Retrospectiva 2012 – Parte 2: Os Álbuns Que Não Postamos Por Aqui

Pois bem, nem só de cinema vive este ser que vos fala. Na verdade, uma das minhas grandes paixões na vida (certamente a minha primeira paixão artística e uma das mais fortes e expressivas em mim) é a música. Bom, nem sei o porquê falo isso, já que é difícil encontrar alguém na face da Terra que não curta ouvir uma boa música.

Dessa forma, seria indispensável aqui uma lista com alguns dos álbuns lançados em 2012. Não procurei seguir um critério específico, mas separei aqui os álbuns de artistas que, de certa forma, foram destaque (positivo ou negativo). Portanto, prepare-se e ouça nossas sugestões de discos que merecem ser ouvidos para fechar o ano (seja qual for o motivo). Boa música não vai faltar. Quer dizer…

MDNA – Madonna
A eterna rainha do pop (Lady Gaga, está lendo isso?) lançou, em março de 2012, seu 12º álbum. Madonna nunca foi cantora de grandes álbuns – mas de grandes singles. Portanto, MDNA recebeu críticas, em geral, positivas – mas de longe, não é um grande marco na carreira de Madonna. O primeiro single Give Me All Your Luvin conta com as parcerias de Nicki Minaj e M.I.A.

 

Living Things – Linkin Park
Diz o ditado popular que em time que está ganhando não se mexe. Desde sua estréia no mercado fonográfico, o Linkin Park foi uma das bandas mais cultuadas do cenário do rock. Entretanto, ao longo dos últimos anos, a banda tem apostado em novas sonoridades em seus discos e suas músicas, antes marcadas por batidas agressivas, acabou se tornando muito mais “clean”. Living Things, apesar de ter qualidade sonora  inquestionável, está aí pra provar isso.

livingthings
The Truth About Love – P!nk
Com um álbum muito bem elogiado pela crítica, P!nk se consagrou como uma verdadeira diva na música com The Truth About Love. O disco é um dos mais aclamados de sua carreira e trouxe P!nk de volta aos holofotes. O álbum ainda tem a participação do rapper Eminem e da cantora Lilly Allen.

 

Tudo Tanto – Tulipa Ruiz
Não esqueci de dar espaço para a música nacional. E um dos nossos melhores álbuns em 2012 foi Tudo Tanto, da cantora Tulipa Ruiz, que se tornou uma das maiores revelações brasileiras nos últimos tempos. Além de cantora e compositora, Tulipa dedica seu tempo à ilustração.

tudotanto
Southern Air – Yellowcard
Houve quem considerasse Southern Air, o último álbum da banda Yellowcard, como o melhor disco de 2012. Se é o melhor, não cabe a mim julgar. O fato é que realmente o álbum parece ter vindo para mostrar que os garotos tem talento e potencial para continuar na ativa durante muito tempo. É impossível não notar a maturidade da banda em relação à sonoridade e ao conteúdo de suas letras em comparação aos seus trabalhos anteriores.

southern
Lotus – Christina Aguilera
Após o injustiçado Bionic, Christina Aguilera estava passando por uma fase meio dark em sua carreira. Com Lotus, lançado há poucos meses, Christina provou que ainda tem fôlego (literalmente) para lançar bons álbuns. Encabeçado pelo primeiro single, Your BodyLotus não é o melhor álbum da carreira de Aguilera, mas deixa Christina em evidência entre as divas do cenário musical.

 

Unorthodox Jukebox – Bruno Mars
Unorthodox Jukebox é o segundo álbum da carreira de Bruno Mars, o primeiro após o sucesso Doo-Wops & Holligans, de 2010, que trouxe uma série de singles, como Just The Way You AreThe Lazy SongGrenade. Lançado há poucas semanas, o álbum recebeu boas críticas e, ao que tudo indica, deixa Mars tranquilo com relação à “maldição do segundo disco”…

jukebox
Born To Die – Lana Del Rey
Lana é o típico caso de artista que ou você ama ou você odeia. Dividindo críticas, Lana surgiu com força no cenário musical em 2012 e lançou neste ano seu álbum de estréia, o elogiado Born To Die, que obteve um sucesso comercial razoável. O primeiro single, Video Games, alcançou boas posições nas paradas mundiais.

borntodie
Origin of Love – Mika
Há quem caia de amores pelo trabalho de Mika – e há aqueles que adoram mostrar que gostam do cara porque está na moda e é cool. A faixa Elle Me Dit se tornou um dos grandes hits do álbum Origin of Love, chegando em primeiro lugar nas paradas francesas.

mika
Warrior – Ke$ha
Se você pensava (assim como eu) que Ke$ha era apenas mais uma semi-diva que surgiu mostrando o corpo, Warrior está aí para provar que estávamos enganados. O álbum foi muito bem recebido pela crítica, encabeçado pelo primeiro single Die Young, que tem ficado nas paradas de sucesso de vários países.

 

Infinito – Fresno
Uma das minhas bandas preferidas, os rapazes da Fresno lançaram em 2012 o inédito Infinito que, não muito diferente do que os rapazes já faziam, serve apenas para consolidar o talento dos roqueiros gaúchos – que se tornaram referência no cenário musical brasileiro. Primeiro álbum da banda após a saída de Tavares.

infinito
Pink Friday: Roman Reloaded – Nicki Minaj
Todo o orçamento possível e imaginável de Nicki foi usado para promover seu álbum Pink Friday: Roman Reloaded. A divulgação teve direito, inclusive, a lançamento de clipes praticamente a cada semana (não estou brincando). De fato, a rapper chegou a assumir, na época do lançamento do álbum, que pretendia “alcançar o mundo” com seu novo disco. Se conseguiu, aí é outra história…

 

Em Comum – Nx Zero
Mais um artista nacional lançou álbum novo em 2012. Dessa vez, a banda liderada pelo vocalista Diego Ferrero (ou o namorado da Mariana Rios, como você preferir) apresenta o álbum Em Comum, com a música Maré como primeiro single. Quinto álbum de estúdio da banda paulista e o primeiro desde 2009.

