“Transcendence – A Revolução”: Ficção Científica Perdida Entre Discursos Vazios

01A interação entre humanos e máquinas guiada pelo avanço da tecnologia a favor da humanidade é um tema comum na ficção cientifica, ainda que abordado sob os mais diversos ângulos. Kubrick, no final de década de 70, flertou com este tipo de narrativa, quando uma equipe de astronautas era enviada a uma missão espacial controlada pelo computador Hal 9000, em 2001 – Uma Odisseia no Espaço, um clássico do gênero. Spielberg, com seu A.I. – Inteligência Artificial, trazia para as telas o menino-robô David que, apesar de máquina, fazia de tudo para ser amado por sua suposta “mãe”. No sensível Ela, Spike Jonze narra a história de um homem emotivo que se “apaixona” por um sistema operacional. Porém, como acreditar em uma produção de um diretor estreante cujo protagonista é um ator em progressivo desgaste de imagem?

Não que isto seja regra para que um filme seja um fiasco. Com seu “debut” Beleza Americana, Sam Mendes foi aclamado pelo público e pela crítica, faturando 5 prêmios Oscar (incluindo melhor filme e diretor). John Travolta teve sua carreira revitalizada quando, em 1994, protagonizou Pulp Fiction – Tempo de Violência. Mas Transcendence – A Revolução, de Wally Pfister, que chegou aos cinemas brasileiros nesta semana, não obteve o êxito esperado em nenhum desses pontos, sendo considerado um das piores produções do gênero e amargando duras críticas ao redor do mundo. Partindo da premissa dos limites éticos que envolvem o uso da tecnologia em constante avanço, Transcendence é um filme com potencial que falha absurdamente em sua argumentação.

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Na trama, Will Caster é uma celebridade no campo de pesquisa sobre inteligência artificial. Suas teses sugerem a criação de um novo tipo de IA, transcendendo a mente humana – a transferência de sua consciência para o ambiente virtual. Entretanto, Caster é alvo do ataque de um grupo extremista oposto às ideias de avanço tecnológico e, apesar de sobreviver de imediato, logo é diagnosticado com poucos dias de vida. Enquanto aguarda a morte de Will, sua esposa (e companheira de pesquisa) descobre que os estudos do marido estão mais avançados do que supunha e decide realizar os experimentos no esposo moribundo, transferindo a mente de Caster para um computador. O pesquisador inevitavelmente falece, mas retorna à vida agora como “máquina” – e logo se percebe que este tipo de experimento é uma ameaça potencial à vida humana.

Com este roteiro, era de se esperar que tudo aqui desse certo, mas Transcendence não funciona. Tratado com eloquente superficialidade, o longa de estreia de Wally Pfister possui discursos vazios sem bases necessárias em sua argumentação. O produto parece um recorte de várias ideias, que são emendadas previsivelmente e sem explicação para satisfazer as exigências de um roteiro mal desenvolvido – mesmo que isoladamente tais ideias possam chamar a atenção. São tantos conceitos mal formulados (nanotecnologia, inteligência artificial, biotecnologia, computação em nuvem, terror e caos social, ética) que tudo fica ali, meio perdido, aguardando um desfecho que nunca vem – ainda que o filme tente tecer inúmeras explicações a todos estes conceitos.

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Talvez a direção inexperiente e pesada de Pfister, que rivaliza com a de Christopher Nolan (que assina a produção executiva e de quem Wally é um fiel colaborador na fotografia de seus longas) possa ser uma das principais causas para o filme não decolar. Mas seu roteiro cheio de falhas não permite muita coisa também, então há de se perdoar o estreante. A fotografia (que remete em alguns momentos a Nolan, inevitavelmente) perde-se em uma desordenada montagem, o que cansa o espectador ao longo de suas duas horas de duração. Nem mesmo o elenco parece colaborar: Johnny Depp, que coleciona seu quarto fracasso seguido, não demonstra o menor interesse em sua personagem, apesar de exibir uma forma física suficiente para um cinquentão. Por sorte (ou sei lá o quê), Depp passa boa parte do filme longe das câmeras – porém, é substituído por uma tediosa narração quando em versão “digital”. Os demais nomes do elenco de estrelas (Rebecca Hall, Morgan Freeman e Cillian Murphy – todos que já trabalharam com Nolan) também parecem estar ligados no modo “automático”, com exceção, talvez, de Paul Bettany, que arrisca um triângulo amoroso com o casal de protagonista. Nem mesmo os efeitos visuais são uma aula de técnica – sendo até mesmo grotescos em algumas sequencias. Apenas a trilha sonora do canadense Mychael Danna deve receber algum elogio – mas como produto isolado.

