Missão de Sobrevivência (Kandahar)

Livremente inspirado em eventos reais (histórias do roteirista Mitchell Lafortune, que esteve em atividade no Afeganistão como oficial da Agência de Inteligência de Defesa), Missão de Sobrevivência acompanha Tom Harris, um agente secreto a serviço da CIA que tem sua identidade revelada, após uma bem-sucedida missão que destruiu instalações nucleares iranianas. Caçados por todos em meio a um território hostil, Harris e seu tradutor precisam atravessar o deserto até um ponto de fuga em Kandahar para poderem retornar aos seus países de origem.

Missão de Sobrevivência é um filme que, em alguns aspectos, é bem executado tecnicamente. É inegável a eficiência de sua fotografia, que percorre a vastidão do deserto em cenas de perseguição empolgantes; ou mesmo nas sequências de combates noturnos, que até parecem emular a ambientação de jogos (como Call of Duty) – inclusive com a visão em primeira pessoa, o que aflige o espectador de maneira positiva. A montagem, por sua vez, poderia ser mais enxuta, economizando alguns minutos de projeção, tornando o longa mais palatável. Já a trilha sonora contribui para o clima de tensão da história, oscilando momentos abafados e outros que crescem à medida que a narrativa se desenrola.

No entanto, muito provavelmente o grande problema de Missão de Sobrevivência seja a estrutura de seu roteiro: talvez justamente por se tratar de um punhado de relatos a princípio não fictícios (o próprio Lafortune declarou em entrevistas que seu Tom Harris tem características de vários tipos que conheceu ao longa das missões que participou) , tudo é tratado de forma muito direta, seca, concisa. Em outras ocasiões isso não seria necessariamente algo prejudicial; mas o filme dirigido por Ric Roman Waugh possui uma infinidade de ‘lados”: temos o Talibã, iranianos, Estado Islâmico, paquistaneses – tudo de forma atabalhoada, o que embaralha os episódios. A sensação é única: todo mundo quer a cabeça do protagonista de Gerard Butler (em atuação discreta, mas funcional), mas ninguém parece ao certo saber o porquê. Sem essas motivações às claras, é difícil sustentar uma produção de quase 2 horas, principalmente quando há poucas cenas de ação, de combate – embora as que existam sejam razoavelmente bem articuladas. No final, Missão de Sobrevivência é nitidamente um filme de ação genérico, que serve como entretenimento, mas não representa nada minimamente relevante para o gênero.