“Cinquenta Tons de Cinza”: Ruim Ser Ser Sexy

Uma coisa que eu gosto é assistir a uma estreia de filme, ou ler um livro novo ou ouvir um álbum recém-lançado de um artista que eu curto sem criar expectativas. Motivo óbvio, mas real: quando não se espera nada (ou se espera pouco) não há decepções e, em alguns casos, é possível até se surpreender. Finalmente, depois de muito tempo, assisti ao comentadíssimo Cinquenta Tons de Cinza, adaptação cinematográfica da ficção homônima escrita por Erika Leonard James – e início de uma trilogia, seguida por Cinquenta Tons Mais Escuros e Cinquenta Tons de Liberdade (todos best-sellers, sendo o primeiro o romance britânico mais vendido de todos os tempos). Como não conferi a obra literária (logo, não tenho nenhum referencial para comparação), tudo o que vou dizer a seguir se refere à produção como “cinema” – e já posso adiantar: Cinquenta Tons de Cinza é ruim.

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Simples assim, não há muito o que falar. Com honestidade, demorei para assistir porque nunca me interessei pela trama. Não procurei nenhuma crítica prévia, não vi a nota do filme nas redes sociais e tudo o que sabia sobre o longa era o que via amigos comentarem – e até aqui as opiniões eram mistas. Haviam aqueles que gostaram (geralmente, mulheres – e isso me assustou, como explicarei mais adiante) e os que desprezaram (normalmente os homens e cinéfilos mais chatos). Logo, concluí que Cinquenta Tons de Cinza poderia não ser uma grande obra cinematográfica, mas funcionaria como entretenimento. Engano meu. Cinquenta Tons de Cinza é ruim, sim. Eu gostaria de poder vir aqui e dizer o contrário, mas não quero ser injusto com você, leitor.

Para os alienados que não sabem, eis a história: um milionário com tendências sádicas que se envolve com uma virgem de 20 e poucos anos que estuda literatura. Entre transas e caretas, a relação entre os dois vai se fortalecendo – o que, consequentemente, acaba confundindo os sentimentos do casal. Mas até essa sinopse se desenvolver ao longo de mais de duas horas, Cinquenta Tons de Cinza é um festival de clichês em todos os aspectos: do roteiro com cenas previsíveis e soluções prontas (um órfão cuja mãe era prostituta, a amiga de faculdade assanhada ou o mordomo leal) à direção amadora de Sam Taylor-Johnson, visivelmente insegura e com medo de arriscar. Por esta razão, é difícil acreditar nos personagens, no drama e em qualquer coisa que se vê em cena. Até mesmo a edição e fotografia parecem “prontas”, além da trilha sonora de Danny Elfman que está ligada literalmente no modo automático e chega a ser quase vergonhosa.

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Para deixar a situação mais agravada, os protagonistas não colaboram. Se a proposta era retratar uma personagem feminina insossa e apática, não há dúvidas de que este objetivo foi alcançado porque Dakota Johnson é irritantemente sem vida. É quase impossível imaginar, por mais esforço que se faça, que um magnata que pode ter qualquer mulher a seus pés vá se apaixonar por um tipo tão sem graça. Já o galã Jamie Dornan está muito distante daquilo que esperamos de um Christian Grey. Após inúmeros nomes serem cotados para o papel, é triste ver que a diretora optou pelo mais fraco. Dornan pesa a mão para criar o perfil sexy do ricaço. Em diversos momentos, inclusive, é possível enxergar nele alguns trejeitos que remetem vagamente a um outro protagonista masculino que muita gente despreza. Em outras palavras, o Christian Grey de Dornan é quase uma versão humana de Edward Cullen. Com muito mais sucesso, a cineasta poderia ter selecionado para a vaga seu próprio esposo, Aaron Taylor-Johnson, um talento em ascensão e com sex appeal bem mais interessante (se você assistiu Selvagens e prestou atenção na cena de sexo entre Aaron e Blake Lively, vai entender o que quero dizer – e fatalmente irá concordar).

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Se durante muito tempo os longas da série Crepúsculo foram referência ao falarmos de filmes “ruins”, facilmente Cinquenta Tons de Cinza passa a ser o novo campeão do pódio – e leva a melhor porque a saga de Stephenie Meyer era destinada, sobretudo a um público juvenil, enquanto Cinquenta Tons de Cinza tem a suposta premissa de ser veiculado a um espectador adulto, com certo apelo erótico e tudo mais. Falhou. Para além de tudo o que falamos, Cinquenta Tons de Cinza peca na forma arcaica e machista como trata suas personagens femininas, meros objetos de uma sociedade que as oprime e ainda as vê como um seres inferiorizados. Há a exploração barata do corpo e, principalmente, da figura do sexo feminino – e me surpreende saber que há mulheres que compartilham e admiram esta abordagem, tratando como “ideal masculino” um tipo totalmente medíocre e que em nenhum momento se importa com ninguém a não ser consigo mesmo e seu prazer. Cinquenta Tons de Cinza, longe de excitar ou promover alguma discussão, é um triste caso de cinema desnecessário, descartável e, principalmente, desprezível.

