Matemático Indiano é Protagonista de “O Homem Que Viu o Infinito”

01Ambientado às vésperas da Primeira Guerra Mundial, no início do século XX, O Homem Que Viu o Infinito acompanha a trajetória do indiano Srinivasa Ramanujan (Dev Patel), um dos maiores matemáticos de sua época, que contribuiu ativamente em inúmeras áreas do conhecimento aritmético, como a teoria dos números, séries infinitas, frações continuadas, entre outros. Nascido em uma pequena cidade da Índia e sem nenhuma formação acadêmica, o jovem é incentivado a publicar seus trabalhos na Inglaterra, contando para isso com a ajuda do professor G. H. Hardy (Jeremy Irons) que, confiando em seu potencial, leva o rapaz à universidade.

A verdade é que a cinebiografia não é um gênero fácil e merece cuidado – em especial quando se traz às telas uma personalidade não muito conhecida. Mas também é fato que, quando bem executada, uma cinebiografia costuma arrancar elogios da crítica. As últimas edições do Oscar, por exemplo, tiveram bons representantes deste tipo de narrativa em suas principais categorias. Em 2011, O Discurso do Rei foi o grande vencedor da noite; em 2014, foi a vez de 12 Anos de Escravidão faturar o prêmio mais disputado do evento; no ano seguinte, O Jogo da Imitação e A Teoria de Tudo concorriam ao título de melhor filme (e, curiosamente, estas duas produções são bem “parecidas”: a história de vida de um gênio). E O Homem Que Viu o Infinito parece justamente apostar nessa linha almejando, provavelmente, algumas estatuetas.

Infelizmente, O Homem Que Viu o Infinito fica à beira de todas as produções citadas anteriormente. O roteiro não apresenta um retrato mais intimista de seu protagonista, limitando-se a tratar de suas descobertas com total superficialidade. Concordo, como alguns possam argumentar, que se tratando de um filme sobre matemática qualquer abordagem mais “técnica” possa dispersar o espectador, mas isso não é desculpa para mostrar seu trabalho de forma tão medíocre. Além disso, o personagem principal não despertar muita empatia por duas razões simples: seu ego e o fato de se colocar constantemente como vítima. O filme tenta trazer à tona os problemas de racismo e xenofobia comuns àquela região durante o período, mas o público já está tão indiferente a Ramanujan que isso fica quase ignorado. Com isso, é o antagonista da trama que desperta curiosidade – um professor ateu, duro e disciplinado, mas nem por isso vilanizado (felizmente, fugindo dos estereótipos).

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O Homem Que Viu o Infinito tem o perfil de filme que chama a atenção de qualquer produtor devido ao seu imenso potencial. O grande problema é que o longa mira em algo do tipo Uma Mente Brilhante, mas acaba falhando nessa empreitada, tanto em técnica (que montagem mais estranha, hein?) quanto em conteúdo. O Homem Que Viu o Infinito peca por não sair de seu lugar comum, de sua mesmice, limitando-se totalmente a contar uma história – e nem isso consegue fazer direto.

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