“Jogos Vorazes: A Esperança – O Final” Encerra Saga Mas Sem Grandiosidade

Deixemos claro desde o início: acreditar que Jogos Vorazes é uma simples franquia teen é um erro grotesco. Apesar dos jovens protagonistas, todo o universo da série girava em torno de temas complexos – os dramas adolescentes só serviam de alegoria para uma narrativa passada num futuro pós-apocalíptico e que inseria assuntos necessários, como política, manipulação da mídia, desigualdade social e, principalmente, revoluções. Logo, confesso de cara que chega a ser um absurdo comparar Jogos Vorazes com outros títulos aparentemente do mesmo gênero. E Jogos Vorazes: A Esperança – O Final encerra a saga da heroína Katniss com propriedade, ainda que não seja tão grandioso quanto merecia.

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A história é assumida exatamente de onde acabou o filme anterior – aliás, quando soube que o desfecho seria dividido em dois longas, optei por não falar do primeiro e tentar tratar tudo como uma única obra. Mas não sei se é uma boa idéia, afinal se for assim, lá vai: esse segundo filme é inteiramente dispensável. Já sabemos, obviamente, que se trata de uma estratégia “fácil” para estender a franquia por uns trocados a mais – mas qualquer pessoa em sã consciência, mesmo um fã inveterado, deve admitir que todo o terceiro livro em que foi baseado poderia muito bem ter sido resumido em uma única fita. Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 já apresentava sinais de cansaço: deveras arrastado, de longe foi o mais fraco de todos. O Final supera Parte 1, é verdade; mas a sensação de “isso aí só foi criado para me fazer ir até o cinema” permanece durante toda a projeção.

Com pouco mais de duas horas de duração, O Final acompanha a tentativa dos rebeldes em invadir a Capital e tomar o poder – “liderados” por Katniss, que parte na mesma jornada com o intuito de assassinar o Presidente Snow. Mas é claro que tudo não passa de um jogo – e a personagem que deveria ser uma heroína se torna um mero fantoche nas mãos dos poderosos. Katniss jamais assume uma posição firme diante da revolução que está ao seu redor (e que ela mesma teria inflamado, diga-se de passagem). Assim, sua personagem enfraquece, perdendo-se em uma sede de vingança que, mais tarde, acaba por sucumbir. Em outras palavras: o grande nome de todo aquele movimento entra muda e sai calada, de forma totalmente contraditória com a expectativa que tínhamos pelos trailers e pôsteres promocionais. Faltou coragem, ousadia e atitude por parte de nossa protagonista.

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No entanto, esta “falha” no desenvolvimento de Katniss não impede que Jennifer Lawrence chame a atenção, roubando o filme para si. Sou meio relutante com relação à atriz, mas sim, ela faz um bom trabalho – ganhando, merecidamente, todo o status que possui. Josh Hutcherson tem bons momentos também – uma pena seu personagem não colaborar muito, sendo um simples antagonista sem brilho perto de Kat. Liam Hemsworth, por sua vez, ainda bem que tem um rosto bonito: fraco até doer na alma (me perdoem as fãs, mas não tem como defendê-lo). Dos coadjuvantes, Woody Harrelson faz rir com seu tipo cheio de carisma e ironia, enquanto a oscarizada Julianne Moore empresta bastante sobriedade para Alma Coin.

Jogos Vorazes: A Esperança – O Final, no geral, apresenta um ritmo particularmente lento em sua primeira metade, ganhando mais agilidade a partir daí, com boas cenas de ação e certo suspense. No entanto, a edição do filme incomoda em alguns instantes, dando a impressão de que a história está sendo contada às pressas e alguma coisa ficou faltando. É notório que o longa sofreu com a divisão do livro em duas sequências; tudo ali poderia ter sido resumido de forma mais satisfatória (não fosse a ganância dos estúdios, mas enfim…). Para além disso, o desfecho é piegas, nem um centímetro à altura da saga – digno de Crepúsculo, aliás. No entanto, encerra bem este universo. Poderia ter sido maior, mas está compatível com o que foi apresentado no filme anterior, superando-o como um produto de “entretenimento”. E apenas isso: Jogos Vorazes, apesar de tudo, é ainda um puro entretenimento adolescente que, infelizmente, perdeu suas forças ao longo do caminho, desperdiçando a chance de amadurecer e tornar-se uma excelente experiência cinematográfica.

O Que Esperar do Cinema em 2014

Ano novo, vida nova! 2014 está chegando com muitas promessas!

O ano de 2013 foi muito bom. O blog está crescendo – e com ele, eu vou crescendo junto. Hoje, alem de escrever aqui para vocês, eu também escrevo para mais dois sites – que me recepcionaram de forma acolhedora e tornam minha tarefa de escrever muito mais prazerosa. Agradeço muito a essas equipes, assim como a todos vocês que acompanham meus textos e me incentivam a continuar produzindo um conteúdo legal. E em 2014 não vai ser diferente. Mas vamos ao que interessa? Vamos falar de cinema!

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Primeira postagem do ano não poderia ser outra: vamos falar hoje sobre os filmes que vão estrear por aqui em 2014. Quais são os grandes nomes, as grandes promessas, as maiores apostas deste ano que se inicia? Selecionei abaixo algumas produções que já estão deixando a nós, cinéfilos, ansiosos e, de alguma forma, também esperançosos quanto a 2014, que certamente será um ano promissor para o cinema.

