“Oz – Mágico e Poderoso”: Entretem, Mas Não Apaixona

Quando foi lançado, em março de 2010, Alice no País das Maravilhas se tornou rapidamente uma das maiores bilheterias da história do cinema. Alguns pontos contribuíram para o sucesso imediato do longa de Tim Burton: inicialmente, a escolha por recriar uma história com personagens já conhecidos do público; o uso de computação gráfica, que auxiliou na construção de uma direção de arte invejável; o uso do 3D (que eleva a receita nas bilheterias devido ao valor do ingresso, geralmente 2 ou 3 vezes mais caro) e, obviamente, o nome de Burton à frente do projeto.

alice

Mas Alice no País das Maravilhas, muito mais do que se tornar um clássico instantâneo dentro de seu gênero (apesar das inúmeras críticas que recebeu), foi responsável também por desencadear uma corrida frenética em busca das adaptações de grandes clássicos infantis. Desde então, inúmeros contos já foram revisitados. Branca de Neve, por exemplo, ganhou 2 versões em 2012 (Espelho, Espelho MeuBranca de Neve e o Caçador), lançadas quase que simultaneamente. A história dos irmãos João e Maria ganharam também um longa em live action, em 2013, sob o título sugestivo de João e Maria: Caçadores de Bruxas. Outros contos, como João e o Pé de Feijão ou A Bela Adormecida já estão em produção e prometem movimentar os cinemas nos próximos meses.

À esquerda, João e Maria transformados em caçadores de bruxas. À direita, a princesa Branca de Neve no longa "Espelho, Espelho Meu".

À esquerda, João e Maria transformados em caçadores de bruxas. À direita, a princesa Branca de Neve no longa “Espelho, Espelho Meu”.

Essa pequena análise sobre a febre que o filme de Burton criou desde então é importante para entendermos um pouco Oz – Mágico e Poderoso, que estreou nesta sexta-feira no circuito nacional. Trata-se da adaptação do conto infantil de L. Frank Baum, já levada aos cinemas em 1939 – naquela que se tornou um dos maiores clássicos de todos os tempos. Entretanto, Oz – Mágico e Poderoso concentra seu roteiro na história que antecede o primeiro longa, mostrando como o mágico em questão chega à cidade de Oz e sua ascensão no local.

Se você, como muitos, espera uma obra recheada de referências à película original, sinto-lhe informar: decepção à vista. Isso pode ser facilmente explicado: a Disney, que assina a produção, encontrou diversos problemas (apesar do diretor Sam Raimi dizer o contrário) para produzir a história, afinal os direitos de O Mágico de Oz pertencem à Warner. Portanto, o filme de 2013 caminha nos limites da lei para associar ambas as obras sem configurar quebra de direitos autorais. Isso faz com que Oz – Mágico e Poderoso funcione como um prólogo suficiente – mas com algumas limitações que não o tornam uma obra-prima do gênero.

Cena do original "O Mágico de Oz", da Warner.

Cena do original “O Mágico de Oz”, da Warner.

Oscar Diggs é apresentado logo no início da trama (rodado em preto e branco, como no original) como um mágico picareta e mulherengo – e com mais desvios de caráter, diga-se de passagem. Tentando fugir de uma confusão em que se metera, Oscar é transportado para a terra de Oz em um balão de ar quente. Lá, ele tem de derrotar uma bruxa má para provar uma antiga profecia local e ser coroado o rei de Oz. Como qualquer produção da Disney (ao menos as que se prezem), trata-se de uma história de superação e valores morais, onde o personagem central tem que mostrar não apenas de que é capaz de ser o mágico que todos esperam mas também que tem caráter para assumir tal posição.

magico

Roteiro previsível? Sim. Pouco inspirador? Com certeza. Oz – Mágico e Poderoso nada mais é do que um bom espetáculo visual de encher os olhos, como Alice o foi em 2010 – não obstante, são obras dos mesmos produtores. A terra de Oz é quase, descaradamente, uma cópia visual do filme de Burton. Qualquer alienado que assistiu Alice uma única vez é capaz de fazer esta observação. Os mesmos apelos e efeitos visuais extravagantes estão presentes – até mesmo a trilha sonora, composta por Danny Elfman (velho parceiro de Tim Burton) ajuda a acentuar isso.  Com um único detalhe: quem disse que Sam Raimi tem o mesmo talento de Burton?

