Entretenimento Pop em SP: Anime Friends 2014

Se você mora em São Paulo e é fã de cultura japonesa e entretenimento pop em geral, uma boa opção de programa para os próximos dias é o tradicional Anime Friends – festival que acontece anualmente desde 2003 e é considerado um dos maiores eventos do gênero em toda a América Latina.

O foco principal do festival é a cultura nipônica, mas trata-se de um ótimo entretenimento para quem curte o universo geek: lá você vai encontrar quadrinhos, mangás, animes, cosplays e, claro, muito game. No site oficial, por exemplo, já foi informado há alguns dias uma competição de videogame, que vai  acontecer na área Press Start Games, durante todos os dias do evento.

Por sua vez, haverá também o tradicional concurso de cosplays, que vai premiar os melhores inscritos em diversas categorias. Haverá também alguns espaços temáticos, como LOP-SP (Liga Pokémon), Magic Potter e N-Party. Para completar as atrações, diversos artistas vão passar pelos palcos do evento, como Ayumi Miyazaki, Takayoshi Tanimoto e a banda Flow – alem dos brasileiros da Família Lima e a banda Tihuana – que se apresenta no primeiro dia do evento. O vlogueiro e apresentador PC Siqueira se apresenta no dia 25, no Auditório Comic Fair, alem de inúmeros humoristas que, pela primeira vez, farão shows de stand-up, garantindo boas risadas ao público. Na parte de infraestrutura, como de costume, o evento conta com vários estandes de produtos relacionados, alem de uma ótima praça de alimentação.

Portanto, está em São Paulo até o final de julho? Não deixe de conferir a edição de 2014 do Anime Friends. Cultura, entretenimento – e muita diversão para os geeks de plantão.

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ANIME FRIENDS 2014
Campo de Marte – Avenida Santos Dumont, 2241 – São Paulo-SP

Data: de 17/07/2014 a 20/07/2014 e 24/07/2014 a 27/07/2014
Ingressos: a partir de R$ 50,00 (inteira) – aceita meia-entrada
Horário: Quintas, das 12h às 21h; sextas, sábados e domingos, das 10h às 21h.
Classificação: 12 anos
Informações: http://www.animefriends.com.br/

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A Importância de “Pulp Fiction” e Quentin Tarantino na Cultura Indie Cinematográfica

Mesmo que você não tenha assistido a este longa de Quentin Tarantino, lançado em 1994, em algum momento de sua vida você já se deparou com alguma referência a esta produção. Pulp Fiction é um dos filmes mais cultuados de todos os tempos, uma obra-prima aclamada e sem precedentes de, até então, um jovem e promissor diretor que, já em seu segundo trabalho, firmava-se como um dos mais importantes cineastas de todos os tempos e criava um estilo particular que influenciou toda uma geração hollywoodiana desde então.

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Há quem fique indiferente a Pulp Fiction; há os que alegam que Cães de Aluguel, debut de Tarantino, seria a verdadeira obra máxima do cineasta. De fato, sob o ponto de vista estilístico, Cães de Aluguel é impecável e contém tudo aquilo que Tarantino faria em seus trabalhos futuros – não à toa, o filme foi ovacionado em Cannes à época de sua exibição. Sua importância é notável: sem Cães de Aluguel, jamais haveria Pulp Fiction – financeira e estilisticamente falando. Não obstante, Pulp Fiction lançou Tarantino para o estrelato definitivo, rompendo moldes e rótulos da indústria cinematográfica de então e deixando o público e, principalmente, a crítica de joelhos diante de seu idealizador.

Pulp Fiction nos apresenta três histórias distintas, contadas ao longo de capítulos não lineares, mas que se cruzam ao longo de suas duas horas e meia de duração. Essas três histórias são interligadas através de alguns personagens: na primeira delas, somos apresentados a dois parceiros mafiosos, Vincent Vega e Jules Winnfield (respectivamente, John Travolta e Samuel L. Jackson), que estão executando um serviço para um chefão da máfia; na segunda, acompanhamos o encontro fortuito de Vincent com Mia (Uma Thurman), a esposa do chefão criminoso; e, finalmente, a terceira narrativa acompanha o boxeador em fim de carreira Butch (Bruce Willis) pago para perder uma luta, mas que desiste da derrota e agora é procurado por Marcellus Wallace (Ving Rhames).

