“Walter”: Filme ‘Indie’ Narra o Desafio do Luto

Aos dez anos, Walter Gary Benjamin perdeu o pai em decorrência de um câncer – mas o garoto não conseguiu lidar muito bem com essa perda. Desde então, ele é criado pela mãe super protetora em uma pacata cidadezinha norte-americana, onde ele executa uma missão que acredita ter recebido de Deus: determinar o destino das pessoas após a morte, enviando-as para o céu ou o inferno. Para facilitar as coisas, ele é o bilheteiro de um cinema local, onde centenas de indivíduos passam diariamente – e onde ele se apaixona por uma colega de trabalho.

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Walter é um daqueles filmes que pertencem à safra de produções “fofas”, cult – que a galera indie adora. De fato, o debut da cineasta Anna Mastro é leve e agradável de se assistir – em parte, isto é causado pela ótima fotografia da obra, repleta de luz e cores, o que favorece muito a ambientação. A trilha também ganha destaque em sua simplicidade e originalidade – há até espaço para Hero, da banda californiana Family of the Year (que já havia sido bem recebida em Boyhood – Da Infância à Juventude), com aquela atmosfera folk que empresta certo charme à narrativa. O argumento, por sua vez, é devidamente desenvolvido ao longo da fita, delineando bem suas personagens – o que permite ao elenco nos entregar boas atuações. Andrew J. West (da série The Walking Dead) mostra competência como protagonista, concedendo bastante doçura e sensibilidade a Walter – aliás, Andrew é um rosto a ser observado mais de perto a partir de agora. O veterano William H. Macy também apresenta uma boa performance como o psiquiatra de Walter (aquele tipo que é mais estranho do que o próprio paciente), enquanto Virginia Madsen segura as pontas na pele da mãe do personagem título.

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Se há os que encarem Walter apenas como um filme “bonitinho”, é fato que o longa vai um pouco mais alem: ele também trata com delicadeza o drama daqueles que não conseguem superar o luto. Viver o luto é um mal necessário, mas não deixa de ser um grande desafio para algumas pessoas. Os conflitos da trama surgem no momento em que Walter passa a ser perseguido por Greg, um espírito que ainda perambula pela Terra por não ter sido enviado ao seu destino final – e isso fará com que Walter questione sua vida e seu futuro. Ligeiramente cômico e com alguns momentos de pura emoção, Walter não é memorável – e, a bem da verdade, está longe de ter a magnitude de outras produções do gênero. Mas isso não o diminui: para o trabalho de uma estreante, Walter tem seus méritos, tanto técnicos quanto como entretenimento – e isto o torna um filme que você deve conferir.

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