queira. Com o tempo, Adam se apaixona por Emma, que posteriormente abandona o rapaz, mas acaba se arrependendo e voltando aos braços do amado quando percebe que este seria o amor de sua vida.

Primeira consideração: já não se fazem boas comédias românticas. Fato. Segunda consideração: nem mesmo a vencedora do Oscar Natalie Portman (que terá que conviver com este pesado fardo daqui pra frente) foi capaz de salvar o filme: sua atuação foi boa, mas não o suficiente. Natalie convence bem em qualquer personagem e aproveitou a chance de mostrar que não é apenas uma atriz de drama. Ela consegue ser expressiva e encantadora, mas o roteiro definitivamente não ajudou.

O bobo Adam (mais um papel do tipo na carreira de Ashton) tentando agradar a difícil Emma durante seu período menstrual: uma das poucas piadas do filme...

 

Não se trata de um péssimo roteiro. Há algumas boas piadas, mas definitivamente esse não é o filme que irá fazer você rir durante horas ou que você recomendará a um amigo. Além disso, o filme carece de bons antagonistas (os poucos que existem na trama são estereotipados, como o heterossexual meio gay ou a jovem interesseira que procura um cara mais velho). Nada a comentar sobre Ashton, que mais uma vez tem de apelar e mostrar o corpo na tela, pois o talento dificilmente ele consegue. A única qualidade de Ashton é ser esposo de Demi Moore e declarar seu amor por ela no Twitter.

O filme não tem a menor intenção de passar alguma mensagem, ou mesmo divertir o telespectador (pois, do contrário, as piadas seriam melhores). Serve apenas como um daqueles filmes para você assistir com sua namorada em uma noite monótona de terça-feira. O título, que parece apelativo – e realmente o é –, chama a atenção. Mas o que se tem no final é um filme como qualquer outro, sem nada que o destaque. Para Natalie, foi uma boa experiência; para Ashton, foi mais um filme em que ele aparece nu. O único mérito do filme (que nem é tão grande assim) é que a maioria das comédias românticas coloca a mulher como um ser frágil que sempre sofre nos relacionamentos, enquanto em Sexo Sem Compromisso é o homem (bobão, novamente afirmo isso) quem corre atrás e está em busca de um relacionamento sério.

A química entre Ashton e Natalie não funciona: falta de talento dele ou maldição do Oscar sobre ela?

 

No final, irrita ver que Emma termina a história com Adam, uma vez que a química entre Natalie e Ashton não rola. O filme poderia se sobressair, talvez, se os protagonistas não terminassem juntos. Ao menos, passaria uma mensagem do tipo “não deixe pra fazer amanhã algo que você pode fazer hoje”, “invista em quem você ama” ou simplesmente “baba, baby”…