Pixar Acerta Mais Uma Vez Com “Divertida Mente”

03Após uma série de desenhos que dividiram opiniões (respectivamente Carros 2, Valente e Universidade Monstros), a Pixar parece ter finalmente retomado as rédeas de suas produções, presenteando o público com o impecável Divertida Mente. Aplaudido em sua estreia, na última edição do Festival de Cannes, a comovente trama sobre as emoções de uma menina de 11 anos entusiasmou a crítica e há quem aposte nela como uma das favoritas ao prêmio de melhor animação no próximo Oscar – merecido e inevitável, uma vez que é improvável que a temporada do gênero consiga produzir algo tão esplendoroso e criativo quanto Divertida Mente.

Divertida Mente antropomorfiza cinco emoções em personagens inesquecíveis: Medo, Raiva, Nojinho, Tristeza e Alegria. Eles são os responsáveis pelo “centro de controle” – uma espécie de sala panorâmica de onde podem enxergar toda a realidade de Riley (uma pré-adolescente que acaba de se mudar com os pais para outra cidade) e, assim, gerenciar suas memórias e reações ao meio externo. Ligadas a esta central, existem neste mundo as ilhas (“Família”, “Amizade”, “Bobeira”, “Honestidade” e “Hóquei” – o esporte preferido da garota), criadas e mantidas com as memórias particulares de cada tipo. Os problemas começam a surgir quando Alegria e Tristeza vão parar fora de seu posto de trabalho, se perdendo na consciência de Riley.

O espectador mais atento é capaz de perceber que Divertida Mente é quase dividido em dois filmes: entre cortes rápidos e uma montagem bem feita, o longa alterna o percurso de Tristeza e Alegria rumo ao centro de controle e as reações de Riley sem essas duas emoções em sua mente. A partir daí, o diretor Pete Docter (que teria se inspirado em sua própria filha) consegue unir esses dois meios e explicar também cada parte do cérebro, recriando um universo fabuloso, repleto de ambientes ricos e criativos. O banco de memórias, por exemplo, é mostrado como uma grande biblioteca (com os livros sendo substituídos por esferas). A área dos sonhos, por sua vez, é como um grande estúdio de cinema – uma das sacadas mais geniais do filme. Há até mesmo explicações sobre a criação dos nossos amigos imaginários e o porquê esquecemos certas coisas – uma cena, no mínimo, hilária.

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Mas esta rica abordagem psicológica ainda não é tudo. Divertida Mente ainda é engraçado – não de forma “boba”, mas inteligente. Tecnicamente impecável, o trabalho de arte é um espetáculo à parte – inclusive merece ser destacada aqui a equipe de criação, responsável por cenários exuberantes e personagens muito bem desenvolvidos. Divertida Mente é exatamente aquilo que nós fãs esperamos da Pixar: uma obra complexa mas sem enrolação, divertida e emocionante, que alem de passar ótimas mensagens (que reforçam valores como família, amizade, coragem) é intensamente criativa – garantindo um lugarzinho no pódio de melhores produções do estúdio. Em outras palavras, Divertida Mente é a Pixar apenas sendo a Pixar.

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