Halle Berry Vive Mãe Destemida em “O Sequestro”

Até onde uma mãe é capaz de ir para salvar o próprio filho? Para o diretor Luis Pietro, não há limites e é isso o que ele prova em seu eletrizante filme O Sequestro. Na trama escrita por Knate Gwaltney, Karla (Halle Berry) é uma mãe divorciada que trabalha como garçonete para sustentar o filho Frankie. Após um dia de expediente, seu pior pesadelo se torna realidade: a criança é sequestrada. Chamar a polícia? Isto é para os fracos: Karla pega seu carro e parte em uma perseguição alucinante aos sequestradores.

O Sequestro é um filme “pré-moldado”, ou seja, segue uma fórmula “x” para contar uma história, sem muita ambição e sem nenhuma inovação. Genérico e muito bem definido, é nítida a impressão de ser um “pipocão”, daqueles que você assiste sem compromisso. Entretanto, o longa (que foi adiado diversas vezes por sua produtora) ganha muitos pontos com sua agilidade: apesar de o foco narrativo permanecer sempre o mesmo, muitas situações acontecem e desafiam a protagonista. Felizmente (ou talvez justamente para dar ritmo à película), Karla não pensa muito; todas as suas ações são impulsivas, algumas absurdas, mas não importa: a vida de seu filho está em risco.

Halle Berry é ótima em cena. Logo eu, que particularmente nunca fui um grande fã, devo admitir que ela carrega o filme inteiro nas costas. Sua personagem é de uma força incrível, mas também possui suas fragilidades, principalmente diante da iminente perda do filho, seja pelas mãos dos sequestradores ou mesmo pelo ex-marido que ameaça a guarda da criança. Seja como for, todas as nuances de Karla são bem externadas por uma atriz em excelente performance, tanto em cenas mais dramáticas quanto nas sequências de perseguição incessantes.

Está bem, O Sequestro não é isento de imperfeições. Na verdade, é claro que o orçamento modesto deixa o filme com certo ar de “produção de TV”. Em alguns instantes, há alguns problemas de edição e furos de roteiro. Há também uma escolha não muito sábia do argumento em revelar precocemente os antagonistas – e isso só não atrapalha a fita pelo fato de estes personagens serem interpretados por rostos desconhecidos. Mas apesar dos pequenos deslizes, sobra adrenalina nesta mistura frenética de ação e suspense, capaz de deixar o espectador sem fôlego.

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Aaron Taylor-Johnson Fica “Na Mira do Atirador”

Filmes rodados em um único ambiente e repletos de diálogos costumam restringir sua audiência, já que este tipo de narrativa não agrada a todo público. Na Mira do Atirador, novo trabalho de Doug Liman (de A Identidade Bourne, Sr. & Sra. Smith e No Limite do Amanhã), segue esta proposta e sustenta-se na velha competição entre gato e rato para expor o drama de um soldado norte-americano (Aaron Taylor-Johnson) sob a mira letal de um atirador de elite iraquiano, já ao fim da Guerra do Iraque, em 2007. Sozinho e ferido em meio à paisagem árida do deserto árabe, sua única proteção é um muro de concreto em ruínas.

A cinematografia de Na Mira do Atirador é modesta, mas eficiente em sua proposta, uma vez que não há grandes ambições. A câmera se alterna entre planos abertos, que registram o marrom do território desértico, e outros mais fechados, mantendo-se quase totalmente na figura de Isaac, o sniper americano, captando suas expressões enquanto luta contra outros inimigos, como a desidratação, a dor física (já que fora alvejado e sua mobilidade está reduzida) e, principalmente, seus conflitos psicológicos: ao tentar se comunicar com sua base utilizando seu rádio avariado, a frequência local é interceptada pelo iraquiano, que inicia uma série de provocações com Isaac. Essa dinâmica psicológica (já vista em filmes como Toque de Mestre ou Por um Fio, por exemplo) reforça o suspense pelo fato de não conhecermos o inimigo, nem mesmo sabermos onde ele se encontra. Ele pode estar perto ou longe, de um lado ou de outro – e essa desorientação (acentuada até mesmo pelos tiros lançados sem origem e direção certas) aprofunda muito o nervosismo de nosso personagem principal.