Ninfomaníaca (previsão: 10/01/2014)
Um dos trabalhos mais polêmicos do diretor Lars Von Trier (se é que isso é possível) chega agora no começo do ano aos cinemas nacionais. Trata-se de um drama erótico que gira em torno de Joe, uma mulher de 50 anos que relata sua história pessoal recheada de episódios picantes. Na internet, a divulgação não-oficial do filme tem dado (uiii) o que falar…

Ela (previsão: 17/01/2014)
Com um elenco que traz Joaquim Phoenix e Scarlett Johansson, Ela apresenta a história de um escritor solitário que desenvolve uma estranha relação com um novo sistema operacional, desenvolvido especialmente para atender suas necessidades.

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O Lobo de Wall Street (previsão: 24/01/2014)
Nova parceria entre Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio, O Lobo de Wall Street vem sendo bem elogiado nos EUA, apesar de não estar muito bem nas bilheterias. O filme é adaptado do livro de Jordan Belfort, um corretor de títulos da bolsa norte-americana que entrou em decadência na década de 90.

Robocop (previsão: 31/01/2014)
Com um elenco estelar (Michael Keaton, Gary Oldman, Samuel L. Jackson, entre outros) e dirigido pelo brasileiro José Padilha, o filme se passa em 2028 – ano em que a tecnologia robótica está em sólido avanço e uma das empresas que dominam o mercado decide usar essa tecnologia para conter a onda de crimes.

Uma Aventura Lego (previsão: 07/02/2014)
Olha, se você passou sua infância brincando com as parafernalhas de Lego, você entende a ansiedade da galera por este filme – que, ao que tudo indica, parecer ser um tipo inovador de animação, já que tudo ali parece ser feito do próprio brinquedo. Sobre a história, basta dizer que vai seguir o personagem Emmet, que é recrutado para uma jornada épica para derrotar um tirano – coisa que Emmet não aparenta estar preparado.

Kill Your Darlings (previsão: 14/02/2014)
Talvez por conta da provável temática gay do longa, Kill Your Darlings é um dos filmes mais aguardados no meio indie. A trama mostra como um assassinato no ano de 1944 une três grandes nomes da geração beat, Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughts.

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Walt nos Bastidores de Mary Poppins (previsão: 14/02/2014)
Eu confesso que espero há muito tempo  uma biografia de Walt Disney – e até me empolguei um pouco com Saving Mr. Banks (título original e muito melhor, para variar…) do longa que conta a história dos bastidores de um dos maiores sucessos Disney de todos os tempos.

300: A Ascensão de um Império (previsão: 07/03/2014)
Na continuação do elogiado 300, Rodrigo Santoro retorna como Xerxes, da força persa, em uma batalha contra um grupo de guerreiros gregos liderados por Themistocles (Sullivan Stapleton). Ao lado de Xerxes, temos Artemesia – Eva Green (motivo maior para assistir ao filme, cá entre nós…).

Noé (previsão: 28/03/2014)
Depois do ótimo Cisne Negro, Darren Aronofsky traz sua visão sobre a clássica história bíblica de Noé. Com um belo visual e um elenco de peso (Russel Crowe, Anthony Hopkins, Emma Watson, Logan Lerman entre outros), o filme é uma releitura da passagem bíblica sobre a destruição do mundo com água.

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Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (previsão: 28/03/2014)
Baseado no elogiadíssimo curta Eu Não Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro (que retorna na direção), Hoje Eu Quero Voltar Sozinho conta como Leonardo, um adolescente deficiente visual, busca sua independência, enquanto descobre mais acerca de sua sexualidade ao se apaixonar por um colega do colégio.

Transcendence (previsão: 18/04/2013)
O diretor de fotografia e braço direito de Christopher Nolan em seus filmes estréia na direção desta ficção científica que traz Johnny Depp de volta às telas de cinema (em um personagem aparentemente normal, graças a Deus!). Na trama, dois cientistas de computação trabalham para atingir a singularidade tecnológica, enquanto uma organização anti-tecnologia tenta os impedir de criar um mundo onde as máquinas podem transcender as capacidades cerebrais humanas.

O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro (previsão: 01/05/2014)
Se estrear junto da sequencia de Os Vingadores, a disputa promete (apesar de estar fadado ao fracasso, já que estamos falando de “Os Vingadores mimimi”). Andrew Garfield retorna na pele de Peter Parker, que tenta manter a promessa feita ao pai de Gwen Stacey no final do filme anterior.

Godzilla (previsão: 16/05/2014)
Aaron Taylor-Johnson parece ter caído nas graças de Hollywood, pois alem de estar na segunda parte de Os Vingadores, ele também estréia a refilmagem do clássico Godzilla, que será dirigido por Gareth Edward. Apostando alto em efeitos especiais para criar um visual aterrorizante, o diretor já deu uma amostra que vem por aí no excelente clipe liberado há algumas semanas.

Malévola (previsão: 02/07/2014)
A divulgação tem sido grande e muito se espera desta releitura do clássico A Bela Adormecida – só que aqui, a história é contada sob a perspectiva de Malévola, a vilã da trama. Ah, caso você seja um alienado e não saiba, a vilã, no caso, é Angelina Jolie. Dê uma conferida no visual e me conta depois…

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Sin City: A Dama Fatal (previsão: 22/08/2014)
Há exatamente 1 ano atrás, Sin City: A Dama Fatal entrava na minha lista de filmes mais esperados de 2013. O projeto foi adiado e, ao que tudo indica, sai ainda este ano (pelo amor de Deus, Robert Rodriguez, se vira!). A dama fatal, do título, é Eva Green (já me matou, sério…) e a sequencia é baseada nos quadrinhos de Frank Miller.

