Retrospectiva 2013 – Parte 3: Os Melhores Álbuns Que Não Postamos Por Aqui

Se 2013 não foi um ano muito favorável para o cinema, o mesmo não se pode dizer da música. O ano foi um prato cheio para quem curte escutar boa sonoridade, conhecer gente nova e sair por aí cantando à toa…

Confira minha lista abaixo com os melhores álbuns de 2013 – todos devidamente escutados e avaliados. Lembrando que a lista não segue necessariamente o fator “qualidade” – tampouco reflete questões pessoais (tem artistas aqui que eu, supostamente, não curto). Cheguei nessa lista baseando-se em discos que, de alguma forma, chamaram a atenção no cenário musical e fez a crítica balançar.

01COMEDOWN MACHINE (The Strokes)
Faixa imperdível: 50/50
Quinto registro de estúdio da maior representante do movimento indie rock na atualidade, Comedown Machine é a aposta dos Strokes em novas sonoridades, refletindo diretamente tudo aquilo que os rapazes da banda (e, principalmente, seu vocalista, Julian Casablancas) curtem ouvir nas  horas vagas – tanto é verdade, que muita gente considerou o álbum muito próximo ao disco de carreira solo do cantor.


LOVE IN THE FUTURE (John Legend)

Faixa imperdível: All Of Me
Um dos melhores intérpretes de R&B da atualidade, Love in The Future é o quinto registro do cantor, compositor e pianista norte-americano. Um pouco esquecido pela crítica, no entanto, o disco é um deleite para os ouvidos e possui uma das músicas mais sensíveis de sua carreira, All Of Me – que Legend interpreta ao som de um piano deliciosamente atraente.

RIGHT THOUGHTS , RIGHT WORDS, RIGHT ACTION (Franz Ferdinand)
Faixa imperdível: Evil Eye
O quarto álbum de estúdio da banda escocesa Franz Ferdinand caiu nas graças da crítica e do público, sendo um dos mais vendidos do ano no Reino Unido. A faixa Evil Eye, minha sugestão, ganhou um clipe EXCELENTE que faz alusão a clássicos filmes B de terror – Sam Raimi, George Romero e Robert Rodriguez gostaram disto!

02BEYONCÉ (Beyoncé Knowles)
Faixa imperdível: XO
Enquanto todos voltavam as atenções aos discos de cantoras pop como Lady Gaga, Britney Spears e Katy Perry, Beyoncé ficou na surdina e de repente… Um tapa na cara de todos ao lançar seu auto-intitulado Beyoncé, um ótimo trabalho que pegou muita gente de surpresa e atesta de vez o talento da cantora.

03THE NEXT DAY (David Bowie)
Faixa imperdível: Where Are You Now?
O veterano Bowie presenteou a todos seus fãs com The Next Day, seu primeiro registro após 10 anos de Reality, seu trabalho anterior. Em apenas uma semana, o álbum se tornou o mais vendido no Reino Unido – o que Bowie não fazia desde Black Tie White Noise, de 1993. The Next Day é a prova de que David ainda está em ótima forma.


04ANTHEM (Hanson)

Faixa imperdível: Get The Girl Back
O trio norte-americano formado pelos irmãos Jordan, Zac e Isaac ficaram famosos lá na década de 90, quando eram 3 garotinhos que cantavam baladinhas românticas com suas vozes açucaradas. Os caras cresceram, constituíram famílias, amadureceram e trouxeram o ótimo álbum pop Anthem, super elogiado pela crítica e pelos fãs.

MODERN VAMPIRES OF THE CITY (Vampire Weekend)
Faixa imperdível: Hannah Hunt
Terceiro trabalho de estúdio da banda norte-americana de indie-rockModern Vampires of the City é considerado por muitos o melhor disco do quarteto – e não apenas isso, mas também é apontado por muitas publicações como o álbum do ano.

