“Ruth & Alex”: Romance na Terceira Idade

Todo artista reclama que, com a idade, as chances de conquistar bons papéis na TV, teatro ou cinema são cada vez mais escassas. No entanto, parece que os romances estrelados pela terceira idade vem ganhando maior espaço nas artes nos últimos anos – e Ruth & Alex é mais um destes exemplares que estréia nas salas nacionais esta semana.

Ruth & Alex acompanha o casal homônimo interpretado por Diane Keaton e Morgan Freeman. Os dois estão juntos há mais de quarenta anos e planejam vender o apartamento no Brooklin onde moraram durante toda sua vida. Com o auxílio de uma corretora imobiliária (e sobrinha de Ruth), eles organizam um dia de visitação para os possíveis compradores – e durante esse período, eles terão de conviver com a doença de seu animal de estimação, os lances e disputas dos interessados pelo imóvel e um possível ataque terrorista àquela região.

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Com uma trama leve e sem muitas aspirações, Ruth & Alex ganha pontos com a química entre os veteranos Freeman e Keaton. Não que os seus personagens ajudem muito – a bem da verdade, eles chegam até a ser mais do mesmo: enquanto Diane está fazendo o mesmo tipo que a acompanha durante toda sua carreira, Morgan é um daqueles artistas desiludidos, que custa a acreditar que alguém possa se interessar por sua arte. Mas juntos, os atores protagonizam bons momentos, fazendo com que o público quase esqueça que estão ali e embarque definitivamente na história daquele casal de idosos.

Mas é aí que eu encontro o grande problema de Ruth & Alex: a história não cativa. Apesar de algumas tramas paralelas, a narrativa não foge muito daquele núcleo “casal quer vender casa” e tudo gira em torno disso, em um excesso de situações que não provocam humor e nem emocionam o suficiente. Me incomodou profundamente os altos e baixos que acompanham a venda do imóvel do casal – e é justamente nisso que o filme se baseia e só. Apesar de até recorrer a alguns flashbacks para mostrar os acontecimentos da vida do casal (o primeiro encontro, o preconceito da família da noiva, a descoberta que ela não poderia engravidar, etc.), eles são carregados ainda por uma narração off excessivamente didática do personagem masculino, que prejudica a forma como o longa é desenvolvido.

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Ruth & Alex fala sim dos desafios do amor e da vida na terceira idade, mas não consegue aproveitar todo o potencial de seu elenco, que apesar de carismático não é capaz de sustentar o roteiro. Faltou sair um pouco do ambiente do apartamento, criando algum clímax que justificasse o filme em si. Equilibrado, Ruth & Alex não deixa de ter uma proposta interessante e até merece ser conferido, mas não se pode esperar muito dele. É como quando chegamos a uma determinada idade e, ao invés de encararmos novos desafios e vivermos, passamos apenas a aceitar os fatos passivamente. Ruth & Alex é um pouco assim: limitou sua proposta à rotina pacata de seus protagonistas e por isso faltou mais o que contar…

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