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Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 (previsão: 21/11/2014)
Em uma clara tentativa de faturar muita grana, Jogos Vorazes: A Esperança será dividido (aparentemente de forma desnecessária) em duas partes. A primeira estréia por aqui apenas em dezembro – e após o sucesso de Jogos Vorazes: Em Chamas, os fãs da franquia estão animados com o desfecho da história de Katniss e os demais moradores de Panem. Ah, Julianne Moore está confirmada no longa.

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O Hobbit: Lá e de Volta Outra Vez (previsão: 17/12/2014)
O segundo filme da franquia O Hobbit terminou deixando o coração de muita gente saindo pela boca nas salas de cinema. Bom, isso deixa claro a ansiedade dos fãs da saga pelo desfecho (provavelmente épico) da história de J.R.R. Tolkien, prevista para dezembro.

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Into The Woods (previsão: 25/12/2014)
Que seja antecipado! Afinal, reunir Meryl Streep e Johnny Depp em um musical escrito pelo mesmo autor de Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet e dirigido por Rob Marshall (de Chicago) é querer matar meio mundo do coração! Vários personagens clássicos dos contos infantis estão presentes nessa fábula musical com previsão apenas para o fim do ano…

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Retrospectiva 2013 – Parte 2: O Que Passou de Melhor Por Aqui

Já comentei que 2013 não foi um ano totalmente excelente para o cinema. Muita gente boa acabou pisando feio na bola e produzindo filmes de qualidade “duvidosa”. No entanto, obviamente teve coisa boa que estreou nos nossos cinemas e deixaram os cinéfilos muito mais felizes.

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Como já postei minha tradicional lista com os piores filmes do ano, chegou a hora de eleger os melhores longas de 2013. A escolha envolveu produções que foram sucesso de crítica e público – e também reflete um pouco minhas preferências pessoais, obviamente. Confira abaixo a lista dos filmes mais badalados, estilizados, bem produzidos e elogiados do ano – e por que não dizer os mais queridos?

DENTRO DE CASA (Dans la Maison, François Ozon)
Em 2013, François Ozon produziu Jovem e Bela, que dividiu a crítica. Mas é unanimidade que seu Dentro de Casa (de 2012, mas que só chegou aqui este ano) é um filme deliciosamente irresistível. O longa francês conta a história de um professor que descobre o talento literário de seu aluno e, aos poucos, fica cada vez mais obcecado pelos textos perturbadores que o rapaz escreve.

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RUSH – NO LIMITE DA EMOÇÃO (Rush, Ron Howard)
O filme aborda os bastidores do mundo glamouroso da Fórmula 1 (especialmente em sua época de ouro), e acompanha a vida dentro e fora das pistas de dois grandes rivais, que se esforçam para atingir o máximo de seus potenciais. O longa de Ron Howard foi amplamente elogiado pela crítica e é uma das maiores apostas para a premiação do Oscar no próximo ano.

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AMOR (Amour, Michael Haneke)
Ah, Haneke, como não te amar? Estrelado por dois dos maiores ícones do cinema francês em todos os tempos (Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant), Amor trata a relação de um casal de idosos à medida que a morte se aproxima. Vale lembrar que o longa foi indicado ao Oscar de melhor filme – mas acabou levando apenas melhor filme em língua estrangeira. Totalmente merecido.

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TATUAGEM (Tatuagem, Hilton Lacerda)
O filme brasileiro se passa na Recife do final da década de 70, durante a ditadura militar no país, e mostra a paixão entre um artista libertário e um jovem soldado. Junto com O Som ao RedorTatuagem foi um dos filmes nacionais mais elogiados do ano.

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DJANGO LIVRE (Django Unchained, Quentin Tarantino)
Não dá para deixar Django Livre de fora, mesmo se você quiser. O longa escrito e dirigido por Tarantino arrebatou boas críticas, contando a história de um escravo negro que, ao lado de um caçador de recompensas, parte em uma jornada em busca de sua esposa vendida a um inescrupuloso fazendeiro. Um banho de sangue visual, Django Livre ganhou o Oscar de melhor roteiro original e, de quebra, rendeu a Christoph Waltz o segundo prêmio de sua carreira.

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JOGOS VORAZES: EM CHAMAS (The Hunger Games: Catching Fire, Francis Lawrence)
A segunda parte da franquia Jogos Vorazes conseguiu a proeza de ser ainda melhor que a primeira (trocando o sangue e a pancadaria por uma profunda análise política sobre o poder). Além de uma técnica impecável, Jogos Vorazes: Em Chamas é um filme inteligente que distancia a saga cada dia mais do rótulo (errôneo) de “franquia adolescente”.

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GRAVIDADE (Gravity, Alfonso Cuarón)
O mexicano Alfonso Cuarón (que dirigiu um filme da série Harry Potter) produziu o visualmente impecável Gravidade – uma fábula contemporânea sobre a sobrevivência do homem, que se passa em uma missão espacial – quando um desastre ocorre e deixa a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock) à deriva no meio da vastidão e do silêncio do espaço.

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FRANCES HA (Frances Ha, Noah Baumbach)
Provavelmente, o filme mais “cult” do ano. Com toda sua aura de produção independente, Frances Ha aposta em sua protagonista (a brilhante Greta Gerwig) para recriar uma parábola moderna sobre a juventude atual, com todos os seus anseios, desejos, medos e incertezas.

