Periferia (Peripherie, 2016)

Periferia é uma reunião de contos intercalados que acompanham um dia na vida de cinco personagens distintos. No primeiro núcleo, Vinc e seus amigos desejam protestar contra o capitalismo planejando um atentado em uma rua comercial de Zurique. Não muito longe dali, Edi passa por problemas financeiros e necessita urgentemente da ajuda de seu patrão. O imigrante Javier, por sua vez, é impedido de ver a filha e decide rapta-la e voltar com a criança para o Chile. Já a policial Sonam está em seu primeiro dia de trabalho na corporação, mas não demora muito para que ela conheça as “sujeiras” da profissão. Por fim, a ucraniana Sonja chega à cidade para fazer uma surpresa ao seu grande amor.

Cada segmento é dirigido por um cineasta diferente, como se estivéssemos diante de curtas independentes que não mantém uma relação direta entre si. Entretanto, essas pessoas tem algo em comum: todas elas passam por situações que as farão lutar por respeito – ou pelo direito de ser respeitadas, mesmo que sua moral possa ser, inevitavelmente, confrontada.

Apesar da individualidade das histórias, algumas delas não chegam a um desfecho satisfatório, cabendo muito ao espectador a tarefa de questionar o que pode ou não ter acontecido. Aliás, a data em que os eventos ocorrem é simbólica e não foi à toa: 01 de agosto, Dia Nacional da Suíça, o feriado nacional mais importante do país. É um momento de reflexão, onde é possível debater se os erros do passado justificam os erros do presente. A ética é posta à mesa, mas será que nossas convicções não podem influenciar nossas atitudes para com o próximo e, principalmente, para com nós mesmos?

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