“A Corte”: O Passado Pode Afetar o Presente?

Um homem é acusado do homicídio de sua própria filha de apenas sete meses. Quem vai julga-lo é o temido juiz Michel Racine (Fabrice Luchini), o presidente do tribunal. Conhecido como “dez para cima” (uma referência à quantidade de anos com a qual seus réus são condenados), Racine é tão rígido com os outros como é consigo mesmo: quase inatingível, tem cara de poucos amigos e trata todos os seus casos guiando-se sempre pela razão e com extremo profissionalismo.

A Corte é, a princípio, um típico filme de “tribunal”. Praticamente toda sua narrativa é centrada no julgamento presidido por Racine: acompanhamos ali os depoimentos de defesa, acusação, testemunhas e também as percepções do júri popular que irá condenar ou não o réu. Por este motivo, é aceitável que o expectador possa se sentir um tanto entediado com a história, pois ela em poucos momentos se expande para fora daquele núcleo – e por mais que a direção de Christian Vincent seja competente, ela é incapaz de fazer com que o público abrace totalmente a “causa”.

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O roteiro consegue despertar o interesse com algumas tramas paralelas, mas há um problema: elas parecem caminhar para um lado, mas acabam indo por outro. O suposto “resfriado” de Racine é desnecessário, assim como a sequência em que o magistrado vai até sua casa e dialoga com os moradores. A entrada de uma personagem adolescente causa até um charme em suas cenas, mas pouco (ou quase nada) agrega ao longa. Mesmo a história secundária do filme passa quase despercebida: um dos membros do júri é Ditte (Sidse Babett Knudsen), uma mulher que passou pela vida de Racine anos atrás e por quem ele nutre algum tipo de sentimento – mas nunca sabemos ao certo qual é e como realmente se deu a relação entre eles.

Talvez a grande proposta de A Corte é trazer uma reflexão sobre como uma pessoa do passado pode mudar ou influenciar nosso presente. O quanto somos dependentes de alguém que, em determinado instante, foi importante para nós? São questionamentos que A Corte até levanta, mas não responde. Apesar do ritmo leve e despretensioso da obra, A Corte não chega a ser um grande filme para o público “comum”- e mais do que isso: de forma cíclica, ele termina exatamente de onde começou, obtendo pouca relevância dentro da produção cinematográfica francesa contemporânea.

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Um pensamento sobre ““A Corte”: O Passado Pode Afetar o Presente?

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