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A CAÇA (The Hunt, Thomas Vinterberg)
A crítica considerou A Caça, do dinamarquês Thomas Vinterberg, como o melhor filme de 2013. No longa, Lucas é um homem que aos poucos está recomeçando sua vida – novo emprego, nova namorada, planos com o filho – quando é acusado de abusar de uma criança de cinco anos na creche em que trabalha, despertando o ódio na comunidade em que vive.

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AZUL É A COR MAIS QUENTE (La Vie D’Adèle, Abdellatif Kechiche)
Sem sombra de dúvidas, Azul é a Cor Mais Quente é o filme mais comentado do ano. No longa, acompanhamos a história de uma garota de quinze anos que descobre a sua primeira paixão na vida por outra mulher.

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“Jogos Vorazes: Em Chamas”: A Chama Que Não se Apagou

Cinema lotado. Alvoroço antes da sessão. Casais de adolescentes por todos os lados, ocupando todas as poltronas da sala. Muita falação e excitação… Bem, poderia estar falando da estréia de algum filme de uma série teen qualquer – do tipo Crepúsculo, talvez. E, na verdade, é particularmente isso: em pleno feriado no país, eis que chega às telas de nossos cinemas a segunda parte da adaptação cinematográfica da trilogia criada por Suzanne CollinsJogos Vorazes: Em Chamas – confirmando que, ao que tudo indica, essa saga veio para ficar.

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São inevitáveis as comparações entre Jogos Vorazes e outras franquias adolescentes. Peguemos, no caso, a saga de Stephenie MeyerCrepúsculo. Ambas tem uma protagonista feminina meio perdida no mundo ou personagens masculinos bonitos (mesmo que Josh Hutcherson tenha pouco mais de 1 metro e meio…). Tornaram também seus atores em celebridades instantâneas (no caso de Crepúsculo, os insossos Kristen Stewart e Robert Pattinson; Jogos Vorazes com Jennifer Lawrence). Ambas tem uma trama romântica na veia (Crepúsculo, por sua vez, leva isso ao extremo) e também uma carga de ação e aventura. Mas o que torna Jogos Vorazes uma obra infinitamente superior a Crepúsculo ou outros sucessos adolescentes de nossa geração?

Convenhamos: há muita babação em torno de Jogos Vorazes. E tem muita gente que critica isso – eu, particularmente, não entendo tanta badalação em torno deste universo e, principalmente, de Lawrence, a grande estrela da saga. Mas, assumo que, se é para “pagar pau”, o façamos por algo que mereça. E Jogos Vorazes consegue fazer por merecer. A série é intensa, repleta de ação (ainda que não explícita), tem um bom roteiro e não é apenas uma “história”. Ainda que a maior parte dos fãs vá aos cinemas para assistir o espetáculo visual que o filme promove e os belos rostos de seus protagonistas, é fato inegável que Jogos Vorazes proporciona uma análise bem mais profunda do que a questão das franquias adolescentes.

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Jogos Vorazes: Em Chamas retoma a história um ano depois dos acontecimentos do primeiro longa, quando Katniss e Peeta (respectivamente, Jennifer Lawrence e Josh Hutcherson) vencem os 74º Jogos Vorazes do título (quer entender melhor? Sugiro a leitura do artigo que fiz para o filme e que você pode conferir aqui). A trama segue o casal em sua “turnê da vitória” – uma espécie de promoção para os próximos jogos – , quando devem fingir estar apaixonados como uma forma de propaganda da Capital. No entanto, uma revolução se espalha por Panem – em parte causada pela protagonista Katniss, que despertou um sentimento de luta e esperança no povo que há muito havia se perdido. Para tentar amenizar a situação e demonstrar o poder da Capital, o presidente Snow (Donald Sutherland) decide enviar nossos heróis e outros vencedores de edições anteriores dos jogos para competir entre si e “comemorar” o 3º Massacre Quaternário.

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É neste momento que Jogos Vorazes ganha forças e se distancia de outras produtos adolescentes (se é que um dia se aproximou deles…). Nesse segundo capítulo, a franquia se torna mais intensa e encorpada, trocando o sangue e a ação por maior crítica e fidelidade ao texto que o originou. O foco é voltado para os conflitos dos distritos, as lutas entre o povo e a Capital e a chama da revolução que está se acendendo em Panem. Exatamente por isso, mesmo que com um número menor de sequências de ação, o filme ainda é capaz de tirar o fôlego e fazer você torcer por suas personagens (aliás, há novos personagens que, provavelmente, devem ganhar maior espaço nos próximos capítulos, como Finnick e Johanna, respectivamente Sam Claflin e Jena Malone). Muito mais fiel ao livro de Collins, Jogos Vorazes: Em Chamas troca a pancadaria e a violência física da primeira parte por um tom político muito mais evidente e elaborado. Apenas nos últimos 30 minutos de projeção (das quase duas horas e meia) é que ocorre ação física para valer – e, ironicamente, é quando o filme perde mais sua beleza. E é aí que muitos colocam em cheque a direção de Francis Lawrence (que substituiu Gary Ross, diretor do primeiro filme): fica-se a dúvida se ele quis maneirar na ação e injetar um teor político, sendo mais fiel à obra, ou se ele realmente é um cineasta medíocre para cenas de ação.