A ação tão pertinente à filmografia de seu cineasta está presente em alguns poucos instantes, já que Na Mira do Atirador concentra seu foco praticamente em um único personagem. Talvez mesmo por isso, o longa possa parecer tão estendido (ainda que conte com menos de uma hora e meia de duração). Há um excesso de didatismo na condução do protagonista (suas conclusões são sempre expressas por ele, algo desnecessário quando suas reações por si já falam), além da verborragia na construção do suposto “vilão”. Entretanto, ao fugir do “lugar comum” dos filmes de guerra, Na Mira do Atirador se destaca por sua capacidade de sufocar e entreter o espectador sem recorrer a extensas sequências de combate, valorizando a atuação de um Aaron Taylor-Johnson cada vez mais seguro em cena e uma direção de quem sabe exatamente o que quer. Com orçamento baixo e um desfecho aberto e até mesmo cômico, Na Mira do Atirador é tensão pura do início ao fim e prova que entretenimento não se faz apenas com tiro, porrada e bomba.

Bruce Willis Se Parodia em “Loucos e Perigosos”

É triste para qualquer artista se ver naquela fase da vida em que, inevitavelmente, a idade chega – e Hollywood costuma ser cruel quando isto acontece. Para além da questão estética (afinal, cá entre nós, um ator vive de sua imagem, é algo inerente ao seu trabalho), poucos são os intérpretes que conseguem se manter na ativa conquistando bons papéis. Okay, Bruce Willis chegou há pouco na casa dos sessenta e sua filmografia não é das piores. Na verdade, Willis tem uma carreira equilibrada: títulos aclamados pela crítica (Pulp FictionO Sexto SentidoMoonrise Kingdom), sucessos comerciais (O Quinto ElementoArmageddonDuro de Matar) e, claro, fiascos – dos quais seu mais recente longa, Loucos e Perigosos, faz parte.

Dirigido pela dupla Mark e Robb Cullen, Loucos e Perigosos é um filme de estilo indefinido que acompanha um detetive de Los Angeles em uma perseguição a uma gangue que roubou seu cãozinho de estimação. E quando digo “indefinido” é porque Loucos e Perigosos não sabe ao certo a que veio, já que falha em todas as vertentes que propõe. Nada funciona: nem a ação, nem a comédia, nem o suspense. Pouco mais de uma hora e meia de duração é um martírio para o público, mesmo que haja um elenco com nomes relativamente “bons” (temos um John Goodman mal aproveitado e um Jason Momoa que se esforça mas não consegue abandonar a pieguice) e um ritmo razoavelmente dinâmico. Loucos e Perigosos, em sua totalidade, parece muito mais uma sátira ao gênero – e, principalmente, aos seus personagens. É nítido que cada um deles ali é uma releitura grotesca dos estereótipos de longas de ação dos anos 80 e 90 (inclusive Willis, visivelmente ridicularizando a si mesmo). O grande problema aqui é o argumento sem pé nem cabeça que não mantém a coerência, como se tudo não passasse apenas de uma série de fragmentos isolados, juntos uma única vez com o intuito de manipular uma história que, em si, não existe. O resultado disso é um filme que serve, no máximo, como entretenimento sem compromisso em algum canal pago por aí – isto se você tiver saco para isso, afinal Loucos e Perigosos não deve ser levado a sério. Mesmo.

A Despedida de Solteira de Scarlett Johansson em “A Noite é Delas”

Em Se Beber, Não Case, um grupo de amigos vai a Las Vegas para uma despedida de solteiro. Eles brindam no terraço de um luxuoso hotel quando, em uma sacada genial de roteiro, a narrativa pula para a manhã seguinte, quando o caos da noite anterior já está instaurado. A Noite é Delas é uma versão feminina da primorosa comédia de Todd Phillips: cinco amigas se reúnem durante um final de semana em uma casa de praia em Miami para a despedida de solteira de uma delas. As coisas saem do controle, contudo, quando elas matam acidentalmente um suposto stripper.