05PARADISE VALLEY (John Mayer)
Faixa imperdível: Paper Doll
John Mayer foi bem recebido com seu Paradise Valley que, dentre outros méritos, ainda traz um dueto do cantor com sua atual conquista, Katy Perry (em um parceria, no mínimo, “fofa”). Considerado um dos melhores discos da carreira do cantor, Paradise Valley prova que John Mayer não é apenas bom em colecionar belas mulheres…


THE ELECTRIC LADY (Janelle Monáe)

Faixa imperdível: Q.U.E.E.N.
Amplamente aclamado pela crítica, The Electric Lady não perde seu rumo em momento algum, mesmo com seus mais de 60 minutos. Produzido ao longo de três anos, o álbum possui uma coleção de hits muito maior que o CD anterior da cantora – o que faz com que o disco seja apreciado logo à primeira audição.

06

REFLEKTOR (Arcade Fire)
Faixa imperdível: We Exist
Com uma campanha de marketing estratégica para sua divulgação, Reflektor é considerado o melhor álbum da banda indie – que após um tempo pedalando pelo mainstream, provou que ainda tem muito a oferecer a seus fãs mais tradicionais. Dividido em dois discos, somando cerca de 75 minutos de duração, Reflektor foi muito bem recepcionado pela crítica.


7PALE GREEN GHOSTS (John Grant)

Faixa imperdível: GMF
O cantor norte-americano conquistou a crítica com seu segundo disco de estúdio, considerado pela Rough Trade (famosa loja de música londrina, em sua tradicional lista de fim de ano) o melhor álbum de 2013. Está achando pouco? O jornal britânico The Guardian também o colocou na lista dos 10 melhores CDs lançados no ano.

BANGERZ (Miley Cyrus)
Faixa imperdível: Wrecking Ball
Miley Cyrus aposentou de vez a peruca de Hannah Montana e fez de 2013 o ano mais polêmico de sua carreira. Para isso, lançou o “sujo” Bangerz, que fez Miley virar sucesso nas paradas – e também na internet, rendendo vários memes à cantora. Quem nunca viu alguma paródia com a música Wrecking Ball?

MGMT (MGMT)
Faixa imperdível: Your Life is a Lie
A banda de rock psicodélico lançou seu auto-intitulado MGMT, que dividiu a opinião dos fãs (quem esperava um Kids ou Time to Pretend, esqueça!). Apesar de ser uma ruptura em relação aos trabalhos anteriores da banda e questionavelmente regular, o terceiro registro do MGMT é um muito mais maduro e redondo do que os anteriores.

8THE 20/20 EXPERIENCE (Justin Timberlake)
Faixa imperdível: Suit & Tie
Alguns dizem que Justin poderia tirar a coroa de rei do pop de Michael Jackson. Meio cedo para falar isso, mas o fato é que Justin tem se destacado e mostrado que não é apenas um rosto bonito. O cara, definitivamente, tem talento – que ficou mais que provado com seu elogiadíssimo The 20/20 Experience, terceiro álbum da carreira do ex-‘N Sync.


YEEZUS (Kanye West)

Faixa imperdível: BLKKK SKKKN HEAD
Kanye já foi até elogiado por Barack Obama – que antes, teceu críticas ao trabalho do rapper norte-americano. Yeezus é apontado por várias publicações como o melhor disco de 2013 – experimental, cru, obscuro. Nenhuma novidade para West, que já está acostumado a ver seus projetos reconhecidos pelo público e pela crítica especializada.

“Comedown Machine”: o “Novo” Álbum dos Strokes

Parece que foi ontem que eu escrevia minha bem sucedida crítica para Angles, o quarto álbum dos Strokes. Ainda tenho claro em minha mente também o ano de 2001 quando, ainda mais jovem e cheio de aspirações, eu recebia de braços abertos Is This It?, o primeiro disco dos caras que, na época deste lançamento, ganharam o modesto título de “salvadores do rock”. Bem, muita coisa se passou desde então e agora temos Comedown Machine, o último trabalho da banda liderada por Julian Casablancas – e que divide a opinião dos fãs do quinteto.

comedownmachinePara entender um pouco o que é Comedown Machine dentro da discografia dos Strokes, seria imprescindível a você, leitor, ouvir o álbum anterior da banda, Angles, lançado em 2011 (cuja crítica você pode conferir aqui) e também Phrazes For The Young, projeto solo de Casablancas, de 2009. Hoje, Angles é considerado por muitos como o pior registro do quinteto. A mistura de influências de Angles foi duramente criticada pelos fãs mais tradicionais do grupo, que clamavam por algo que remetesse – ainda que de longe – os tempos gloriosos da estréia dos Strokes, que duraram até o segundo álbum, Room on Fire.