Mas Pulp Fiction não se resume somente a essas histórias. O filme representa Quentin Tarantino em sua essência. Aqui, como em pouquíssimos e raros casos no cinema, o diretor tem total controle sobre seus expectadores. Tarantino parece tentar arrancar tudo o que pode de seu público, indo mais fundo e explorando cada vez mais nossas emoções – até o exato momento em que estamos quase não aguentando mais e ele tira a mão, como que dizendo “tudo bem, você só aguenta até aqui… acho melhor parar!”. Tarantino é um como um deus brincalhão, abusando de seu público e se divertindo à custa dele.

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Pulp Fiction, apesar de não ser o primeiro a ter tal abordagem (vide clássicos como Cidadão Kane, ou mesmo o “debut” Cães de Aluguel), foi o que popularizou a narrativa não-linear (alem de tramas paralelas que se complementam). Prova é a quantidade de produções que seguiram essa característica da década de 90 em diante. A montagem desfragmentada das cenas contribui para que não haja sequer uma base temporal. Com isso, o cineasta transformou um estilo em sua própria narrativa, praticamente um “jeito Tarantino de fazer filme”. Esse estilo peculiar também fica mais evidente por outras características, como a violência mostrada em suas produções (para muitos, gratuita)s, que fica mais ressaltada através de seus personagens sanguinolentos e frios (mas sempre humanos), e também dos diálogos memoráveis que fazem inúmeras referências às obras de outros cineastas e também à cultura pop. Em uma cena no início do filme, por exemplo, o público se delicia com uma conversa informal entre Vincent e Jules sobre hambúrgueres – aliás, os mesmos criminosos que recitam versos bíblicos para executar seus devedores.

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Outra característica notável em Pulp Fiction é o humor negro. Tarantino faz uso dele para criar sequências arrebatadoras, tornando até mesmo atos odiosos em situações cômicas (suficiente para nos fazer amar seus personagens). Em uma das cenas mais surpreendentes, o carro dos criminosos é inundado por sangue e miolos após a arma de um deles acidentalmente disparar um tiro em um adolescente – algo que pega o espectador desprevenido de surpresa e se perguntando “mas… como?”. Também marca registrada de Tarantino, o bom uso da trilha sonora é frequente em Pulp Fiction. Seja nas sequências mais discretas, as músicas se encaixam de forma harmoniosa. Melhores exemplos são as duas cenas clássicas do longa: na primeira, Vincent e Mia dançando twist em um restaurante temático ao som de Chuck Berry; na segunda, nossa heroína (e talvez um dos melhores personagens femininos do cinema) tendo uma overdose após se deliciar ao som de Girl, You’ll Be a Woman Soon, de Urge Overkill.

No Festival de Cannes deste ano, Tarantino foi homenageado pelos 20 anos de Pulp Fiction – o diretor e o elenco estavam presentes, inclusive com a suspeita de um relacionamento entre Quentin e Uma Thurman. Também, no final de 2013, o longa foi listado entre os 25 filmes que serão preservados pela Biblioteca do Congresso Norte-Americano. A produção, que custou cerca de 8 milhões de dólares, alcançou mais de 200 milhões ao redor do mundo e deu um “up” considerável na carreira de seu elenco, formado por até então nomes desconhecidos (como Uma Thurman) e outros que enfrentavam certas dificuldades (Travolta e Willis, por exemplo) – o que também o torna, provavelmente, no melhor filme independente de todos os tempos. Um dos momentos mais impactantes dos anos 90 – e certamente uma das melhores produções dessa década –, Pulp Fiction continua gerando um número impar de citações (diretas ou indiretas), se tornando um fenômeno dentro das culturas pop e cinematográfica, assim como seu cineasta – praticamente um ídolo de nossa geração.

Afinal, “Artpop” é Digno de Aplausos?

Você pode até tentar ficar indiferente – mas é inegável que Lady Gaga é uma grande artista. Cá entre nós, em pouco mais de cinco anos, ela conseguiu o que muitas “divas” não alcançaram em décadas: ameaçar o posto de Madonna de “rainha do pop” – e, convenhamos, se Madonna não se cuidar, quem sabe… No sentido mais amplo da expressão, Gaga é uma artista completa – ainda que com várias deficiências – e acaba de entregar ao público o terceiro registro de sua carreira, o aguardado Artpop – que divide as opiniões e colocam em cheque toda a badalação em torno da cantora pop.