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Com elementos técnicos primorosos (aliás, o orçamento quase dobrou em relação ao primeiro episódio), parece que toda a grana foi gasta na última parte da película (tem névoa venenosa, babuínos assassinos e ondas gigantescas…) – justamente quando o filme perde um pouco de seu carisma, apesar de encher os olhos dos espectadores. Com boas locações e cenários, assim como na primeira parte da franquia, a maquiagem e o figurino também se destacam – ainda que sem muito alarde. Outro bom ponto a ser considerado é a trilha sonora – ótima em sua plenitude e bem condizente com as cenas, caindo como uma luva à trama. Quanto às atuações, não queria dizer, mas o filme é da oscarizada Lawrence, muito mais conturbada e aflita do que antes. É visível o enorme abismo entre ela e alguns demais atores, como Sam Claflin e Josh Hutcherson (que, apesar de carismático, precisa crescer em cena – ou seria generosidade demais do ator?). Por sorte, Lawrence aparece mais em cena com outros bons atores, como Donald Sutherland, Woody Harrelson (como o cômico Haymitch) e Philip Seymour Hoffman (que, na pele do diretor do espetáculo, Plutarch Heavensbee, é a grande entrada no elenco e o gancho para a continuação do próximo filme).

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Boa parte do que realmente Jogos Vorazes pode passar ao público tende a ficar desapercebida, lamentavelmente, pela grande massa. No cinema, foi possível ouvir alguns suspiros de adolescentes ao verem os garotos na tela sem camisa ou um grito de “vadia” quando Katniss beijou Peeta logo no início do filme. Jogos Vorazes, distanciando a anos-luz das franquias adolescentes dos últimos anos, é uma saga que critica o abuso de poder das autoridades, assim como os deveres do Estado para a população e também a indústria midiática atual – que nos entope com suas propagandas agressivas e suas maquinações. Apesar de não ter um desfecho direto como o primeiro longa (afinal, Em Chamas é justamente o intermediário), Jogos Vorazes: Em Chamas consegue ser muito mais do que “o filme do meio”; é um promissor criador de debates e análises sobre o poder. É um filme que ganha ímpeto para o 3º episódio (que será dividido em 2 partes), mas proporciona, sobretudo, uma reflexão sobre alguns temas importantes da nossa geração. Isso é, se nossa geração quiser ainda refletir sobre alguma coisa…

O Que Esperar do Cinema em 2013

Pois é, 2012 realmente chegou ao fim. Já saudamos 2013 e torcemos por grandes conquistas neste ano que se inicia hoje. Imprescindível agradecer a todos vocês que tem acompanhado este blog e tornado a minha tarefa de escrever muito mais agradável. Espero realmente que 2013 seja um ano de muitas realizações para todos nós. E seria importante também estrear o ano com um layout novo, certo? (espero que tenham gostado, okay?)

E para começar bem o ano, que tal já iniciarmos falando sobre cinema? Sim ou com certeza? Pois é, os cinéfilos mais excêntricos alegaram que 2012, apesar de muitas produções, não foi um dos melhores anos para a indústria cinematográfica. De fato, não tivemos grandes clássicos neste ano que passou. Entretanto, temos esperança de que 2013 seja realmente melhor. Bom, pelo menos a julgar pela lista abaixo, que contempla alguns dos filmes a serem lançados durante os próximos 12 meses, temos bons motivos para acreditar que 2013 vai ser um ano bem feliz para nós, cinéfilos, certo? Confira aí algumas das estreias previstas para este ano que inicia e marque na sua agenda.

Django Livre (previsão: 18/01/13)
Se você, como eu, já está contando os dias para a estréia do próximo filme de Quentin Tarantino, vai uma boa notícia: já está chegando o grande dia! Django Livre é a segunda parte de uma trilogia que, segundo Tarantino, teria se iniciado com Bastardos Inglórios, filme que definitivamente o elevou ao status de grande diretor. No elenco, estão Jamie Foxx, Leonardo DiCaprio, Christoph Waltz entre outros.

 

Hitchcock (previsão: 08/02/2013)
Pense em trazer para o cinema a trajetória de um dos maiores diretores de todos os tempos durante a produção de um de seus maiores sucessos. Hitchcock traz no elenco os vencedores do Oscar Anthony Hopkins (irreconhecível no papel de Alfred) e Helen Mirren, além de Scarlett Johansson como Janet Leigh, a atriz da famosa cena do chuveiro de Psicose.

 

Oz – Mágico e Poderoso (previsão: 08/03/2013)
A Disney, aproveitando o sucesso de Alice no País das Maravilhas, selecionou os mesmos produtores do longa de Tim Burton, chamou o diretor Sam Raimi (da trilogia Homem-Aranha) e deu seu toque particular à história de O Mágico de Oz. Daí surgiu Oz – Mágico e Poderoso, que conta a trajetória de Oscar Diggs (o próprio, interpretado por James Franco) antes dos acontecimentos do clássico filme de Victor Fleming, quando o mágico é arrastado para a Terra de Oz.

 

Carrie, A Estranha (previsão: 15/03/2013)
Nova versão do clássico filme de terror de 1976, dirigido por Brian de Palma e baseado na obra do mestre Stephen King, dessa vez é Chloe Moretz quem trará vida à personagem título. Julianne Moore também está no elenco, no papel de Margaret White, a mãe religiosamente fanática de Carrie. Muita publicidade e muitas imagens giram em torno deste que promete ser um dos remakes mais aguardados de 2013.

 

O Grande Gatsby (previsão: 14/06/2013)
Com um elenco elogiado (tem Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire e Carey Mulligan),  O Grande Gatsby já teve sua estréia adiada por diversas vezes, mas parece que agora está certo para junho. O filme vai contar a história de um jovem fascinado pelo mundo de seu rico vizinho Jay Gatsby e aos poucos começa a fazer parte de seu círculo social.