Comedown Machine parece, de certa forma, completar aquela lacuna que ficou em aberto com Angles, afastando os Strokes do rock tradicional que caracterizou sua estréia e os aproximando ainda mais dos sons da década de 80. Comedown Machine é pura nostalgia. Não há nada que os caras já não tenham feito anteriormente – a diferença é que Comedown Machine é um álbum mais “uniforme” da banda desde Room on Fire – você, fã, admita que First Impressions of EarthAngles é uma sinfonia de tudo quanto era estilo e influência, uma grande mistura da onde se tiravam algumas poucas surpresas, como You Only Live OnceJuicebox, Taken For a Fool ou Under Cover of Darkness.


Sim, os Strokes fugiram há tempos do rock cru com guitarras marcantes, substituindo essa característica marcante por sons e batidas eletrônicas. O disco é recheado de sintetizadores – lembrando vagamente o projeto solo do vocalista. Com pouca guitarra, o repertório composto por 11 faixas lembra os hits radiofônicos que estiveram em alta durante as décadas de 70 e, principalmente, 80. Isso fica ainda mais realçado quando ouvimos a voz de Casablancas (propositalmente) enterrada pela mixagem em meio a um instrumental excelente. Parece que Julian não quer se esforçar tanto, caindo em inúmeros falsetes e dividindo alguns trechos com vocalistas de apoio. Definitivamente, não impressiona, não dá tesão. Casablancas está apagado e ponto. A maior contribuição de Julian no álbum é seu flerte descarado à new wave e aos sons oitentistas de outrora, fazendo com que Comedown Machine pareça mais o segundo trabalho solo do rapaz.

strokesA faixa de abertura, Tap Out, é puro synthpop – lembrando em vários momentos o som de New Order ou David Bowie. Seguindo na mesma linha, temos canções como Welcome to JapanOne Way Trigger (que muita gente julgou “tecnobrega”, veja você…) e Happy Ending (uma balada pra balançar o esqueleto). Mas há também alguns presentes aos fãs dos primeiros álbuns, como All The Time (música com ótima pegada e bela interpretação de Casablancas) e 50/50, de cara, uma das melhores faixas do álbum. Mesmo Partners in Crime, balada influenciada pelo som oitentista com algumas camadas de sintetizadores, é uma bela surpresa no disco.


É difícil dizer se os Strokes acertaram ou erraram com Comedown Machine. Longe de ser uma obra-prima, é um álbum cheio de altos e baixos, se comparado com os primeiros trabalhos da banda – mas vem coroar com maestria essa nova “fase”, onde ao que tudo parece o quinteto não está preocupado em “salvar o rock”, mas simplesmente em fazer sua música – e diga-se de passagem, sua boa música, pois com todas as críticas, os caras conseguem ainda ser criativos e fazer um som bem superior à muita coisa que a gente ouve por aí. O único ponto que fica um pouco abaixo do esperado é o desempenho do vocalista, que parece não querer ousar muito, abrindo espaço para o instrumental, que continua excelente. Resta saber agora como será a performance ao vivo do grupo dessas novas e complexas canções. Como um todo, Comedown Machine mostra que os Strokes estão longe de querer fazer o rock sujo que o consagrou no início da década passada. Parece que agora a ordem é conquistar novos fãs e fazer seus velhos admirados abrirem a mente para todos e possíveis sons. Até porque a banda, ao que tudo indica, está aberta para todo e qualquer tipo de mistureba.