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Cansativo em diversos momentos, a produção está muito mais para um thriller sci-fi do que para um filme de ação – e essa é a razão que deixa o espectador frustrado, pois o longa não cumpre direito sua proposta. Perdido na tentativa de filosofar sobre temas polêmicos, Transcendence se firma como um filme necessário, porém mal aproveitado. Talvez se dirigido por um diretor mais experiente, o longa pudesse ser melhor explorado (o próprio Nolan, por exemplo – aliás, há quem sonhe com uma parceria entre o cineasta e Johnny Depp). Transcendence falha em sua desesperada pretensão de ser inteligente, desperdiçando lamentavelmente um ótimo material e ficando muito abaixo de suas expectativas.

Para finalizar, faço apenas uma pergunta que alude ao título do filme: cadê a revolução?

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O Que Esperar do Cinema em 2014

Ano novo, vida nova! 2014 está chegando com muitas promessas!

O ano de 2013 foi muito bom. O blog está crescendo – e com ele, eu vou crescendo junto. Hoje, alem de escrever aqui para vocês, eu também escrevo para mais dois sites – que me recepcionaram de forma acolhedora e tornam minha tarefa de escrever muito mais prazerosa. Agradeço muito a essas equipes, assim como a todos vocês que acompanham meus textos e me incentivam a continuar produzindo um conteúdo legal. E em 2014 não vai ser diferente. Mas vamos ao que interessa? Vamos falar de cinema!

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Primeira postagem do ano não poderia ser outra: vamos falar hoje sobre os filmes que vão estrear por aqui em 2014. Quais são os grandes nomes, as grandes promessas, as maiores apostas deste ano que se inicia? Selecionei abaixo algumas produções que já estão deixando a nós, cinéfilos, ansiosos e, de alguma forma, também esperançosos quanto a 2014, que certamente será um ano promissor para o cinema.

Ninfomaníaca (previsão: 10/01/2014)
Um dos trabalhos mais polêmicos do diretor Lars Von Trier (se é que isso é possível) chega agora no começo do ano aos cinemas nacionais. Trata-se de um drama erótico que gira em torno de Joe, uma mulher de 50 anos que relata sua história pessoal recheada de episódios picantes. Na internet, a divulgação não-oficial do filme tem dado (uiii) o que falar…

Ela (previsão: 17/01/2014)
Com um elenco que traz Joaquim Phoenix e Scarlett Johansson, Ela apresenta a história de um escritor solitário que desenvolve uma estranha relação com um novo sistema operacional, desenvolvido especialmente para atender suas necessidades.

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O Lobo de Wall Street (previsão: 24/01/2014)
Nova parceria entre Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio, O Lobo de Wall Street vem sendo bem elogiado nos EUA, apesar de não estar muito bem nas bilheterias. O filme é adaptado do livro de Jordan Belfort, um corretor de títulos da bolsa norte-americana que entrou em decadência na década de 90.

Robocop (previsão: 31/01/2014)
Com um elenco estelar (Michael Keaton, Gary Oldman, Samuel L. Jackson, entre outros) e dirigido pelo brasileiro José Padilha, o filme se passa em 2028 – ano em que a tecnologia robótica está em sólido avanço e uma das empresas que dominam o mercado decide usar essa tecnologia para conter a onda de crimes.

Uma Aventura Lego (previsão: 07/02/2014)
Olha, se você passou sua infância brincando com as parafernalhas de Lego, você entende a ansiedade da galera por este filme – que, ao que tudo indica, parecer ser um tipo inovador de animação, já que tudo ali parece ser feito do próprio brinquedo. Sobre a história, basta dizer que vai seguir o personagem Emmet, que é recrutado para uma jornada épica para derrotar um tirano – coisa que Emmet não aparenta estar preparado.

Kill Your Darlings (previsão: 14/02/2014)
Talvez por conta da provável temática gay do longa, Kill Your Darlings é um dos filmes mais aguardados no meio indie. A trama mostra como um assassinato no ano de 1944 une três grandes nomes da geração beat, Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughts.

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Walt nos Bastidores de Mary Poppins (previsão: 14/02/2014)
Eu confesso que espero há muito tempo  uma biografia de Walt Disney – e até me empolguei um pouco com Saving Mr. Banks (título original e muito melhor, para variar…) do longa que conta a história dos bastidores de um dos maiores sucessos Disney de todos os tempos.

