Cotillard e Garrel, a Dupla Romântica de “Um Instante de Amor”

Gabrielle nasceu e cresceu em uma pequena aldeia francesa, em  uma época em que ser mulher limitava-se apenas a abandonar a família e unir-se ao marido – mas este não era o destino que a moça queria para si. Temendo pela reputação da filha rebelde, os pais resolvem casa-la com o pedreiro José que, mesmo com toda dedicação, pouco consegue agradar a esposa. Algum tempo depois, Gabrielle é internada em uma estância termal nos Alpes para tratar de suas fortes dores renais, o que marcará para sempre sua vida.

Adaptado do best-seller de Milena Agus, Um Instante de Amor instiga o público a discutir a emancipação feminina, em especial naquilo que tange à sua sexualidade. Para isto, o início da trama apresenta certa tensão sexual, com algumas sequências que transbordam erotismo (como quando Gabrielle está deitada em sua cama, folheando – e lambendo – o livro do amado). A narrativa ainda ganha uma reviravolta interessante com a chegada de André Sauvage, um tenente à beira da morte por quem Gabrielle irá se apaixonar durante seu tratamento. É neste homem em que a jovem infeliz irá encontrar o amor e a paixão que nunca enxergou no cônjuge.

A direção “clássica” de Nicole Garcia, todavia, prejudica um tanto a obra. É nítido que o roteiro carecia de algo a mais, enquanto a cineasta faz escolhas que funcionam, mas não trazem brilho algum à história. Mesmo com a bela fotografia de Christophe Beaucarne, a diretora arrisca pouco, optando por uma mise-en-scène tradicional, sem qualquer identidade própria. O tom “romântico” passa a predominar, em especial a partir da segunda metade da fita, e com isso o argumento repleto de potencial para novos debates se limita a um romance simples, com um desfecho até mesmo inquietante mas um desenvolvimento mediano.

É na performance do elenco que Um Instante de Amor certamente irá agradar ao público. A protagonista de Marion Cotillard é construída com muito empenho por uma atriz que se entrega de forma absoluta. Marion vai de um extremo ao outro com total sutileza, de forma quase imperceptível, mostrando que, sem dúvidas, é uma das intérpretes mais extraordinárias de nossa geração. Seu par romântico, Louis Garrel, vai se distanciando cada vez mais do símbolo sexual a que todos insistem em o rotular. Com uma caracterização surpreendente, Garrel se despe de qualquer vaidade para a composição de sua personagem, que embora apareça pouco, é fundamental para o desenrolar da trama. A dupla, definitivamente, é o maior atrativo de Um Instante de Amor – um filme eficiente, sim; bonito e bem feito, é verdade; mas que, devido à fraca direção, reduz-se apenas a um drama que não sai de seu “quadrado” mesmo com todo o universo ao redor a ser explorado.

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Um pensamento sobre “Cotillard e Garrel, a Dupla Romântica de “Um Instante de Amor”

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