“Jogos Vorazes: Em Chamas”: A Chama Que Não se Apagou

Cinema lotado. Alvoroço antes da sessão. Casais de adolescentes por todos os lados, ocupando todas as poltronas da sala. Muita falação e excitação… Bem, poderia estar falando da estréia de algum filme de uma série teen qualquer – do tipo Crepúsculo, talvez. E, na verdade, é particularmente isso: em pleno feriado no país, eis que chega às telas de nossos cinemas a segunda parte da adaptação cinematográfica da trilogia criada por Suzanne CollinsJogos Vorazes: Em Chamas – confirmando que, ao que tudo indica, essa saga veio para ficar.

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São inevitáveis as comparações entre Jogos Vorazes e outras franquias adolescentes. Peguemos, no caso, a saga de Stephenie MeyerCrepúsculo. Ambas tem uma protagonista feminina meio perdida no mundo ou personagens masculinos bonitos (mesmo que Josh Hutcherson tenha pouco mais de 1 metro e meio…). Tornaram também seus atores em celebridades instantâneas (no caso de Crepúsculo, os insossos Kristen Stewart e Robert Pattinson; Jogos Vorazes com Jennifer Lawrence). Ambas tem uma trama romântica na veia (Crepúsculo, por sua vez, leva isso ao extremo) e também uma carga de ação e aventura. Mas o que torna Jogos Vorazes uma obra infinitamente superior a Crepúsculo ou outros sucessos adolescentes de nossa geração?

Convenhamos: há muita babação em torno de Jogos Vorazes. E tem muita gente que critica isso – eu, particularmente, não entendo tanta badalação em torno deste universo e, principalmente, de Lawrence, a grande estrela da saga. Mas, assumo que, se é para “pagar pau”, o façamos por algo que mereça. E Jogos Vorazes consegue fazer por merecer. A série é intensa, repleta de ação (ainda que não explícita), tem um bom roteiro e não é apenas uma “história”. Ainda que a maior parte dos fãs vá aos cinemas para assistir o espetáculo visual que o filme promove e os belos rostos de seus protagonistas, é fato inegável que Jogos Vorazes proporciona uma análise bem mais profunda do que a questão das franquias adolescentes.

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Jogos Vorazes: Em Chamas retoma a história um ano depois dos acontecimentos do primeiro longa, quando Katniss e Peeta (respectivamente, Jennifer Lawrence e Josh Hutcherson) vencem os 74º Jogos Vorazes do título (quer entender melhor? Sugiro a leitura do artigo que fiz para o filme e que você pode conferir aqui). A trama segue o casal em sua “turnê da vitória” – uma espécie de promoção para os próximos jogos – , quando devem fingir estar apaixonados como uma forma de propaganda da Capital. No entanto, uma revolução se espalha por Panem – em parte causada pela protagonista Katniss, que despertou um sentimento de luta e esperança no povo que há muito havia se perdido. Para tentar amenizar a situação e demonstrar o poder da Capital, o presidente Snow (Donald Sutherland) decide enviar nossos heróis e outros vencedores de edições anteriores dos jogos para competir entre si e “comemorar” o 3º Massacre Quaternário.

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É neste momento que Jogos Vorazes ganha forças e se distancia de outras produtos adolescentes (se é que um dia se aproximou deles…). Nesse segundo capítulo, a franquia se torna mais intensa e encorpada, trocando o sangue e a ação por maior crítica e fidelidade ao texto que o originou. O foco é voltado para os conflitos dos distritos, as lutas entre o povo e a Capital e a chama da revolução que está se acendendo em Panem. Exatamente por isso, mesmo que com um número menor de sequências de ação, o filme ainda é capaz de tirar o fôlego e fazer você torcer por suas personagens (aliás, há novos personagens que, provavelmente, devem ganhar maior espaço nos próximos capítulos, como Finnick e Johanna, respectivamente Sam Claflin e Jena Malone). Muito mais fiel ao livro de Collins, Jogos Vorazes: Em Chamas troca a pancadaria e a violência física da primeira parte por um tom político muito mais evidente e elaborado. Apenas nos últimos 30 minutos de projeção (das quase duas horas e meia) é que ocorre ação física para valer – e, ironicamente, é quando o filme perde mais sua beleza. E é aí que muitos colocam em cheque a direção de Francis Lawrence (que substituiu Gary Ross, diretor do primeiro filme): fica-se a dúvida se ele quis maneirar na ação e injetar um teor político, sendo mais fiel à obra, ou se ele realmente é um cineasta medíocre para cenas de ação.