O filme escrito (em parceria com Paul W. Downs) e dirigido pela diretora Lucia Aniello, entretanto, não consegue o mesmo êxito que o seu par temático masculino. Está, infelizmente, muito longe dele. Não porque a proposta, em si, já é batida (a antiga tese de que não há nada tão ruim que não possa ser piorado), mas porque simplesmente A Noite é Delas se perde em uma tentativa vã de se estabelecer como uma comédia “adulta” com visível apelo feminista quando, na verdade, seu argumento não vai além de um besteirol moderno. A história começa bem e, apesar de já sabermos o que virá em seguida, até nos interessamos pela trama; aos poucos, entretanto, a comicidade se esvaece e o roteiro recorre a soluções tão fáceis e triviais que são incapazes de convencer o espectador por completo.

É inegável que a figura feminina passa por uma transformação no cinema: cada vez mais, a mulher ganha espaço e destaque, sua voz é ouvida com mais atenção, inclusive fora das telas (sempre aparece alguma atriz clamando – justamente – por cachês semelhantes aos de atores nas mesmas condições). Mas colocar meia dúzia de mulheres como protagonistas e mais um punhado de personagens masculinos babacas não é a garantia de que um filme é, de fato, feminista. É preciso desenvolver minimamente sua ideia de maneira contundente ou pelo menos tê-la definida. Massacrado pela crítica e fracasso de bilheteria nos EUA, A Noite é Delas é o segundo deslize de Scarlett Johansson no ano (e, curiosamente, não é que Johansson é um símbolo sexual?). Ok, não vamos pegar pesado: A Noite é Delas não pretende em nenhum momento promover algum debate sobre o papel da mulher em nossa sociedade contemporânea e blá blá blá – mas já que se propõe a nos fazer rir, bem que poderia ser melhorzinho…

Nolan Traz Tensão da Guerra em “Dunkirk”

Ainda que eu não mantenha grande admiração pelo trabalho de Christopher Nolan, é impossível para mim ficar indiferente a qualquer obra do cineasta. Questão exclusiva de afinidade, seu estilo e suas escolhas não me agradam – e, para ser honesto, apenas a trilogia The Dark Knight me chamou realmente a atenção até aqui, ao ponto de me fazer levantar da poltrona do cinema e aplaudir seu último capítulo sem me importar com a opinião alheia. Talvez o que realmente me incomode no artista são seus fãs: Nolan não é um deus, tampouco sua filmografia irretocável. Há quem o acuse de um didatismo exacerbado; eu, particularmente, torço o nariz para suas teorias incríveis que, definitivamente, não me descem. Dito isso, partamos para Dunkirk.

A trama de Dunkirk é relativamente simples e narra os feitos da (nem tão conhecida) Operação Dínamo, que envolvia a retirada da Força Expedicionária Britânica e outros aliados do porto de Dunkirk, na França, cercado pelas tropas nazistas no início da Segunda Guerra Mundial. A história é desenvolvida em três núcleos distintos que, aos poucos, se fundem: em uma praia, onde um jovem soldado e seu amigo lutam a todo custo pela sobrevivência; no ar, onde um piloto trava uma acirrada batalha contra os aviões oponentes; e no mar, onde um civil parte em seu barco para ajudar no resgate do exército de seu país.