300: A Ascensão de um Império (previsão: 07/03/2014)
Na continuação do elogiado 300, Rodrigo Santoro retorna como Xerxes, da força persa, em uma batalha contra um grupo de guerreiros gregos liderados por Themistocles (Sullivan Stapleton). Ao lado de Xerxes, temos Artemesia – Eva Green (motivo maior para assistir ao filme, cá entre nós…).

Noé (previsão: 28/03/2014)
Depois do ótimo Cisne Negro, Darren Aronofsky traz sua visão sobre a clássica história bíblica de Noé. Com um belo visual e um elenco de peso (Russel Crowe, Anthony Hopkins, Emma Watson, Logan Lerman entre outros), o filme é uma releitura da passagem bíblica sobre a destruição do mundo com água.

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Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (previsão: 28/03/2014)
Baseado no elogiadíssimo curta Eu Não Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro (que retorna na direção), Hoje Eu Quero Voltar Sozinho conta como Leonardo, um adolescente deficiente visual, busca sua independência, enquanto descobre mais acerca de sua sexualidade ao se apaixonar por um colega do colégio.

Transcendence (previsão: 18/04/2013)
O diretor de fotografia e braço direito de Christopher Nolan em seus filmes estréia na direção desta ficção científica que traz Johnny Depp de volta às telas de cinema (em um personagem aparentemente normal, graças a Deus!). Na trama, dois cientistas de computação trabalham para atingir a singularidade tecnológica, enquanto uma organização anti-tecnologia tenta os impedir de criar um mundo onde as máquinas podem transcender as capacidades cerebrais humanas.

O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro (previsão: 01/05/2014)
Se estrear junto da sequencia de Os Vingadores, a disputa promete (apesar de estar fadado ao fracasso, já que estamos falando de “Os Vingadores mimimi”). Andrew Garfield retorna na pele de Peter Parker, que tenta manter a promessa feita ao pai de Gwen Stacey no final do filme anterior.

Godzilla (previsão: 16/05/2014)
Aaron Taylor-Johnson parece ter caído nas graças de Hollywood, pois alem de estar na segunda parte de Os Vingadores, ele também estréia a refilmagem do clássico Godzilla, que será dirigido por Gareth Edward. Apostando alto em efeitos especiais para criar um visual aterrorizante, o diretor já deu uma amostra que vem por aí no excelente clipe liberado há algumas semanas.

Malévola (previsão: 02/07/2014)
A divulgação tem sido grande e muito se espera desta releitura do clássico A Bela Adormecida – só que aqui, a história é contada sob a perspectiva de Malévola, a vilã da trama. Ah, caso você seja um alienado e não saiba, a vilã, no caso, é Angelina Jolie. Dê uma conferida no visual e me conta depois…

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Sin City: A Dama Fatal (previsão: 22/08/2014)
Há exatamente 1 ano atrás, Sin City: A Dama Fatal entrava na minha lista de filmes mais esperados de 2013. O projeto foi adiado e, ao que tudo indica, sai ainda este ano (pelo amor de Deus, Robert Rodriguez, se vira!). A dama fatal, do título, é Eva Green (já me matou, sério…) e a sequencia é baseada nos quadrinhos de Frank Miller.

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Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 (previsão: 21/11/2014)
Em uma clara tentativa de faturar muita grana, Jogos Vorazes: A Esperança será dividido (aparentemente de forma desnecessária) em duas partes. A primeira estréia por aqui apenas em dezembro – e após o sucesso de Jogos Vorazes: Em Chamas, os fãs da franquia estão animados com o desfecho da história de Katniss e os demais moradores de Panem. Ah, Julianne Moore está confirmada no longa.

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O Hobbit: Lá e de Volta Outra Vez (previsão: 17/12/2014)
O segundo filme da franquia O Hobbit terminou deixando o coração de muita gente saindo pela boca nas salas de cinema. Bom, isso deixa claro a ansiedade dos fãs da saga pelo desfecho (provavelmente épico) da história de J.R.R. Tolkien, prevista para dezembro.

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Into The Woods (previsão: 25/12/2014)
Que seja antecipado! Afinal, reunir Meryl Streep e Johnny Depp em um musical escrito pelo mesmo autor de Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet e dirigido por Rob Marshall (de Chicago) é querer matar meio mundo do coração! Vários personagens clássicos dos contos infantis estão presentes nessa fábula musical com previsão apenas para o fim do ano…

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