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Com elementos técnicos primorosos (aliás, o orçamento quase dobrou em relação ao primeiro episódio), parece que toda a grana foi gasta na última parte da película (tem névoa venenosa, babuínos assassinos e ondas gigantescas…) – justamente quando o filme perde um pouco de seu carisma, apesar de encher os olhos dos espectadores. Com boas locações e cenários, assim como na primeira parte da franquia, a maquiagem e o figurino também se destacam – ainda que sem muito alarde. Outro bom ponto a ser considerado é a trilha sonora – ótima em sua plenitude e bem condizente com as cenas, caindo como uma luva à trama. Quanto às atuações, não queria dizer, mas o filme é da oscarizada Lawrence, muito mais conturbada e aflita do que antes. É visível o enorme abismo entre ela e alguns demais atores, como Sam Claflin e Josh Hutcherson (que, apesar de carismático, precisa crescer em cena – ou seria generosidade demais do ator?). Por sorte, Lawrence aparece mais em cena com outros bons atores, como Donald Sutherland, Woody Harrelson (como o cômico Haymitch) e Philip Seymour Hoffman (que, na pele do diretor do espetáculo, Plutarch Heavensbee, é a grande entrada no elenco e o gancho para a continuação do próximo filme).

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Boa parte do que realmente Jogos Vorazes pode passar ao público tende a ficar desapercebida, lamentavelmente, pela grande massa. No cinema, foi possível ouvir alguns suspiros de adolescentes ao verem os garotos na tela sem camisa ou um grito de “vadia” quando Katniss beijou Peeta logo no início do filme. Jogos Vorazes, distanciando a anos-luz das franquias adolescentes dos últimos anos, é uma saga que critica o abuso de poder das autoridades, assim como os deveres do Estado para a população e também a indústria midiática atual – que nos entope com suas propagandas agressivas e suas maquinações. Apesar de não ter um desfecho direto como o primeiro longa (afinal, Em Chamas é justamente o intermediário), Jogos Vorazes: Em Chamas consegue ser muito mais do que “o filme do meio”; é um promissor criador de debates e análises sobre o poder. É um filme que ganha ímpeto para o 3º episódio (que será dividido em 2 partes), mas proporciona, sobretudo, uma reflexão sobre alguns temas importantes da nossa geração. Isso é, se nossa geração quiser ainda refletir sobre alguma coisa…

As Novas Caras do Cinema (Parte 2)

Há algum tempo, postamos aqui um texto sobre os 10 atores ou atrizes mais promissores de Hollywood nos próximos anos (entre eles, citamos Zac Efron, Andrew Garfield, Anne Hathaway e outros). Alguns deles vem se firmando como artistas de primeira grandeza e se tornaram astros do cinema, apesar da pouca idade. Mas, ao que parece, a lista não pára de crescer.

Um fato que vem acontencendo comumente em Hollywood na atualidade é que as grandes produtoras vem tentando ao máximo reduzir seus gastos de produção. Na realidade, a relação custo-faturamento é um dos pré-requisitos básicos que são avaliados em um projeto e é um fator determinante para a aprovação ou não de uma produção. Com orçamentos cada vez mais apertados (e com o medo de fracasso nas bilheterias), muitos diretores apostam em novos rostos para seus filmes.

A razão óbvia: sai muito mais barato pagar o cachê de um ator jovem e desconhecido do que os cachês milionários de grandes atores como Al Pacino, Leonardo DiCaprio, Johnny Depp, Meryl Streep, Julia Roberts e outros. Na maioria das vezes, esses grandes e conhecidos astros fazem pequenas pontas (para chamar o público ao cinema), mas no final, o espetáculo principal fica por conta dos mais jovens.

Dessa forma, selecionamos mais uma lista de 10 jovens atores e atrizes hollywoodianos que estão em alta nesse momento e que tem tudo para se tornarem os nomes mais fortes dessa nova geração do cinema. Resta alguma dúvida de que esses nomes tem potencial para isso?

1. Dakota Fanning
Aos 18 anos, Dakota ofusca quando aparece na tela com sua beleza única. Dakota estreou nos cinemas no filme Uma Lição de Amor (2001) e de lá pra cá não parou mais. Já trabalhou com diretores famosos, como Steven Spielberg e Henry Selick.  Além de atuar, Dakota tem um notável talento para a música e, em 2009, a revista Forbes considerou a artista como a segunda atriz mais rentável do cinema.

Linda de morrer, Dakota é uma das atrizes mais promissoras de sua geração.