 

Universidade Monstros (previsão: 21/06/2013)
A Pixar parece ter se rendido completamente à Disney e, mesmo após o fiasco Carros 2, deciciu lançar uma continuação para outro sucesso da empresa, Monstros S.A. (que será relançado este ano em 3D – sim, uma tentativa explícita de faturar muita grana).

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O Cavaleiro Solitário
(previsão: 12/07/2013)
Fãs de Johnny Depp, não se desesperem: o ator irá aparecer nas telonas este ano! Para variar, Johnny fará mais um personagem caricato e fantasiado em O Cavaleiro Solitário, filme que conta ainda com Armie Hammer e Helena Bonham Carter. Nota: apesar de ter Depp e Helena, o filme não é dirigido por Tim Burton e, sim, por Gore Verbinski (de Piratas do Caribe).

 

Jurassik Park 3D (previsão: 30/08/2013)
E se Hollywood não quer perder tempo criando coisas originais, nada melhor do que tentar faturar um pouco mais a custas de grandes sucessos. Sim, Jurassik Park, sucesso do diretor Steven Spielberg de 1993, será relançado em versão 3D. Prepare-se para aturar 2 horas de filmes para ver apenas cerca de 15 minutos de dinossauros na telona (pelo menos agora em terceira dimensão).

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Kick-Ass 2
(previsão: 13/09/2013)
Os nerds e geeks pirando em 3, 2, 1… Após o estrondoso sucesso da versão cinematográfica dos personagens de Mark Millar e John Romita Jr., Aaron Johnson retorna às telonas no papel de Dave Lizewski, o jovem estudante apaixonado por quadrinhos que decide virar super-herói, apesar de não ter a menor condição para isso. A história de Kick-Ass 2 trará o roteiro baseado na segunda edição de Kick-Ass e nos quadrinhos de Hit-Girl (dica: vale a pena conferir os quadrinhos, mesmo se você não for um amante dessa arte).

kickass
Sin City 2: A Dama Fatal
(previsão: 20/09/2013)
Com o sucesso de Sin City – A Cidade do Pecado (filme que revolucionou ao levar uma HQ ao cinema com tamanha fidelidade), Robert Rodriguez (de Um Drink no Inferno) traz agora a continuação baseada na graphic novel A Dama Fatal (“A Dame to Kill For), segundo livro da linha criado pelo quadrinista Frank Miller, que também assinou a direção ao lado de Rodriguez e Tarantino na primeira sequencia.

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Jogos Vorazes – Em Chamas
(previsão: 22/11/2013)
Febre mundial baseada no best-seller de Suzanne Collins, a franquia Jogos Vorazes retorna em 2013 com sua segunda parte, Em Chamas. Apesar do diretor do primeiro longa, Gary Ross, não ser escalado para essa continuação (agora, quem assina a direção é Francis Lawrence, de ConstantineÁgua Para Elefantes), as expectativas em torno do filme são grandes.

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O Hobbit: A Desolação de Smaug
(previsão: 20/12/2013)
Nerds, geeks, pseudo-intelectuais e afins estão ansiosos para a continuação da sequencia Hobbit, dirigida por Peter Jackson (da série O Senhor dos Anéis). A saga, baseada na obra de J.R.R. Tolkien, criou uma legião de fãs ao redor do mundo e aposta em muitos efeitos especiais para recriar com fidelidade as aventuras de Bilbo e Gandalf.

ohobbit

As Novas Caras do Cinema (Parte 2)

Há algum tempo, postamos aqui um texto sobre os 10 atores ou atrizes mais promissores de Hollywood nos próximos anos (entre eles, citamos Zac Efron, Andrew Garfield, Anne Hathaway e outros). Alguns deles vem se firmando como artistas de primeira grandeza e se tornaram astros do cinema, apesar da pouca idade. Mas, ao que parece, a lista não pára de crescer.

Um fato que vem acontencendo comumente em Hollywood na atualidade é que as grandes produtoras vem tentando ao máximo reduzir seus gastos de produção. Na realidade, a relação custo-faturamento é um dos pré-requisitos básicos que são avaliados em um projeto e é um fator determinante para a aprovação ou não de uma produção. Com orçamentos cada vez mais apertados (e com o medo de fracasso nas bilheterias), muitos diretores apostam em novos rostos para seus filmes.

A razão óbvia: sai muito mais barato pagar o cachê de um ator jovem e desconhecido do que os cachês milionários de grandes atores como Al Pacino, Leonardo DiCaprio, Johnny Depp, Meryl Streep, Julia Roberts e outros. Na maioria das vezes, esses grandes e conhecidos astros fazem pequenas pontas (para chamar o público ao cinema), mas no final, o espetáculo principal fica por conta dos mais jovens.

Dessa forma, selecionamos mais uma lista de 10 jovens atores e atrizes hollywoodianos que estão em alta nesse momento e que tem tudo para se tornarem os nomes mais fortes dessa nova geração do cinema. Resta alguma dúvida de que esses nomes tem potencial para isso?

1. Dakota Fanning
Aos 18 anos, Dakota ofusca quando aparece na tela com sua beleza única. Dakota estreou nos cinemas no filme Uma Lição de Amor (2001) e de lá pra cá não parou mais. Já trabalhou com diretores famosos, como Steven Spielberg e Henry Selick.  Além de atuar, Dakota tem um notável talento para a música e, em 2009, a revista Forbes considerou a artista como a segunda atriz mais rentável do cinema.