 

Vulnerable – The Used
A banda norte-americana liderada por Bert McCracken The Used lançou em março seu quinto álbum de estúdio, Vulnerable. Apostando naquilo que consagrou o grupo, os caras continuam mesclando batidas ora lentas, ora agitadas e pesadas com suas letras agressivas. Com o tema “Make a choice. Shine on!”, o disco foi bem recebido pela crítica e público, diferente do que aconteceu com o anterior, Artwork, que dividiu a opinião dos fãs.

 

Believe – Justin Bieber
Justin Bieber cresceu e está apostando numa abordagem mais “adulta” em sua carreira. Believe mostra que o garoto, contrariando a opinião de muita gente, tem potencial para ser um grande artista pop no futuro – mas precisa ter seu foco bem orientado.

believe
Some Nights – Fun.
Certamente, você deve ter ouvido por aí a música We Are Young, sucesso absoluto nas paradas internacionais da banda Fun. em parceria com Janelle Monáe – mesmo que não saiba de qual canção estamos falando. De fato, a música se tornou uma espécie de hino juvenil e principal canção do segundo álbum da banda indie.

 

Push And Shove – No Doubt
Ninguém entendeu quando a minha diva pessoal ❤ cantora Gwen Stefani anunciou o fim de sua próspera carreira solo para voltar ao No Doubt após mais de 10 anos separados. Push And Shove foi o primeiro álbum da banda desde 2001, com Rock Steady, e parece ter agradado aos fãs mais tradicionais.

E para quem quiser relembrar, aqui vai outros álbuns que já comentamos por aqui ao longo de 2012:

Take Me Home – One Direction
Beacon – Two Door Cinema Club
Blunderbuss – Jack White
Teenage Dream: The Complete Confection – Katy Perry

Whitney: A Voz de Uma Diva Que Se Cala

A atriz e cantora, no início de carreira.

Não é exagero quando dizemos que há alguns nomes que alcançam um patamar na fama tão elevado que são capazes de influenciar toda uma geração. De fato, existem artistas que mesmo que se não fizessem mais nenhum trabalho por anos seriam relembrados eternamente, deixando um legado infindável para as futuras gerações. Assim foi com ícones como John Lennon, Elvis Presley, Janis Joplin, Tom Jobim, Cazuza, Kurt Cobain e, nesta última noite de sábado (11) a diva norte-americana Whitney Houston.

Oficialmente, ainda pouco se sabe sobre a morte da cantora, que teria sido encontrada morta por um dos integrantes de sua equipe na banheira de uma suíte de um luxuoso hotel em Los Angeles. Aos 48 anos, a artista ainda teria sido ressuscitada pelos paramédicos de plantão, mas logo em seguida foi declarada morta – um dia antes da premiação do Grammy deste ano. A causa da morte ainda é desconhecida, mas, de acordo com a polícia local, não haviam sinais evidentes de intenção criminal.

Whitney foi uma das maiores intérpretes de sua geração. Durante as décadas de 80 e 90, a diva fez muito sucesso e se tornou uma da artistas com o maior número de vendagens na história da música. Ao longo de sua carreira, foram 7 álbuns de estúdios – ultrapassando a marca de 200 milhões de cópias vendidas, 6 Grammys e 30 vezes ao topo das paradas da Billboard. Apenas com seu disco de estréia, o homônimo Whitney, lançado em 1985, a cantora se tornou a artista feminina que mais vendeu com um álbum de estréia (aproximadamente 25 milhões de cópias, boa parte do sucesso devido às músicas Saving All My Love For You e How Will I Know).


Houston também atuou nos cinemas. Em seu primeiro papel, a artista protagonizou, ao lado de Kevin Costner, o casal do filme O Guarda-Costas (1992) – onde além de atuar, a bela também assumia parte da trilha sonora. O Guarda-Costas, além de indicações para o Oscar, foi o álbum mais vendido de uma artista feminina na história. Canções como I Have Nothing e I Will Always Love You (cover de Dolly Parton) se tornaram algumas das músicas mais conhecidas de seu repertório.

Whitney começou a cantar em corais de igrejas protestantes – e essa influência se tornou uma marca de seu legado. Para o jornal The New York Times,

…Whitney era uma das melhores vozes gospel de sua geração(…) evitando os maneirismos típicos deste gênero e usando frases evangélicas com moderação (…) comunicando força e auto-confiança.

Esse seu legado influenciou uma geração de cantoras, de Mariah Carey a Christina Aguilera, por exemplo. De fato, Whitney sabia dosar como ninguém as características típicas da música gospel norte-americana com baladas pop, criando canções inesquecíveis.

Entretanto, na vida pessoal, Whitney lutava para ter o mesmo sucesso que na carreira. Sua trajetória foi marcada pelo uso abusivo de álcool e drogas que – visivelmente – fizeram com que a diva perdesse seu timbre e potência vocais ao longo dos anos. É nítido a mudança vocal de Whitney em suas músicas na década de 90 (seu período de auge) e ao final dos anos 2000 quando, após diversas passagens por clínicas de reabilitação, a cantora estava lutando para abandonar o vício.


O mundo das músicas perde uma de suas maiores estrelas. Dona de uma voz inesquecível e de um talento inegável, Whitney nos deixa, mas seu legado permanece e durante muito tempo a cantora será lembrada como uma das maiores intérpretes gospel de todas as gerações.