2. Aaron Johnson
Nascido em 1990, Aaron ficou conhecido por dois papéis notáveis: como Dave Lizewski, o nerd metido a herói de Kick-Ass Quebrando Tudo (2010), e John Lennon, na cinebiografia O Garoto de Liverpool (2009). E se você acha que a precocidade do ator é só nas telinhas, lá vai: o ator é casado com a diretora Sam Taylor-Wood (apenas 23 anos mais velha do que ele). O casal, que se conheceu durante as filmagens de O Garoto de Liverpool já tem um filho, nascido em 2010.

O precoce Aaron Johnson, como o protagonista de "O Garoto de Liverpool".

3. Scarlett Johansson
Em 2006, Scarlett foi considerada a mulher mais sexy do mundo. Mas não pense que a bela atriz é somente um rostinho muito bonito: a artista já trabalhou em vários filmes dirigidos por nomes como Robert Redford, Michael Bay e o veterano Woody Allen. Ah, só pra constar: Scarlett também é cantora e modelo. Que fôlego, hein?

Woody Allen não é nada bobo, hein?

4. Kristen Stewart
A atriz já tem vários filmes no currículo mas, definitivamente, foi em 2008 que Kristen despontou para a fama quando protagonizou o primeiro filme da série Crepúsculo. Apesar das inúmeras críticas negativas por conta de sua protagonista insossa, Bella Swan, Kristen ganhou também vários elogios por suas atuações em The Runaways (2010) e On The Road (2011).

Apesar das críticas por sua Bella Swan (completamente devidas), Kristen vem conquistando bons papéis ao longo de sua carreira.

5. Robert Pattinson
Assim como sua namorada Kristen Stewart, Robert Pattinson também virou astro internacional com seu papel na saga Crepúsculo, onde interpreta o vampiro que brilha ao sol Edward Cullen. Além de uma beleza exótica, Robert também é musicista e já gravou algumas músicas para a trilha da saga que o consagrou.

 

6. Armie Hammer
Ele quase se tornou o Bruce Wayne de George Miller – mas o projeto não foi adiante. Armie ficou famoso mesmo após sua aparição em A Rede Social (2010), onde interpretou os gêmeos Cameron e Tyler. Depois disso, arrancou bons elogios por sua atuação em J. Edgar (2012) e mostrou seu lado cômico em Espelho, Espelho Meu (2012). Em próximo trabalho – ainda sem data – , Armie vai atuar ao lado de Johnny Depp no longa The Lone Ranger.

Armie Hammer, em toda sua veia cômica, como o príncipe do filme "Espelho, Espelho Meu".

7. Carey Mulligan
De todas da lista, Carey é uma das mais elogiadas pela imprensa. Sua estréia no filme Orgulho e Preconceito (2005) lhe rendeu boas críticas, assim como em Em Busca de Uma Nova Chance (2009) e Não Me Abandone Jamais (2010). Além disso, Carey já foi indicada ao Oscar de melhor atriz pelo seu desempenho no filme Educação (2009).

Uma das maiores apostas de Hollywood nos últimos anos, Carey é expert em dramas.

8. Jennifer Lawrence
Em 2011, aos 20 anos, Jennifer recebeu sua primeira indicação ao Oscar por sua atuação no filme Inverno da Alma (2010). Atualmente, está em alta em Hollywood por sua personagem Katniss do filme Jogos Vorazes, primeira de uma série de adaptações da obra de Suzanne Collins.

Seguindo os passos de Kristen Stewart, Jennifer também é protagonista de uma franquia "teen".

9. Josh Hutcherson
Com apenas 19 anos, Josh tem uma filmografia ampla e variada, mas foi com Ponte Para Terabítia (2007) e Viagem ao Centro da Terra (2008) que o ator ficou conhecido pelo grande público, que o viu crescer diante de seus olhos. Mais tarde, também ganhou notoriedade por seu personagem no filme Minhas Mães e Meu Pai (2010). Também está em alta por seu papel na franquia Jogos Vorazes. Além do trabalho no cinema, Josh é ativista dos direitos gay, participando, inclusive, da campanha Straight But Not Narrow.

10. Chloë Moretz
Quinze anos. Esta é a idade de Moretz, que impressionou a todos com seu papel de Hit-Girl no filme Kick-Ass. Além desse, Chloë também já trabalhou com os diretores Martin Scorsese e Tim Burton (recentemente nos longas A Invenção de Hugo Cabret, de 2011, e Sombras da Noite, a ser lançado). Também levou inúmeros elogios por sua Abby de Deixa-me Entrar (2010), que foi determinante para a escolha da jovem atriz para protagonizar o papel principal da nova versão cinematográfica de Carrie, a Estranha.

Pra falar de Chloë, apenas uma dica: assista "Kick-Ass". Sem mais.