Não que o filme seja um fiasco – as bilheterias desmentiriam isso se eu dissesse que Oz é um fracasso. Como obra de entretenimento (que é o propósito da Disney), o longa se sai muito bem. Além das comparações óbvias com o trabalho burtoniano, Oz também faz referências à própria obra da Warner (ainda que limitadamente) e, sob certo ângulo, tem o final que nos remete, vagamente, a A Invenção de Hugo Cabret – o que pode ser interpretado como uma homenagem singela ao cinema e suas origens, assim como o filme de Martin (claro, Oz perde feio para Hugo neste aspecto).

bruxa

Sam Raimi (que ganhou popularidade com a trilogia do Homem-Aranha, com Tobey Maguire) não consegue em Oz – Mágico e Poderoso mostrar sua capacidade. Isso reflete nas atuações de um elenco que 1) não tinha química; 2) não estava a vontade com suas personagens e 3) não estava bom, pronto. James Franco soa irremediavelmente prepotente com sua personagem principal. Rachel Weisz como a bruxa má da história é apática e certamente perderia mais espaço na trama caso houvesse algum personagem mais interessante (poucas expressões faciais – só tem um bom desempenho com suas mãos, reparem). Michelle Williams cansa como Glinda, enquanto Mila Kunis ainda não consegue provar que seu negócio é cinema. É neste palco que as poucas cenas que se desenvolvem abrem espaço para personagens “virtuais”, como um macaco falante e uma linda bonequinha de porcelana – melhor uso da computação gráfica no filme, de longe.

virtuais

Um dos medos da Disney, talvez, era que Oz – Mágico e Poderoso repetisse, para a crítica, o fiasco de Alice no País das Maravilhas. Como particularmente não acho o filme de Burton esse caos que alegam, também me sinto à vontade para dizer que o longa de Raimi está na mesma média: visualmente parecidos, digitalmente bem trabalhados e com roteiros e atuações questionáveis. Mas para a Disney não importa, contanto que as bilheterias provem o contrário. Antes mesmo de estrear, a Disney já anunciou uma provável sequência de Oz. Entretenimento fácil, Oz – Mágico e Poderoso fica bem abaixo do original da Warner, mas é uma boa diversão para quem não espera muito.

 

PS.: e se você tem dúvidas quanto às comparações inevitáveis entre Alice no País das MaravilhasOz – Mágico e Poderoso, dê uma olhada nas imagens abaixo e descubra a qual filme cada uma pertence:

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O Que Esperar do Cinema em 2013

Pois é, 2012 realmente chegou ao fim. Já saudamos 2013 e torcemos por grandes conquistas neste ano que se inicia hoje. Imprescindível agradecer a todos vocês que tem acompanhado este blog e tornado a minha tarefa de escrever muito mais agradável. Espero realmente que 2013 seja um ano de muitas realizações para todos nós. E seria importante também estrear o ano com um layout novo, certo? (espero que tenham gostado, okay?)

E para começar bem o ano, que tal já iniciarmos falando sobre cinema? Sim ou com certeza? Pois é, os cinéfilos mais excêntricos alegaram que 2012, apesar de muitas produções, não foi um dos melhores anos para a indústria cinematográfica. De fato, não tivemos grandes clássicos neste ano que passou. Entretanto, temos esperança de que 2013 seja realmente melhor. Bom, pelo menos a julgar pela lista abaixo, que contempla alguns dos filmes a serem lançados durante os próximos 12 meses, temos bons motivos para acreditar que 2013 vai ser um ano bem feliz para nós, cinéfilos, certo? Confira aí algumas das estreias previstas para este ano que inicia e marque na sua agenda.

Django Livre (previsão: 18/01/13)
Se você, como eu, já está contando os dias para a estréia do próximo filme de Quentin Tarantino, vai uma boa notícia: já está chegando o grande dia! Django Livre é a segunda parte de uma trilogia que, segundo Tarantino, teria se iniciado com Bastardos Inglórios, filme que definitivamente o elevou ao status de grande diretor. No elenco, estão Jamie Foxx, Leonardo DiCaprio, Christoph Waltz entre outros.

 

Hitchcock (previsão: 08/02/2013)
Pense em trazer para o cinema a trajetória de um dos maiores diretores de todos os tempos durante a produção de um de seus maiores sucessos. Hitchcock traz no elenco os vencedores do Oscar Anthony Hopkins (irreconhecível no papel de Alfred) e Helen Mirren, além de Scarlett Johansson como Janet Leigh, a atriz da famosa cena do chuveiro de Psicose.

