“Na Cama Com Victoria”: Comédia Francesa Mira no Público Comum

Victoria é uma bela e jovem advogada parisiense, cuja sanidade mental está por um fio. Workaholic e egocêntrica, ela recorre ao sexo para fugir das pressões que sofre por todos os lados. Mas as coisas, quando estão ruins, sempre podem piorar um pouco: seu ex-marido e pai de suas filhas, David, está difamando sua carreira. Além disso, Victoria reencontra Sam, um estagiário de direito que outrora ela inocentara por tráfico de drogas e agora insiste em ser seu baby-sitter. Para completar, ela aceita defender o caso de seu amigo Vincent, que está sendo acusado de um homicídio cuja única testemunha é o cachorro da vítima.

Na Cama Com Victoria (título extremamente apelativo quando comparado ao original) é a prova de que os franceses descobriram recentemente o gosto pelas comédias. Abusando de inúmeras referências (há quem cite, por exemplo, semelhanças com obras de Billy Wilder, Blake Edwards e até Woody Allen), a cineasta Justine Triet apresenta uma mise-en-scène caprichada, recorrendo a planos bem trabalhados que criam um ritmo equilibrado e que jamais sai da linha. A direção de atores também é competente e Triet sabe como valorizar a performance extraordinária de Virginie Efira, que é engraçada e sóbria com a mesma proporção e tem ótimos momentos em cena (sua atuação lhe rendeu inclusive uma indicação ao César 2017 de melhor atriz). Vincent Lacoste, o lunático Sam, é adorável e é muito gratificante vê-lo em fase de amadurecimento (este provavelmente é o personagem mais “adulto” de sua filmografia – e o ator não decepciona).

Entretanto, é nítido que a superficialidade do argumento não permite que Na Cama Com Victoria vá além de uma simples comédia popular. Aquele que talvez fosse o tema central da película – e um dos maiores males de nosso século – é tratado de forma rasa: a depressão. Percebe-se que o filme fica em cima do muro: não é totalmente cômico, tampouco aprofunda-se na exploração das relações humanas entre seus personagens. O tom de comédia romântica é o indício mais claro de que Na Cama com Victoria não se propõe necessariamente a promover algum debate, sendo direcionado exclusivamente ao entretenimento do público comum e, óbvio, à possibilidade de uma bilheteria polpuda.