1944 (1944)

Na última edição do Oscar, a Estônia esteve muito bem representada pelo irretocável Tangerinas – não à toa, a obra esteve entre as 5 indicadas finais da categoria de melhor filme em língua estrangeira (perdendo para o superestimado longa polonês Ida). Um ano depois, a Estônia tem seu novo representante na categoria: 1944, drama bélico considerado a maior produção já realizada no país (uma nação com um currículo cinematográfico modesto, é verdade, mas que desperta certa atenção ao ser observado de perto).

1944 concentra sua trama na batalha de Narva, ocorrida na Estônia da década de 1940, às vésperas do fim da Segunda Guerra Mundial. O país está dividido: de um lado, a maior parte da população, contrária ao regime de Stálin, apoia o führer alemão; do outro lado, muitos no país decidem lutar pela então União Soviética.

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Dirigido por Elmo Nüganen (que inclusive atuou em Tangerinas), 1944 apresenta um roteiro com histórias intercaladas e sem um protagonista direto – exceto o próprio conflito, o que faz com que muitos eventos isolados possam parecer confusos em alguns momentos. Individualmente, inúmeras cenas são elogiáveis, porém temos a impressão de que elas nem sempre se conversam dentro do conjunto da obra. Um dos méritos, no entanto, é o fato de que a narrativa não perde tempo com aqueles arrastados jogos psicológicos (que se tornaram febre em filmes de guerra norte-americanos); em suma, 1944 é um punhado de cenas de guerra com, aparentemente, um único propósito: mostrar o caos.

Vale destacar, no entanto, a boa edição e fotografia do longa. As cenas de conflito armado são muito reais – arriscaria dizer que, tecnicamente e dentro de suas limitações, 1944 é até superior a muitas grandes produções hollywoodianas (com seus efeitos mirabolantes). Ainda assim, o filme estoniano está longe de ser memorável: infelizmente, 1944 é uma produção bem feita, porém apática.