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Por que Artpop divide opiniões? Bom, os little monsters (como Gaga carinhosamente apelida seus fãs) consideram Artpop o álbum do ano – e uma das maiores realizações da cultura pop nos últimos tempos. A crítica, por sua vez, o classifica como um dos maiores fiascos da indústria fonográfica na  história. De fato, Artpop não é um trabalho totalmente inovador – chega a ser até mesmo “medíocre” (entendedores entenderão o que eu quero dizer com esse adjetivo – claramente, ele não vem como crítica). No entanto, mesmo os fãs mais afoitos deverão admitir que, apesar de toda sua propaganda artística, Artpop é um disco que tenta estar muito próximo à arte – mas essa aproximação só aparece no discurso. Na prática…


Para produzir e promover Artpop, Gaga escalou um time de peso. Entre os produtores, estão nomes como David Guetta (olha a farofa aí, gente!), will.i.am (pegada pop, hein?) e Rick Rubin – só para citar alguns. O artista norte-americano Jeff Koons é quem assina a capa do álbum – onde temos Gaga nua como uma nova Vênus, uma referência à tela clássica de Sandro Botticelli. A ideia por trás de tudo isso? Bom, Gaga pretende levar a arte à cultura pop, aproximar estes dois mundos que, apesar de parecerem próximos, são bem distintos. A pretensão de Gaga aqui é fazer com que o acesso à alta cultura seja mais simples – e, obviamente, nada melhor do que a música pop para fazer isso. No entanto, essa integração entre os dois universos ficou um tanto quanto superficial. Faltou alguma coisa – que você perceberá na primeira audição de Artpop.

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Não que Artpop seja ruim. Dizer isso a essa altura da carreira de um nome como Lady Gaga é, no mínimo, injustiça. Artpop é um álbum bom – se desconsiderarmos seu propósito, obviamente. Na verdade, estamos diante de um claro exemplo de como funciona a cena pop na atualidade: ao longo de 15 faixas, Gaga consegue produzir uma música de qualidade, deixando-a na frente de muitas de suas concorrentes. Aura, que abre o disco, lembra em muito a batida de Daft Punk e tem guitarras simulando o som de cítara – deliciosa. A pegada R&B do conjunto fica por conta das ótimas Sexxx Dreams e Do What U Want – esta última que conta com a participação de R. Kelly, formando um belo dueto.

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Venus, outra bela canção do álbum, vem recheada com um passado oitentista, explicitado pelo uso de sintetizadores. Dope, por sua vez, é a grande baladinha do disco, com seus acordes de  piano e uma bela interpretação vocal da cantora – música que talvez jamais imaginaríamos em um registro como este. Donatella (inspirada na estilista da Versace) tem uma ótima pegada urbana e também é uma grande surpresa do álbum. Menos inspiradora, no entanto, é a própria faixa título, que não chega a empolgar muito – ao menos, os ouvintes mais atentos e críticos.

Como produto final, Artpop é um álbum que mostra exatamente o que Lady Gaga é: uma artista que sabe ser artista. Vamos admitir: Gaga não é uma excelente cantora, não é ótima dançarina, não toca lá essas coisas nem compõe como uma poetisa. Mas como uma boa artista, ela pega tudo aquilo que sabe fazer satisfatoriamente bem e melhora para alcançar um status de “diva cool” que a galera descolada adora. Como muito de seus contemporâneos na música pop, Gaga sabe que imagem nesse mundo é tudo. Nesse propósito, Artpop é muito bom isoladamente, mas que se perde dentro dos rumos que pretende tomar e serve para mostrar que Gaga é uma grande home não apenas no palco – mas, principalmente, fora dele. Este é o grande mérito da cultura pop.

Lady Gaga X Madonna: Quem Vence Essa Parada?

O Brasil se tornou nos últimos tempos um celeiro que recebe grandes artistas internacionais. Muitos nomes de sucesso no exterior passaram por aqui e levaram os fãs à euforia – afinal, quando se tem a oportunidade de ver ao vivo aquele artista que você tanto ama, não há muito o que se pensar: é correr para bilheteria e garantir seu ingresso. Entretanto, 2012 está se encerrando com duas apresentações que tornam nossos palcos um interminável campo de batalha: Lady Gaga e Madonna se apresentam no país disputando um único prêmio – o posto definitivo de rainha do pop.

Madonna X Lady Gaga: quem leva a melhor?

