Muti: Crime e Poder (The Ritual Killer)

O detetive Lucas Boyd (Cole Hauser) passou por um trauma que ainda o atormenta: a morte prematura de sua filha. Sua vida, a partir daí, apenas acontece, dia após o outro: é nítido que sua existência já não tem o mesmo sentido. Sua rotina indiferente muda quando Boyd recebe um novo desafio: rastrear um serial killer que mata suas vítimas de acordo com um ritual tribal conhecido como “muti”, uma antiga prática de magia negra. Nessa jornada em busca do criminoso, Boyd recorre à ajuda do professor Mackles (Morgan Freeman), um antropólogo especialista em estudos africanos que é o único que pode entender a loucura por trás dos métodos sinistros do assassino.


Muti: Crime e Poder é um suspense que não chega a obter qualquer relevância dentro da extensa lista de histórias sobre assassinos em série que pipocam no universo cinematográfico. A despeito de uma premissa interessante (a ideia de relacionar os crimes brutais com uma prática de feitiçaria, o que poderia ser explorado mais satisfatoriamente – vide a cena final inusitada), a trama não vai além de um punhado de clichês do gênero: não importa o quanto o roteiro (não) se esforce, ele não consegue avançar em suas obviedades. O desenvolvimento dos personagens também se mostra deficiente, especialmente do vilão forçado, cuja ‘onipotência’ não é crível e produz sequências duvidosas. Embora este não seja o trabalho de estreia de George Gallo, é notória a sensação de amadorismo da produção, desde a direção e suas escolhas questionáveis às atuações triviais de um elenco pouquíssimo inspirado (do protagonismo insosso de Cole Hause a um Morgan Freeman ligado no automático). No fim, Muti: Crime e Poder se configura como versão requentada de vários longas que já vimos anteriormente, mas apresentado de forma mediana, sem entusiasmo e incapaz de valorizar sua temática, perdendo assim a própria identidade.

Ruth & Alex (5 Flights Up)

Todo artista reclama que, com a idade, as chances de conquistar bons papéis na TV, teatro ou cinema são cada vez mais escassas. No entanto, parece que os romances estrelados pelo pessoal da terceira idade vem ganhando maior espaço nos últimos anos – e Ruth & Alex é mais um destes exemplares que estreia nas salas nacionais esta semana.

Ruth & Alex acompanha o casal homônimo interpretado por Diane Keaton e Morgan Freeman. Os dois estão juntos há mais de quarenta anos e planejam vender o apartamento no Brooklin onde moraram durante toda sua vida. Com o auxílio de uma corretora imobiliária (e sobrinha de Ruth), eles organizam um dia de visitação para os possíveis compradores – e durante esse período, eles terão de conviver com a doença de seu animal de estimação, os lances e disputas dos interessados pelo imóvel e um possível ataque terrorista àquela região.

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Com uma trama leve e sem muitas aspirações, Ruth & Alex ganha pontos com a química entre os veteranos Freeman e Keaton. Não que os seus personagens ajudem muito – a bem da verdade, eles chegam até a ser mais do mesmo: enquanto Diane está fazendo o mesmo tipo que a acompanha durante boa parte de sua carreira, Morgan é um daqueles artistas desiludidos, que custa a acreditar que alguém possa se interessar por sua arte. O que acontece aqui é que a história não cativa. Apesar de algumas tramas paralelas, a narrativa não foge muito daquele núcleo “casal quer vender casa” e tudo gira em torno disso, em um excesso de situações que não provocam humor e nem emocionam o suficiente. Me incomodou profundamente os altos e baixos que acompanham a venda do imóvel do casal – e é justamente nisso que o filme se baseia e só. Apesar de até recorrer a alguns flashbacks para mostrar os acontecimentos da vida do casal (o primeiro encontro, o preconceito da família da noiva, a descoberta de que ela não poderia engravidar, etc.), eles são carregados ainda por uma narração off excessivamente didática do personagem masculino, que prejudica a forma como o longa é desenvolvido.

Ruth & Alex fala sim dos desafios do amor e da vida na terceira idade, mas não consegue aproveitar todo o potencial de seu elenco, que apesar de carismático não é capaz de sustentar roteiro desestimulante. Faltou sair um pouco do ambiente do apartamento, criando algum clímax que justificasse o filme em si. Equilibrado, Ruth & Alex não deixa de ter uma proposta interessante e até merece ser conferido, mas não se pode esperar muito dele. É como quando chegamos a uma determinada idade e, ao invés de encararmos novos desafios e vivermos, passamos apenas a aceitar os fatos passivamente. Ruth & Alex é um pouco assim: limitou sua proposta à rotina pacata de seus protagonistas e por isso faltou mais o que contar…