Dunkirk, como tudo aquilo que Nolan se propõe a fazer nos últimos tempos, é ambicioso, sobretudo no que se refere à técnica. Nolan nos entrega um filme, no mínimo, muito bem projetado: da espetacular fotografia (carregada de um cinza denso, pálido e angustiante) aos efeitos visuais e sonoros precisos, Dunkirk é uma aula de cinema. Lembram-se quando, no ano passado, Mad Max: Estrada da Fúria dominou o Oscar, faturando todos os prêmios técnicos da noite? Não me surpreenderia se, em 2018, o mesmo acontecesse com Dunkirk. Neste quesito, o único ponto que pode dividir é a trilha sonora assinada pelo veterano Hans Zimmer. Apesar de bem executada, sua onipresença incomoda em alguns momentos, principalmente naqueles em que o silêncio claramente faria mais sentido ou causaria maior impacto. Por outro lado, a composição gera um clima de tensão a todo instante e é feliz ao fazer do “tempo” um antagonista na história. Se o tempo já é praticamente um personagem nos roteiros do cineasta (afinal, ele o manipula das mais variadas formas, quase criando um novo tipo de estrutura narrativa), ele assume em Dunkirk um papel especial, que é construído minuciosamente com os acordes aterrorizantes de Zimmer, como o tique-taque de um relógio. A sensação óbvia é a de que os segundos, minutos, horas estão passando cada vez mais rápido – e é preciso lutar pela sobrevivência o quanto antes.

Entretanto, se Nolan é constantemente criticado por seus enredos mirabolantes, aqui ele opta por algo muito mais trivial. Não há desenvolvimento de personagem algum (na verdade, não há protagonistas), os diálogos são escassos e o argumento se concentra basicamente na tensão dos indivíduos em meio ao caos da guerra. Naquele ambiente hostil, eles são pessoas comuns diante do medo, da insegurança, da incerteza e aguardam por uma absolvição que não sabem, ao certo, se virá ou não. Ainda assim, não ocorre uma aproximação com o público: é como se a experiência sensorial funcionasse muito mais ao espectador de forma individual, mas não por uma questão de empatia. Isso limita Dunkink a um filme que, apesar de todas as suas qualidades, está longe de ser marcante. Alguns defensores mais fervorosos do diretor dizem que este é o longa de guerra definitivo, um divisor de águas no gênero. Infelizmente, não é isto o que acontece. Dunkirk é um uma ótima produção, daquela capaz de te fazer pular da cadeira do cinema e roer as unhas de agonia, mas que depois que acaba você percebe que nada mudou. E a vida continua.

“De Canção em Canção”: Os Fragmentos que Formam a Vida

Por mais incomuns que sejam suas narrativas, assistir a um filme de Terrence Malick é sempre uma experiência interessante. De Canção em Canção, seu mais recente trabalho (e o melhor desde o irretocável A Árvore da Vida), nos apresenta um triângulo amoroso ambientado em Austin, no Texas – cidade popularmente conhecida como a capital mundial da música ao vivo e berço de importantes festivais que abrigam os mais variados estilos musicais. Neste cenário, um produtor bem sucedido (Michael Fassbender) mantém uma relação atípica com sua assistente (Rooney Mara), até a moça se apaixonar por um jovem compositor (Ryan Gosling). O namoro se intensifica à medida que a amizade entre os rapazes se fortalece – relacionamentos estes só abalados quando o passado de romance entre a mulher e o chefe vem à tona.

De Canção em Canção pode enganar pelo título, afinal apesar de a música ser muito presente (e praticamente uma personagem, dada sua importância no desenvolvimento da trama), não estamos diante de um filme musical tradicional, mas sim de uma obra com a incrível assinatura de Malick – um cineasta muito particular, daqueles que ou você ama ou você odeia. Após uma série de produções questionáveis, Malick retoma seu modus operandi: um cinema quase voyeurístico, onde a atenção do espectador é essencial para a compreensão da história (se é que há uma história a ser compreendida). Todo detalhe é importante: cada imagem, cada diálogo solto (aparentemente sem pretensão alguma), cada gesto auxiliam na construção da narrativa. Apesar do ritmo “lento”, Malick diz muito – seja com sua câmera na mão que desliza na captura do que bem entender; nas citações a princípio sem muita conexão; nos cortes rápidos que traduzem momentos isolados de cada um de seus protagonistas; enfim, é como se, de recorte em recorte, Malick construísse seu argumento, ainda que estes “fragmentos” possam parecer aleatórios, sem um período cronológico definido ou sem sentido algum.

