François Ozon Aposta na Diversidade e Autodescoberta do Indivíduo em “Uma Nova Amiga”

Claire e Laura se conheceram ainda no colégio e logo tornaram-se amigas. As duas cresceram inseparáveis, dividindo suas experiências da infância à idade adulta. Suas vidas tinham tudo para seguir seu curso normalmente até a morte prematura de Laura, após dar à luz a sua única filha. Devota à companheira, Claire se compromete firmemente a cuidar tanto da criança quanto de David, o viúvo – até o dia em que Claire é surpreendida com um fato completamente novo: David é flagrado vestindo as roupas da falecida. A situação é um tanto quanto “bizarra” – ou, pelo menos, inesperada. Mas aí vem a explicação: o rapaz sempre gostara de se vestir como mulher – e, segundo ele, sua própria esposa sabia de sua preferência, apesar de David ter aprisionado essa “personalidade” durante muito tempo para manter as conveniências do matrimônio. O problema é que com a morte de Claire, essa figura “feminina” interior agora quer se libertar.

01Uma Nova Amiga traz abertamente um tema que ainda é tabu: a questão de gênero. Confesso que fiquei surpreso com a trama (até mesmo porque o trailer pouco revela sobre a história) e logo me recordei de Laurence Anyways, de Xavier Dolan – longa de 2012 que também falava sobre o assunto. No entanto, a abordagem sobre gênero é o único ponto em comum com o filme do cineasta canadense, pois Uma Nova Amiga nos traz alguns elementos que nos remetem vagamente à obra do espanhol Pedro Almodóvar, especialmente na forma como Virgínia (a versão feminina de David) se desenvolve e, aos poucos, toma espaço, se tornando praticamente a personalidade dominante – tanto que chega um instante na fita em que Claire quase se convence de que o melhor meio de David lidar com o luto pela morte da esposa é através de Virgínia, assim como ela mesma, que encontra na nova amiga uma razão para sua existência abalada.

Com uma fotografia competente (cujas cores também nos transportam ao universo de Almodóvar) e uma boa cenografia, Uma Nova Amiga flerta de maneira bastante pontual com vários estilos, desde o drama intimista (como no irreparável prólogo, que apresenta todas as fases da amizade entre Claire e Laura), a comédia e também o suspense – principalmente nas sequências de sonhos eróticos de Claire). Além disso, a trilha sonora contribui muito para o desenvolvimento da narrativa, acentuando o tom dramático através de acordes de piano envolventes. Por sua vez, o elenco cumpre bem sua função: se Anaïs Demoustier é eficientemente sóbria na construção de Claire, Romain Duris é, no mínimo, excepcional, se entregando totalmente à personagem. Sua atuação é bastante expressiva, sobretudo no olhar do ator, capaz de trazer toda ternura tanto a David quanto a Virgínia.

É interessante analisar a capacidade de François Ozon em percorrer os mais diversos temas e gêneros com total desenvoltura. Um dos maiores expoentes do novo cinema francês e um dos mais ativos cineastas contemporâneos (com, no mínimo, uma produção por ano), sua obra não é unânime – o que é compreensível, haja visto o período entre seus projetos. Uma Nova Amiga, por exemplo, está longe de ser o momento mais inspirado do diretor, mas possui uma identidade marcante que o torna um título obrigatório na filmografia do artista. Apesar de faltar ousadia, Ozon não decepciona ao trazer à discussão um assunto ainda polêmico, mas tratando-o com muita delicadeza, valorizando a inocência da transformação de sua personagem principal. Uma Nova Amiga é um filme que celebra brilhantemente a diversidade – e, sobretudo, a autodescoberta do indivíduo.

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As Parcerias Mais Famosas do Cinema

Dizem que em time que está ganhando não se mexe. Pois em Hollywood isso acontece com frequência – pelo menos a julgar pela quantidade de parcerias rentáveis que acompanhamos nas telonas. Obviamente, todo diretor tem um carinho especial por algum ator ou atriz e as “dobradinhas” acabam sendo inevitáveis – e tornam-se mais frequentes quando são frutíferas. Por esta razão, selecionei aqui as 10 parcerias mais famosas que já passaram nos cinemas. Veja quem são os queridinhos de alguns diretores e quais nomes são obrigatórios na folha de pagamento dessa galera…

1. Woody Allen & Diane Keaton
Se você acha que a única musa de Woody Allen é a loura e sensual Scarlett Johansson (várias vezes considerada a mulher mais sexy do mundo), está enganado. Muito antes de dirigir a bela atriz, Woody tinha como parceira de filmagem sua ex-mulher Diane Keaton, que trabalhou com o diretor em filmes como ManhattanNoivo Neurótico, Noiva NervosaA Era do Rádio, entre outros.