Linda de morrer, Dakota é uma das atrizes mais promissoras de sua geração.

2. Aaron Johnson
Nascido em 1990, Aaron ficou conhecido por dois papéis notáveis: como Dave Lizewski, o nerd metido a herói de Kick-Ass Quebrando Tudo (2010), e John Lennon, na cinebiografia O Garoto de Liverpool (2009). E se você acha que a precocidade do ator é só nas telinhas, lá vai: o ator é casado com a diretora Sam Taylor-Wood (apenas 23 anos mais velha do que ele). O casal, que se conheceu durante as filmagens de O Garoto de Liverpool já tem um filho, nascido em 2010.

O precoce Aaron Johnson, como o protagonista de "O Garoto de Liverpool".

3. Scarlett Johansson
Em 2006, Scarlett foi considerada a mulher mais sexy do mundo. Mas não pense que a bela atriz é somente um rostinho muito bonito: a artista já trabalhou em vários filmes dirigidos por nomes como Robert Redford, Michael Bay e o veterano Woody Allen. Ah, só pra constar: Scarlett também é cantora e modelo. Que fôlego, hein?

Woody Allen não é nada bobo, hein?

4. Kristen Stewart
A atriz já tem vários filmes no currículo mas, definitivamente, foi em 2008 que Kristen despontou para a fama quando protagonizou o primeiro filme da série Crepúsculo. Apesar das inúmeras críticas negativas por conta de sua protagonista insossa, Bella Swan, Kristen ganhou também vários elogios por suas atuações em The Runaways (2010) e On The Road (2011).

Apesar das críticas por sua Bella Swan (completamente devidas), Kristen vem conquistando bons papéis ao longo de sua carreira.

5. Robert Pattinson
Assim como sua namorada Kristen Stewart, Robert Pattinson também virou astro internacional com seu papel na saga Crepúsculo, onde interpreta o vampiro que brilha ao sol Edward Cullen. Além de uma beleza exótica, Robert também é musicista e já gravou algumas músicas para a trilha da saga que o consagrou.

 

6. Armie Hammer
Ele quase se tornou o Bruce Wayne de George Miller – mas o projeto não foi adiante. Armie ficou famoso mesmo após sua aparição em A Rede Social (2010), onde interpretou os gêmeos Cameron e Tyler. Depois disso, arrancou bons elogios por sua atuação em J. Edgar (2012) e mostrou seu lado cômico em Espelho, Espelho Meu (2012). Em próximo trabalho – ainda sem data – , Armie vai atuar ao lado de Johnny Depp no longa The Lone Ranger.

Armie Hammer, em toda sua veia cômica, como o príncipe do filme "Espelho, Espelho Meu".

7. Carey Mulligan
De todas da lista, Carey é uma das mais elogiadas pela imprensa. Sua estréia no filme Orgulho e Preconceito (2005) lhe rendeu boas críticas, assim como em Em Busca de Uma Nova Chance (2009) e Não Me Abandone Jamais (2010). Além disso, Carey já foi indicada ao Oscar de melhor atriz pelo seu desempenho no filme Educação (2009).

Uma das maiores apostas de Hollywood nos últimos anos, Carey é expert em dramas.

8. Jennifer Lawrence
Em 2011, aos 20 anos, Jennifer recebeu sua primeira indicação ao Oscar por sua atuação no filme Inverno da Alma (2010). Atualmente, está em alta em Hollywood por sua personagem Katniss do filme Jogos Vorazes, primeira de uma série de adaptações da obra de Suzanne Collins.

Seguindo os passos de Kristen Stewart, Jennifer também é protagonista de uma franquia "teen".

9. Josh Hutcherson
Com apenas 19 anos, Josh tem uma filmografia ampla e variada, mas foi com Ponte Para Terabítia (2007) e Viagem ao Centro da Terra (2008) que o ator ficou conhecido pelo grande público, que o viu crescer diante de seus olhos. Mais tarde, também ganhou notoriedade por seu personagem no filme Minhas Mães e Meu Pai (2010). Também está em alta por seu papel na franquia Jogos Vorazes. Além do trabalho no cinema, Josh é ativista dos direitos gay, participando, inclusive, da campanha Straight But Not Narrow.

10. Chloë Moretz
Quinze anos. Esta é a idade de Moretz, que impressionou a todos com seu papel de Hit-Girl no filme Kick-Ass. Além desse, Chloë também já trabalhou com os diretores Martin Scorsese e Tim Burton (recentemente nos longas A Invenção de Hugo Cabret, de 2011, e Sombras da Noite, a ser lançado). Também levou inúmeros elogios por sua Abby de Deixa-me Entrar (2010), que foi determinante para a escolha da jovem atriz para protagonizar o papel principal da nova versão cinematográfica de Carrie, a Estranha.

Pra falar de Chloë, apenas uma dica: assista "Kick-Ass". Sem mais.

Jogos Vorazes: Quando o Filme Independe do Livro

Franquias no cinema geralmente rendem bons lucros. Adaptações também. Quando se unem esses dois elementos, o mais comum é que se tenha um grande sucesso de bilheteria – mas que nem sempre é garantia de um bom filme, cinematograficamente falando. Eis que há algumas semanas chega aos cinemas a produção Jogos Vorazes, primeira parte da adaptação de uma série de três livros da autora Suzanne Collins e, como não podia ser diferente, o filme tem tido bons (na verdade, excelentes) resultados até então. Merecidamente? Então vamos lá…

A principio, vamos à história propriamente dita: em um futuro indeterminado, surge a nação Panem, dividida em 12 distritos e uma Capital, que controla toda o país. Há décadas atrás, estes distritos se rebelaram contra o governo, mas sem sucesso. Para punir os distritos e ressaltarem seu poder e domínio, são criados os Jogos Vorazes, uma espécie de reality show transmitido para toda a nação, onde uma menina e um menino de cada um dos distritos são escolhidos e obrigados  a lutar entre si até a morte. A protagonista Katniss, moradora do distrito 12 (o mais pobre e menos favorecido) se oferece para lutar no lugar de sua irmã caçula e ali a garota tem a chance de mudar sua trajetória e a de sua família.

