Os negócios não vão lá muito bem para as irmãs Macey e Savanna: proprietárias de um estabelecimento às moscas, elas estão à beira da falência. Complicando ainda mais a situação, o banco acabara de negar um novo empréstimo às “empresárias”. Mas a dupla vislumbra uma luz no fim do túnel ao descobrir que sua tia Hilda está doente, praticamente com o pé na cova. Na esperança de se tornarem as beneficiárias de sua pomposa herança, elas decidem encarar a difícil tarefa de agradar a parente rabugenta. O que elas não imaginavam é que seus primos teriam a mesma ideia – e agora todos eles querem abocanhar uma parte dessa grana.

Dirigido por Dean Craig (jovem diretor e roteirista londrino, sem títulos relevantes a serem mencionados), Guerra Entre Herdeiros é uma comédia bastante competente em sua missão: um entretenimento sem culpa. Sem pretensões de ser um clássico exemplar do gênero, o filme assegura boas risadas através de um texto ágil e politicamente incorreto, que não busca reinventar a roda, mas sabe utilizá-la de maneira eficiente, na medida certa. A trama, que não é necessariamente original (familiares tentando por as mãos em uma herança), consegue aproveitar o melhor de seu elenco, com tipos provavelmente já vistos anteriormente, mas que funcionam em conjunto. Cada uma das irmãs, por exemplo, possui personalidades distintas: enquanto a mais jovem Savanna é a que age inconsequentemente e sem qualquer pudor, Macey é a mais contida, sobrevivente de dois divórcios e uma trajetória sem muito sucesso (o cansaço é visível em seu rosto). A insuportável tia Hilda, por sua vez, só tem olhos para os sobrinhos Beatrice e Richard – ela, uma esnobe de valores questionáveis; ele, um “sem noção” que não perde uma única oportunidade de se declarar para a prima. Em comum, esses primos só têm uma coisa: a coragem dos maiores absurdos para conquistar essa “mamata”, o que certamente garante momentos hilários ao longo da história.
Com um elenco em sintonia (importante citar as ótimas performances das protagonistas Toni Collette e Anna Faris), um roteiro com humor e que insere humanidade em cada um de seus personagens, além de uma trilha sonora seleta – Guerra Entre Herdeiros mostra que, afinal de contas, não existe família perfeita: todos temos nossas rusgas, desavenças e mágoas e, em algumas circunstâncias, elas não serão saradas. E está tudo bem. Guerra Entre Herdeiros é um belo caso de filme que não promete nada, mas entrega tudo. Ok, “tudo” é um exagero – mas para quem estiver afim de passar o tempo de forma descompromissada, Guerra Entre Herdeiros é uma boa pedida. Direto naquilo que objetiva, é uma comédia simples, sem enrolação – e, principalmente, sem medo de ser o que é.