O Dia do Atentado (Patriots Day)

Em 2013, durante sua famosa Maratona de Boston, no feriado do Dia do Patriota, os EUA sofriam seu maior ataque terrorista desde o 11 de Setembro. Este triste acontecimento serve de material para O Dia do Atentado, novo filme do cineasta Peter Berg, que se utiliza de relatos policiais, reportagens investigativas e registros reais para documentar as horas seguintes ao atentado que chocou todo o mundo.

Talvez seja difícil para nós, brasileiros, entendermos o real significado e amplitude de uma produção como esta, afinal ainda que enfrentemos diariamente inúmeros problemas sociais, temos o privilégio de vivermos em um país “pacífico”, ao menos em relação ao cenário externo. Hoje, os EUA é uma nação que vive a iminência de uma nova tragédia a todo instante – especialmente nos últimos dias, com a crescente tensão decorrente dos conflitos ocorridos na Síria. Portanto, nos colocarmos na posição de uma população tomada pelo medo seria fundamental para compreendermos o que é O Dia do Atentado.

Infelizmente não é preciso tanto. Assim como tantos outros longas do gênero, O Dia do Atentado mantém seu foco no heroísmo, no brilhantismo norte-americano e sua supremacia ao invés de se aprofundar em uma discussão que nos permita entender o contexto social em que esses acontecimentos estão inseridos. Em um estilo quase documental, o filme se concentra nas artimanhas policiais em busca dos responsáveis pelo crime, exaltando seus heróis “anônimos” e, principalmente, o sentimento de união e solidariedade do povo norte-americano (algo que, para mim, é louvável e deveria ser imitado por todos). Para além disso, falta à narrativa um elemento novo: quem acompanhou a repercussão do caso à época sabe exatamente o que esperar. Apesar de ser competente em sua proposta, apostando suas fichas em um elenco de peso (Mark Wahlberg, em sua terceira parceria com Berg, divide a tela com Kevin Bacon e o recém oscarizado J.K. Simmons), O Dia do Atentado se limita apenas a um simples registro deste fatídico e triste dia na história norte-americana, incapaz de nos fazer envolver pela produção enquanto obra cinematográfica.

Ted 2 (Ted 2)

Cá entre nós: Ted, de 2012, nunca foi lá um grande filme. Ok, tinha umas piadas bem sacadas, um elenco razoavelmente em sintonia e até um bom argumento – mas seu sucesso se deve muito mais à novidade do projeto (e do personagem principal, obviamente) do que pelo longa em si. Por isso, admito que me surpreendi quando anunciaram uma continuação para a história. E assim, estréia essa semana Ted 2 – mais um título que figura na lista de sequências desnecessárias.

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Ted (o ursinho de pelúcia politicamente incorreto e viciado em maconha, para citar algumas de suas “qualidades”) está casado com Tami-Lynn, porém o casamento vai de mal a pior. Para salvar a relação, os dois decidem adotar uma criança (já que, como brinquedo que é, Ted não pode engravidar sua esposa – e mesmo se o pudesse fazer, Tami é estéril). A ideia esbarra em um problema: aos olhos da lei, Ted é apenas um “objeto”, daí ser considerado uma propriedade. Diante disso, o boneco crava uma acirrada disputa judicial para provar que não é um simples brinquedo e conquistar seus direitos civis.

A verdade é que Ted 2 tem potencial, utilizando-se de todos os mesmos recursos de seu antecessor. Já de cara, há inúmeras referências à cultura pop, especialmente sobre séries e filmes (Star Wars versus Star Trek – boa!), todas revestidas de um humor ácido que já imperava na fita anterior. Visualmente, é ainda admirável o fato de que esta é uma das produções onde realidade e animação são os mais próximos possíveis: Ted parece real – e, por incrível que pareça, Mark Wahlberg tem uma química bacana em cena com o urso. Os dois, definitivamente, são melhores amigos e isso contribui para que o Ted se torne um personagem cada vez mais “humano”.

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No entanto, tudo o que o filme podia ser não foi – e ao longo de quase duas extensas horas, o espectador se cansa do roteiro arrastado e sem rumo definido. Outras escolhas acabam não sendo muito interessantes também, como o uso do mesmo vilão e a personagem de Amanda Seyfried – chatíssima e muito longe de ter a presença feminina da estonteante Mila Kunis. Mas talvez o maior erro do filme de Seth MacFarlane seja ter sido produzido. O impacto não se repetiu aqui e a originalidade, é claro, já não existe. A comédia falha: as piadas ficam escassas, fracas e pouco atrativas – e por mais que o longa seja “bonitinho”, ele já não tem aquele poder de chocar o público. É como se Ted 2 ficasse mais “sério” – o que faz com que ele perca ligeiramente o encanto inicial.