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2. Martin Scorsese & Leonardo DiCaprio
Ao que tudo indica, DiCaprio caiu não apenas nas graças do público, mas também do excêntrico Scorsese, que dirigiu o galã pela primeira vez no renomado Gangues de Nova York. Depois deste, vieram O Aviador, Os Infiltrados (que deu o Oscar de melhor diretor a Scorsese), Ilha do Medo e, com lançamento previsto para 2014, O Lobo de Wall Street.

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3. Quentin Tarantino & Samuel L. Jackson
Nosso bom e velho Tarantino tem o dom nato de extrair o melhor da atuação de seu elenco. Samuel L. Jackson foi um dos premiados que tiveram a oportunidade de ser dirigido pelo badalado diretor. Suas parcerias podem ser conferidas em Pulp FictionJackie BrownKill Bill: Volume 2Bastardos Inglórios (narrando) e, recentemente, em Django Livre.

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4. Ridley Scott & Russell Crowe
Famoso por suas ficções científicas que o consagraram, Ridley dirigiu o taciturno Crowe em alguns filmes famosos do diretor, como GladiadorRobin Hood. Além desses, os dois também trabalharam juntos em Rede de MentirasO GângsterUm Bom Ano.

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5. Alfred Hitchcock & James Stewart
O mestre do suspense sempre teve uma queda por protagonistas louras – mas também chegou a ter um “queridinho” no time dos protagonistas masculinos e ele foi James Stewart, que emprestou seus dotes de atuação em clássicos do diretor, como Janela Indiscreta, Festim Diabólico, O Homem Que Sabia DemaisUm Corpo Que Cai. Vale a pena também citar a parceria de Hitchcock com Grace Kelly, que trabalhou com Hitchcock em filmes como Ladrão de Casaca, o já citado Janela IndiscretaDisque M Para Matar.

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6. Martin Scorsese & Robert De Niro
Se os mais jovens associam Scorsese a DiCaprio, vale lembrar a ótima parceria do diretor com Robert De Niro. Ao longo de suas respectivas carreiras, foram oito produções da dupla, incluindo Taxi Driver, Os Bons CompanheirosNew York, New York e, obviamenteTouro Indomável – considerado por muitos como um dos melhores filmes da história. Diz a lenda ainda que foi De Niro que ajudou Scorsese a largar a cocaína, quando teria exigido que o diretor abandonasse o vício para que trabalhasse em um de seus longas.

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7. John Ford & John Wayne
Provavelmente, a parceria entre John Ford e John Wayne é a maior na história do cinema. Caracterizada pelos clássicos de faroeste e dramas de guerra, a união rendeu filmes indispensáveis para qualquer cinéfilo inveterado, como Rio GrandeA Conquista do OesteNo Tempo das DiligênciasAsas de Águia.

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8. Pedro Almodóvar & Penélope Cruz
Assumidamente homossexual, Pedro sempre deu um foco especial às “heroínas” de suas histórias. Sua primeira musa foi a atriz Carmem Maura (que trabalhou com o diretor em seu primeiro longa), artista que dirigiu em vários projetos na década de 1980. Entretanto, os mais jovens conhecem Almodóvar por sua constante escolha por Penélope Cruz, com quem trabalhou em Carne Trêmula, Tudo Sobre Minha MãeVolverAbraços Partidos – e um quinto filme já está em andamento. Vale também ressaltar a parceria de Almodóvar com Antonio Banderas, responsável por popularizar o ator em Hollywood.

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9. David Fincher & Brad Pitt
Particularmente, não sou fã nem de um nem do outro, mas temos que admitir que a parceria entre Fincher e Pitt rendeu três filmes cultuadíssimos nos meios cinematográficos – os thrillers SevenClube da Luta e o drama O Curioso Caso de Benjamin Button (este último que faturou 13 indicações ao Oscar).

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10. Tim Burton & Johnny Depp
Burton sempre teve um time de artistas preferidos que se tornaram amigos do diretor. Entre eles, destacam-se o compositor Danny Elfman (que fez a trilha de praticamente todas as obras de Burton), Christopher Lee ou Helena Bonham-Carter, atual companheira do diretor. Mas certamente nenhuma dessas parcerias pode ser comparada ao universo que foi criado entre Burton e Johnny Depp. Juntos, a dupla trabalhou em oito produções (Edward Mãos de TesouraEd WoodA Lenda do Cavaleiro Sem CabeçaA Noiva CadáverA Fantástica Fábrica de ChocolateSweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua FleetAlice no País das MaravilhasSombras da Noite). Hoje, é uma das parcerias mais rentáveis dos últimos anos e uma das mais conhecidas – afinal, assistir filme do Burton é ter a certeza de encontrar Johnny Depp caracterizado de forma tresloucada.

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