A princípio, pode parecer um pouco de exagero. Mas não é. As duas artistas, que se apresentam nos palcos brasileiros praticamente no mesmo período (Gaga faz  hoje sua apresentação em São Paulo, enquanto Madonna passa por aqui em dezembro), são exemplos claros daqueles casos onde um artista não precisa fazer mais nada na sua carreira porque qualquer coisa que fizerem já vira sucesso. Ambas conquistaram um público tão fiel que há disputas até mesmo entre eles – os fãs da ainda considerada rainha do pop Madonna e os little monsters – como são chamados os fãs da excêntrica Lady Gaga. Mas nesse duelo, quem é que leva a melhor?

Gaga se apresenta no Brasil agora em novembro. Em passagem pelo Rio de Janeiro, como não poderia ser diferente se tratando de divas do pop, ela deu uma passada nas comunidades carentes e tirou foto com fãs. Isso é cultura pop #NOT

Se formos fazer uma análise de ambas as cantoras, será impossível não achar certas semelhanças entre elas. Inicialmente, é impossível não mencionarmos de cara o fator pop. Ambas são duas divas do universo pop, cada uma à sua maneira, mas semelhantes em certos aspectos. Entretanto, Madonna leva uma certa vantagem sobre Gaga: Madonna surgiu em uma época em que a música estava passando por uma transformação. Se hoje temos a música pop como está, devemos boa parte disso à Madonna. Jamais existiria uma Britney, uma Beyoncé, uma Aguilera ou mesmo uma Lady Gaga se  Madonna, na década de 80, não tivesse surgido e desafiado todos os tabus da época. Hoje, qualquer menininha com seus 20 e poucos anos tem total liberdade para aparecer seminua em videoclipes e fazer coreografias provocantes. O difícil era fazer isso na época em que Madonna surgiu – e isso a destacou.

Cartilha “Como Ser Uma Diva de Sucesso”, de Madonna: sim, essas aí em cima recomendam…

Não que Gaga não tenha seus méritos neste quesito. Ainda hoje, a Mamãe Monstro também se destaca dentre as cantoras do cenário pop atual. Gaga não é apenas uma menina que canta – ela leva sua marca à moda, artes plásticas e, dessa forma, se tornou um ícone dentro da própria cultura pop atual. Suas apresentações e performances são um espetáculo à parte além de sua música – assim como Madonna que, ainda hoje, consegue fazer espetáculos que, apenas visualmente, já valem cada centavo pago no ingresso.

Aliás, ainda falando do aspecto visual, Madonna tem uma ligeira vantagem sobre Gaga. De fato, com mais de 5o anos, Madonna é bonita. Lady Gaga, na casa dos 20, não é. Muitos fãs alucinados podem discordar, podem criticar, mas essa é uma verdade: Madonna é bonita, Lady Gaga não é. Ponto. Não há o que discutir. Madonna sabe como cuidar da imagem, é elegante, não força a barra em suas apresentações fora dos palcos, enquanto Gaga não foi agraciada com o dom da beleza – tem um corpo bonito até e sabe como mostra-lo, mas, definitivamente, não é um estereótipo de beleza. Além disso, a incansável busca de Gaga por ser polêmica e chamar a atenção faz com que ela realmente pareça um monstrinho em suas performances.

Então, melhor não falar nada, né…?

Quanto à música, Gaga tem uma pequena vantagem sobre Madonna: Gaga é dona de uma voz potente e forte, enquanto Madonna é apenas… Madonna. Não que Lady Gaga seja um exemplo de técnica vocal (até porque ao vivo ela comete algumas gafes), nem que Madonna cante como uma menina de 5 anos, mas Gaga tem um vocal muito mais forte que a rainha do pop – ou pelo menos o utiliza mais. Ainda que Madonna tenha uma carreira muito mais sólida, com muito mais álbuns do que Gaga, isso é perceptível até mesmo por aqueles que não curtem o universo pop.

Não que Madonna tenha grandes álbuns. Na verdade, ao longo de sua carreira, ela criou vários singles bons (ou ótimos), mas que não necessariamente estavam inseridos em um bom álbum. Mesmo em suas apresentações mais atuais, Madonna vem fazendo força para chamar atenção (mostra o corpo, faz declarações polêmicas, etc…). Ela sabe o que fazer para “chocar” as pessoas e utiliza isso para chamar os holofotes para si. Gaga ainda consegue ser um pouco pior: ela é reflexo de tudo aquilo que é o mercado fonográfico atual – seguindo a risca os conselhos da cartilha de Madonna “Como Ser Uma Diva Pop”. As comparações são inevitáveis – Gaga já foi até acusada de plágio e teve sorte de Madonna não prosseguir com o feito, pois Born This Way é descaradamente cópia de Express Yourself. Ou seja, se o público se esgotou de Madonna que é a primeira e original, qual será o futuro de Gaga?