Com a exuberante participação de seu velho companheiro, Emmanuel Lubezki (em minha opinião, o melhor diretor de fotografia da atualidade), Malick nos entrega uma espécie mais contemplativa de Closer – Perto Demais, conduzido por gestos, monólogos (há poucos diálogos diretos) e, principalmente, pensamentos de suas personagens – o que sugere a dificuldade que estes tipos tem em externar suas emoções. O roteiro, do próprio cineasta e feito durante o processo de edição (pós-produção), valoriza as angústias, incertezas e dúvidas de seus protagonistas: eles questionam não apenas suas relações uns com os outros, mas também a si mesmos, suas virtudes e vícios, fraquezas e culpas diante das situações que ocorrem. Eles são palpáveis a seu modo, já que são capazes de refletir sobre aquilo que fazem e as consequências de suas escolhas.

De Canção em Canção traz infindáveis teorias sobre o amor e a felicidade – temas recorrentes nos últimos trabalhos de Malick. Aqui, com sua já habitual narração em off e seus personagens rodando em volta da câmera citando frases de efeito, o diretor alcança um patamar maior ao nos proporcionar um debate sobre o que é realmente necessário para ser feliz. Apesar de ter como pano de fundo uma história de amor moderna, De Canção em Canção não é um romance comum: pelo contrário, é um drama existencialista que mostra o quão frágil é o ser humano e o quão dependente somos de nossas atitudes. São elas que nos moldam e nos tornam quem somos. Em certos instantes, um vazio permeia o longa, o que cria uma atmosfera intimista, propícia para aquilo que Terrence deseja nos oferecer – uma pena que nem todos serão capazes de alcançar este estado. De Canção em Canção pode não ser o filme mais fácil, mas vai na contramão daquilo que a indústria cinematográfica tem nos ofertado atualmente – daí sua experiência ser tão incrível.

“Tour de France”: Um Retrato da Multietnia na França

Estrelado pelo veterano Gérard Depardieu e o rapper Sadek, Tour de France abandona o tradicional circuito parisiense (tão comum às produções francesas mais comerciais da contemporaneidade) para acompanhar sua dupla de protagonistas em uma espécie de “peregrinação” pela zona portuária da França – recriando os passos do pintor Joseph Vernet que, séculos atrás, foi contratado pelo monarca francês para uma série de pinturas dos portos da França). Durante o trajeto, surge uma improvável amizade entre essas duas personagens: de um lado, um membro ranzinza da classe proletária, representante da “velha guarda” preconceituosa que, como aspirante a artista, deseja cumprir a promessa que fizera à esposa falecida; na outra ponta, um jovem cantor de rap de origem árabe que faz desta viagem seu esconderijo particular, já que está ameaçado de morte no bairro em que vive.

Infelizmente, este road movie à la francesa sofre com a oscilação de sua narrativa, ora arrastada, ora ágil, em uma visível falha de ritmo que incomoda em alguns instantes (ainda que o filme seja relativamente curto). Existe também um contraste entre as atuações do corpulento Depardieu e o modesto, porém esforçado, Sadek – mas isto não é algo que torne Tour de France menos digerível. Pelo contrário, a obra de Rachid Djaidani acerta aos nos proporcionar um interessante retrato da França atual, uma nação multiétnica que acolhe os mais diversos povos – algo que foi primordial para a construção da identidade deste país e que hoje é bastante discutido. A França é um caldeirão de culturas, crenças e hábitos e o choque de gerações entre os dois personagens centrais de Tour de France acentua esse debate. O conflito entre eles é inevitável e o desenrolar da trama mais ainda: ambos têm muito a aprender um com o outro e, apesar de suas diferenças, estas duas pessoas têm muito em comum – especialmente o fato de serem humanos.