“Correndo Atrás”: Um Filme Nacional ‘Black’

Assim como muitos brasileiros, o (nem tão) malandro Ventania se vira como pode: ele vive de pequenos bicos, pulando de emprego em emprego só para pagar as contas que se acumulam a cada dia (inclusive os meses de pensão atrasada do filho, os cortes de cabelo fiados no salão do Sr. Aníbal e os empréstimos com os amigos de sua pequena comunidade). Apesar disso, Ventania não perde o bom humor e a esperança, trazendo sempre um belo sorriso no rosto.

Baseado no livro Vai na Bola, Glanderson, de Hélio de La Peña (que assina o roteiro ao lado do diretor, Jeferson Dê), Correndo Atrás  não é, necessariamente, um título muito relevante na filmografia tupiniquim – exceto pelo fato de ter um elenco composto quase exclusivamente por atores negros (quase, porque temos um Tonico Pereira e uma Dadá Coelho em participações especiais). Correndo Atrás  é uma daquelas típicas comédias nacionais, cuja cinematografia está longe de ser excepcional (embora o filme seja bem produzido, é verdade). A trama é simples em sua proposta, apresentando certa dose de previsibilidade e soluções um tanto fáceis em inúmeras cenas – principalmente a partir do momento em que Ventania decide “empresariar” o jovem Glanderson, um adolescente pobre com um incrível talento no futebol.

Não obstante, Correndo Atrás  é um longa deliciosamente divertido, daqueles em que você sai do cinema muito satisfeito. O humor funciona bem, as piadas são realmente engraçadas e somos presenteados com a ótima atuação de Ailton Graça, em seu primeiro protagonista. Ventania é um herói de fácil identificação: mesmo em meio às dificuldades da vida, ele nunca desiste (ou talvez não o faça justamente porque não o possa). Ventania é o retrato de muitos cidadãos brasileiros por aí e é certeza que você já deve ter ouvido alguma de suas histórias em uma mesa de bar com os amigos, uma conversa entre os vizinhos ou mesmo de algum parente mais distante. É esta fotografia do “homem brasileiro comum”  que torna Correndo Atrás  também uma crítica social (talvez não muito profunda, ok) à forma como enxergamos a negritude no país, em especial aquela pertencente às camadas menos favorecidas da população – e o humor é um excelente instrumento de crítica e reflexão, convenhamos. Não que o filme seja panfletário; longe disso, Correndo Atrás  é puro entretenimento. Mas é sempre gratificante ver o negro ganhando seu merecido espaço no cinema.

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