A transformação visual de Lady Gaga para “Born This Way”.

É complicado dizer quem é melhor neste duelo de divas. Cada uma, a seu modo, tem qualidades que as definem e distinguem uma da outra. Madonna surgiu em uma época complicada; Gaga apareceu em uma época onde, graças à Internet, qualquer um pode se tornar um grande fenômeno. Madonna influenciou boa parte das artistas pop atuais; Gaga é apenas referência. Ambas são ativistas do movimento GLBT, fazem discos que vendem milhões e são idolatradas no mundo pop. Madonna, sexualmente falando, é erótica; Gaga é adepta do “ser diferente porque nasci assim”, muitas vezes alcançando o bizarro – como ela o é em diversos momentos.

Performance de Madonna para “Like a Virgin” – que se tornou histórica na cultura musical pop.

Se há uma única coisa em comum com elas que as definem é o fato de que são grandes artistas, performáticas, que influenciam milhões de pessoas (e, sinceramente, não sei até que ponto isto é bom). E, por esta razão, é difícil dizer de quem é posto de rainha do pop. Diva ambas são, mas rainha ainda é um posto que é de Madonna, inevitavelmente. Não apenas por sua história ou por sua influência, mas por toda a contribuição à cultura pop como um todo. Deixando claro que não sou fã de nenhuma das duas cantoras, o fato é que Gaga ainda tem um longo caminho para percorrer se quiser tirar o posto de Madonna – como muitos tentaram mas ninguém conseguiu tirar o posto de rei do pop de Michael Jackson.

Quem é rei nunca perde a majestade, certo?

Na dúvida, se tratando de música pop, entre as duas eu prefiro… Gwen Stefani, que é linda, loira, não recorre tanto ao corpo para chamar a atenção, é elegante, tem vocais suficientes e uma barriga impecável (risos). Mas, claro, isto é apenas uma opinião pessoal – até mesmo porque Gwen abandonou sua carreira solo para voltar ao No Doubt, fazendo a maior burrada de sua vida, mas isto é assunto para outro post. No duelo Madonna versus Lady Gaga, deixemos a briga entre elas e entre os fãs, que perdem seu tempo discutindo nas redes sociais quem é a melhor. Ou, se tratando delas, a menos pior…

Não é rainha, mas tem todos os requisitos… Ah Gwen…

ENQUANTO ISSO, NA INTERNET…

… Lady Gaga é piada! Os ingressos das apresentações da cantora empacaram e não tiveram a vendagem esperada. Os organizadores do evento tiveram que buscar outras alternativas para lotar os espetáculos (coisas do tipo “compre 1 leve 3” e derivados). Madonna parece seguir no mesmo caminho: a menos de um mês para seus shows, ainda há ingressos disponíveis para praticamente todos os setores. Os organizadores do evento ainda alimentam a esperança de que as coisas melhores nos dias mais próximos às apresentações. Será?

Ao que tudo indica, o brasileiro acordou e percebeu que nem todo show internacional realmente vale a pena. A quantidade de shows no país é tão grande que o público não consegue acompanhar – ou melhor, pagar pelo ingresso, na verdade. Muitos shows com datas próximas e os altos preços dos ingressos acabam afugentando os fãs, que muitas vezes são obrigados a escolher entre um ou outro. Exemplos recentes são as bandas Linkin Park e Evanescence, que vieram ao país nos últimos dois meses e foram fiascos de público. E ainda se apresentaram na mesma data, veja você…

Dividindo as atenções com Evanescence, o Linkin Park não conseguiu levar uma multidão ao seu show em São Paulo.

Já que o país é uma rota praticamente obrigatória para as turnês mundiais, já está mais do que na hora dos produtores colocarem os pés no chão e cobrar o preço devido pelos ingressos – e não os exorbitantes valores que são cobrados atualmente. Apesar do público amar seus artistas, não é todo mundo que pode pagar 200, 300 reais em um ingresso para ver uma apresentação de, muitas vezes, cerca de 1 hora e pouco – ou até menos. Se isso não acontecer, o brasileiro não terá outra alternativa a não ser esta: boicotar e esperar os preços caírem. É a resposta mais digna.