A heroína do filme, interpretada por Jennifer Lawrence.

Antes de tudo, vou deixar claro que não li à obra de Suzanne e, portanto, minha crítica aqui será exposta em relação à obra cinematográfica e não à produção literária. O filme tem sido vendido como potencial sucessor das franquias teens Harry Potter e Crepúsculo. Até certo ponto, isso fez bem ao filme, pois aguçou a expectativa dos fãs da obra de Suzanne e despertou a curiosidade daqueles que ainda não a conhecem (meu caso, por exemplo, que já saí do cinema querendo levar os livros da série para descobrir o que acontece com os protagonistas). Mas o grande mérito aqui é que Jogos Vorazes FILME consegue ser completamente independente de Jogos Vorazes LIVRO – o que, se tratando de adaptações, é um fato muito difícil de se conseguir.

A narrativa de Jogos Vorazes é didática e permite que qualquer alienado que tenha ido ao cinema e entrado na sala por curiosidade se interesse pela história e mantenha uma espécie de compaixão pela trama – tanto que ao longo de quase duas horas e meia de filme, o tempo passa tão rapidamete que, ao final, você sente vontade de continuar ali, sentado, esperando qualquer coisa que possa te trazer algum indício do que pode acontecer.

Teve romance? Até teve um início. Mas ao menos o Josh não precisou tirar a blusa para isso...

Tecnicamente, o filme também se destaca. O figurino (especialmente nas cenas da Capital, que contrasta visivelmente com os demais distritos) já é aposta para os indicados ao Oscar 2013. O visual da Capital também é algo impressionante, c0m ambientes luxuosos e extravagantes, mas nunca piegas. Além disso, a direção bem acabada de Gary Ross traz uma dosagem certeira nas cenas mais violentas do filme (elas estão lá, presentes, mas a maneira como Gary percorre com suas câmeras faz com que isso seja atenuado – o que, em tese, ajuda a adequar a classificação indicativa ao público alvo do filme).

Há alguns pontos que poderiam ser melhorados. A princípio, creio que o maior deles seja quanto à duração e divisão do filme. Eu, particulamente, não sou fã de filmes longos. Se for pra ser longo, o filme tem que ser envolvente na medida certa. E, ultimamente, Hollywood não tem feito boas escolhas de roteiristas. Mas o fato é que Jogos Vorazes mantem um ritmo que permite que o filme pudesse ser esticado alguns minutos e mais bem dividido. Praticamente, podemos dizer que o filme é dividido em duas partes: a primeira, quando os jovens são escolhidos e apresentados às regras do jogo e a segunda, que trata dos duelos em si. Enquanto a primeira parte é apresentada de forma didática e bastante compreensível, a segunda peca por ser deveras “rápida” demais. Minha visão é a de que se podia dar um pouco mais de ênfase nas batalhas, nos pequenos conflitos, nas formas de sobrevivência dos jogadores.

"Jogos Vorazes" impressiona visualmente - mas não apenas isto.

Outro ponto que poderia ser melhorado é a visão “romântica” (não no sentido amoroso) da heroína da história. Ela é tão boazinha (já no início do filme se oferecendo como tributo aos Jogos) e bom caráter (apesar de vencer o duelo, ela mata pouca gente) que por vezes chega a enjoar. No final, o filme mostra que a força bruta apenas não é necessária, mas também a inteligência. Tudo bem, concordo, mas essa visão tão “amigão, gente fina” da protagonista não me impressionou. Quanto às atuações, cabe dizer que todos ali cumpriram razoavelmente suas funções – mas sem nenhum grande destaque.

Outro grande mérito de Jogos Vorazes, no entanto, é conhecido pelos espectadores mais atentos ao contexto do que à história propriamente dita. Há uma crítica explícita aos reality shows que, mais do que entreter uma populaçao, controlam, manipulam seus participantes (como o sistema faz conosco?). O próprio apresentador do programa (uma espécie de Galvão Bueno, mas muito menos chato), um diretor que interfere e os estratégias de jogo dos participantes para sobreviver refletem bem a realidade dos programas atuais de televisão, levantando bandeira à esta causa (tema já abordado anteriormente no cinema, como no excelente O Show de Truman – O Show da Vida).

Não adianta fugir: romance adolescente à vista...

Jogos Vorazes FILME é infinitamente melhor do muitos outros sucessos teens. A qualidade e o cuidado com que o filme foi produzido (talvez por conta da participação direta da autora dos livros) demonstram que o filme tem potencial para agradar não apenas adolescentes virgens e pré-adolecentes chatos. Talvez o filme tenha sido vendido como tal apenas para chamar público (talvez, não – quase certeza, né? Propaganda é a alma do negócio). E conseguiu. O filme tem ido muito bem e a expectativa é que continue assim. Vendo pelo lado positivo, não há vampiros que brilham, lobisomens sem camisa, bruxinhos adolescentes… Bom, pelo menos até aqui. Vai que…