Especialista em Crise (Our Brand is Crisis)

Baseado em fatos reais ocorridos na Bolívia no início dos anos 2000, Especialista em Crise segue a jornada de um grupo de assessores norte-americanos em atividade no país sul-americano durante uma eleição presidencial. O candidato Pedro Castillo vai de mal a pior nas pesquisas e para reverter a situação a consultora política Jane (Sandra Bullock) é convocada às pressas. Jane, que está afastada das campanhas políticas depois de uma derrota esmagadora e agora leva uma vida pacata longe da agitação da cidade grande, aceita o desafio – que fica ainda maior quando ela descobre que terá que enfrentar novamente seu principal adversário, o inescrupuloso Pat Candy (Billy Bob Thornton).

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É um fato que a melhor parte de Especialista em Crise é sua protagonista, a queridinha Bullock. De resto, tudo parece incomodar bastante em um filme que tinha tudo para ser interessante, mas infelizmente deixa a desejar. É perceptível a falta de “personalidade” da narrativa: é uma mescla de comédia descompassada, dramas superficiais, sequências desestimulantes, em um roteiro tão raso que parece estar por um fio a todo momento. O diretor David Gordon Green (que não tem nada muito relevante em sua filmografia) evidentemente perde a mão no tom da obra e desperdiça, assim, um elenco amistoso (Sandra chegou até a ser cogitada à uma indicação ao Oscar de melhor atriz), uma história com potencial e uma proposta que poderia ser muito melhor aproveitada caso houvesse um argumento mais bem definido. O longa começa em uma atmosfera mais “séria”, com um certo teor político, mas muda de tema, depois volta nele, vai para outro, retorna – e tudo vai caminhando em uma espiral sem qualquer interesse. Nisso, nem a simpatia de Bullock consegue fazer milagre: Especialista em Crise é, literalmente, uma crise do início ao fim.

Gravidade (Gravity)

Concorde você ou não, Gravidade, novo trabalho de Alfonso Cuarón, é um sucesso de público e crítica. É quase unanimidade que Gravidade vai aos poucos deixando as salas de cinema ao redor do mundo se consagrando como um dos melhores filmes do ano – e um dos mais elogiados produtos do gênero.

A trama de Gravidade se passa no espaço, na órbita terrestre, onde um grupo de astronautas e cientistas trabalha na instalação de novas peças do telescópio Hubble. Entre eles, estão a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock, de quem falaremos adiante…) e o comandante da empreitada, o “boa praça” Matt Kowalsky (George Clooney, mais simpático do que nunca). No entanto, algo inesperado acontece: uma nuvem de detritos espaciais atinge o equipamento principal, deixando Stone e Kowalsky à deriva no meio do nada – na imensidão e escuridão do espaço.

Há quem diga que Gravidade surpreende por conseguir prender a atenção do telespectador ao longo de sua uma hora e meia, ainda que seu roteiro seja bem econômico. Particularmente (e reforço o “particularmente” – já que aqui é questão de gosto mesmo…), a narrativa tem alguns momentos de marasmo, mas que não chegam necessariamente a cansar o espectador; pelo contrário, devido a sua curta duração, temos até mesmo a sensação de que tudo se passa rápido demais e que o filme poderia até mesmo ser estendido (o que Cuarón sabiamente não o fez).

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Contando uma história de sobrevivência, Gravidade é centrado totalmente em Bullock. Sua atuação é louvável: simples, direta, nada exagerada. No decorrer da trama, ficamos atordoados com sua respiração ofegante – praticamente sentindo todo seu desespero ao se ver sozinha, perdida na escuridão e longe de casa. Uma das apostas mais cotadas para o Oscar de melhor atriz no próximo ano, Sandra carrega nas costas uns 80% do filme. Claro que não sentiríamos o desespero de Ryan sem o belíssimo trabalho de câmera que Cuarón faz – utilizando-se de longos planos sem cortes, que saltam de dentro para fora dos capacetes de suas poucas personagens, o que acentua a aflição que nossos protagonistas sentem durante sua viagem.

Gravidade é puro cinema espetáculo. E para este fim, é uma produção que funciona muito bem. Ele chega já mostrando para o que veio: impressionar. Apesar dos erros com a realidade espacial (já tem gente utilizando isso para criticar o longa) e o pouco desenvolvimento dado às suas personagens (tem até uma tentativa de drama ao abordar a perda da filha de Ryan, mas que falha miseravelmente…), nada importa se você ficar de olhos abertos durante toda a sua exibição. Cuarón dá uma aula de boa utilização de efeitos visuais e fotografia/edição impecáveis, criando ótimas sequências. Com poucos diálogos, o filme ainda consegue abordar uma história de superação como poucos outros. Ryan é um típico exemplo de personagem que apesar de ter perdido tudo, ainda decide viver – o que faz de Gravidade também uma bela metáfora para os nossos dias.