Teenage Dream: o Álbum Pop dos Sonhos

Katy Perry, a guria que beijou uma garota e gostou em seu primeiro álbum, lançou em 2010 o disco Teenage Dream, um dos álbuns mais vendidos daquele ano e que despontou nas paradas de sucesso em todo mundo. Agora, após 2 anos do lançamento original, Teenage Dream é relançado em uma versão de luxo, intitulada Teenage Dream: The Complete Confection. Tentativa de vender mais cópias aos fãs alucinados da cantora? Talvez. Afinal, Teenage Dream desde sua concepção é uma máquina projetada para fazer hits – e cumpriu muito bem este papel.

A nova capa para o relançamento de “Teenage Dream”. Agora, tudo está completo – ou não…

Das 12 canções do lançamento original, 6 viraram músicas de trabalho (California GurlsTeenage Dream, Firework, E.T., Last Friday Night e The One That Got Away). Entretanto, qualquer uma das faixas deste trabalho tem potencial e cara de single. O melhor exemplo é Peacock, um verdadeiro “hino” da cultura GLS indie-pop, que ganhou diversas paródias e, de longe, é uma das mais divertidas do álbum. Exatamente por essa razão, há quem considere Teenage Dream um típico disco pop comercial, recheados de hits que facilmente ficam na cabeça. Mas não é o caso. Teenage Dream é infinitamente mais.

Depois do sucesso de seu primeiro registro, One of The Boys, muita gente duvidava de Katy. Houve quem acreditasse que ela seria um sucesso passageiro e não passaria pela conhecida maldição do segundo disco. Mas Teenage Dream conseguiu superar todas as expectativas e frustrar os críticos de plantão. O álbum por si só reflete todo o amadurecimento de uma garota que deu voltas e mais voltas para se tornar a diva pop de hoje. Para se ter idéia, você imagina que a garota que quer ver o que o cara esconde embaixo da cueca é filha de pastores e chegou a gravar um CD gospel?

Há vários fatores que contribuem para que Teenage Dream seja um álbum infinitamente melhor que o de muitas divas pop atuais. Para começar, as letras são deliciosamente divertidas – mas nunca “fúteis”. Elas alternam entre períodos agitados e safados (como na irreverente Peacock) e lentos e românticos (como em Not Like The Movies), e contam divertidas situações que envolvem os sonhos de qualquer garota comum.

Em relação à musicalidade, Teenage Dream é agitado e dançante, mas mantém um ar meio retrô devido, sobretudo, à utilização de sintetizadores. E, como já mencionado, cada faixa por si poderia render um texto a parte. A única falha aqui é que até a oitava canção o álbum beira a perfeição – enquanto a partir daí, o disco entra em um marasmo e chega a ser deveras cansativo. Não que as faixas sejam ruins – só estão mal inseridas. Há quem, inclusive, considere Teenage Dream dois álbuns em um: o primeiro primoroso e o segundo tediante (a partir de E.T. que me lembra vagamente uma música daquela dupla T.A.T.U., não sei explica bem…).

Entretanto, o que mais contribui para fazer de Teenage Dream um dos melhores registros pop de todos os tempos é a própria Katy Perry. Diferente da maioria das cantoras famosas como Britney, Ke$ha, Hillary Duff e muitas outras, Katy é dona de uma voz deliciosa (apesar de ser fraquinha ao vivo) e um sex-appeal invejável. Teenage Dream é, desta forma, tão doce e sensual quanto a imagem de Katy nua sobre as nuvens de algodão da capa do disco.

Não, eu não vou comentar mais nada…


Teenage Dream
é uma verdadeira sinfonia pop. A versão de luxo ainda inclui alguns remixes dos principais hits e a exclusiva Part of Me, mais um single que também é um presente para os fãs. Teenage Dream tem grandes méritos dentro daquilo para o qual foi concebido: divertir. É assim como a maioria dos discos pop: música para o corpo, não uma infinidade de interpretações típica de grandes pensadores. Bom, quer dizer, até você, marmanjo, pode pensar em muitas coisas ao ver a capa ou as fotos do encarte, né? Okay, parei… Definitivamente, Teenage Dream é o álbum dos sonhos de muita cantora por aí…