 

Oz – Mágico e Poderoso (previsão: 08/03/2013)
A Disney, aproveitando o sucesso de Alice no País das Maravilhas, selecionou os mesmos produtores do longa de Tim Burton, chamou o diretor Sam Raimi (da trilogia Homem-Aranha) e deu seu toque particular à história de O Mágico de Oz. Daí surgiu Oz – Mágico e Poderoso, que conta a trajetória de Oscar Diggs (o próprio, interpretado por James Franco) antes dos acontecimentos do clássico filme de Victor Fleming, quando o mágico é arrastado para a Terra de Oz.

 

Carrie, A Estranha (previsão: 15/03/2013)
Nova versão do clássico filme de terror de 1976, dirigido por Brian de Palma e baseado na obra do mestre Stephen King, dessa vez é Chloe Moretz quem trará vida à personagem título. Julianne Moore também está no elenco, no papel de Margaret White, a mãe religiosamente fanática de Carrie. Muita publicidade e muitas imagens giram em torno deste que promete ser um dos remakes mais aguardados de 2013.

 

O Grande Gatsby (previsão: 14/06/2013)
Com um elenco elogiado (tem Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire e Carey Mulligan),  O Grande Gatsby já teve sua estréia adiada por diversas vezes, mas parece que agora está certo para junho. O filme vai contar a história de um jovem fascinado pelo mundo de seu rico vizinho Jay Gatsby e aos poucos começa a fazer parte de seu círculo social.

 

Universidade Monstros (previsão: 21/06/2013)
A Pixar parece ter se rendido completamente à Disney e, mesmo após o fiasco Carros 2, deciciu lançar uma continuação para outro sucesso da empresa, Monstros S.A. (que será relançado este ano em 3D – sim, uma tentativa explícita de faturar muita grana).

monstros


O Cavaleiro Solitário
(previsão: 12/07/2013)
Fãs de Johnny Depp, não se desesperem: o ator irá aparecer nas telonas este ano! Para variar, Johnny fará mais um personagem caricato e fantasiado em O Cavaleiro Solitário, filme que conta ainda com Armie Hammer e Helena Bonham Carter. Nota: apesar de ter Depp e Helena, o filme não é dirigido por Tim Burton e, sim, por Gore Verbinski (de Piratas do Caribe).

 

Jurassik Park 3D (previsão: 30/08/2013)
E se Hollywood não quer perder tempo criando coisas originais, nada melhor do que tentar faturar um pouco mais a custas de grandes sucessos. Sim, Jurassik Park, sucesso do diretor Steven Spielberg de 1993, será relançado em versão 3D. Prepare-se para aturar 2 horas de filmes para ver apenas cerca de 15 minutos de dinossauros na telona (pelo menos agora em terceira dimensão).

jurassik
Kick-Ass 2
(previsão: 13/09/2013)
Os nerds e geeks pirando em 3, 2, 1… Após o estrondoso sucesso da versão cinematográfica dos personagens de Mark Millar e John Romita Jr., Aaron Johnson retorna às telonas no papel de Dave Lizewski, o jovem estudante apaixonado por quadrinhos que decide virar super-herói, apesar de não ter a menor condição para isso. A história de Kick-Ass 2 trará o roteiro baseado na segunda edição de Kick-Ass e nos quadrinhos de Hit-Girl (dica: vale a pena conferir os quadrinhos, mesmo se você não for um amante dessa arte).

kickass
Sin City 2: A Dama Fatal
(previsão: 20/09/2013)
Com o sucesso de Sin City – A Cidade do Pecado (filme que revolucionou ao levar uma HQ ao cinema com tamanha fidelidade), Robert Rodriguez (de Um Drink no Inferno) traz agora a continuação baseada na graphic novel A Dama Fatal (“A Dame to Kill For), segundo livro da linha criado pelo quadrinista Frank Miller, que também assinou a direção ao lado de Rodriguez e Tarantino na primeira sequencia.

sincity
Jogos Vorazes – Em Chamas
(previsão: 22/11/2013)
Febre mundial baseada no best-seller de Suzanne Collins, a franquia Jogos Vorazes retorna em 2013 com sua segunda parte, Em Chamas. Apesar do diretor do primeiro longa, Gary Ross, não ser escalado para essa continuação (agora, quem assina a direção é Francis Lawrence, de ConstantineÁgua Para Elefantes), as expectativas em torno do filme são grandes.

jogos
O Hobbit: A Desolação de Smaug
(previsão: 20/12/2013)
Nerds, geeks, pseudo-intelectuais e afins estão ansiosos para a continuação da sequencia Hobbit, dirigida por Peter Jackson (da série O Senhor dos Anéis). A saga, baseada na obra de J.R.R. Tolkien, criou uma legião de fãs ao redor do mundo e aposta em muitos efeitos especiais para recriar com fidelidade as aventuras de Bilbo e Gandalf.

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