The Strokes Mostra Ângulos Demais no Novo Álbum

Cinco anos de espera aumentam as expectativas de qualquer pessoa quando o assunto é música. Pois bem, eis que a banda The Strokes acaba de lançar seu novo trabalho, Angles, anos depois do questionável First Impressions of Earth, de 2006. Para alguns, a expectativa se funde a um sentimento de frustração inevitável. Já ouviu aquela expressão de que “quanto maior a altura, maior é a queda”? Talvez seja essa a melhor sensação que se tem ao ouvir Angles pela primeira vez.

Lançado oficialmente no último dia 22 de março, o novo CD do grupo norte-americana dificilmente poderá entrar na lista dos melhores do ano. E aí reside a sensação de frustração: para uma banda que reinventou o rock de garagem e já foi chamada de “salvação do rock no século XXI”, o disco soa como uma sucessão de sons disparados para todos os lados, sem um objetivo final. O próprio título do álbum, Angles, sugere isso, uma vez que este é o primeiro registro onde todos os integrantes contribuem efetivamente no processo de gravação (diferente dos trabalho anteriores, onde Casablancas estava sempre à frente do grupo).

Não se trata de um álbum ruim – e com certeza Angles é superior a muitos outros que estão sendo lançados por aí. Mas não há uma harmonia entre as músicas: elas parecem pedaços de sons ao acaso, se movendo lentamente ao longo de dez faixas que saem do nada e chegam a lugar algum. Individualmente, algumas canções tem seus méritos; no conjunto, Angles não impressiona.

O baixista Nicolai declarou a uns tempos que o disco seria uma volta aos Strokes das antigas. Não é o que acontece. Isso se nota ao comparar o primeiro single Under Cover of Darkness (certamente uma das melhores produções do ano) com as demais faixas. A canção destoa do restante do álbum e é praticamente a única música que traz de volta um pouco da identidade dos primeiros anos dos caras.

O contraste entre o primeiro single e as demais faixas é facilmente percebido. Se Casablancas e seus companheiros tivessem seguido a receita usada na primeira música de trabalho, certamente eles teriam acertado em cheio e criado o melhor álbum do ano – pois Under Cover of Darkness é uma excelente surpresa e tem potencial. Mas ao tentar inovar e buscar novas sonoridades, o quinteto se perdeu um pouco e lançou um registro que os fãs mais antigos irão definir como “página a ser virada” da história da banda.

Algumas faixas merecem seu devido destaque, como Machu Picchu, Taken for a Fool ou Gratisfaction. Outras podem ser puladas no player, como Games ou Metabolism. Claro que a banda tem o mérito de buscar novas sonoridades e tentar fazer um disco inovador. O problema é que os caras falharam e fizeram um álbum sem fundamento, sem objetivo, perdido em si mesmo.

Rolam boatos de que um novo álbum pode ser lançado até o fim do ano. A nós, resta torcer pra que eles tenham mais sucesso na próxima tentativa de alcançar seu alvo. Ou que, pelo menos, eles tenham um alvo a ser alcançado. Só isso já é o suficiente.