“Os Anarquistas”: o Fogo Não Incendiou…

“ANARQUIA” – segundo o Aurélio, “falta de chefe; desordem, confusão (motivada por falta de direção); sociedade constituída sem governo”. Na Wikipédia, “(…) uma ideologia política socialista e revolucionária baseada em uma crítica da dominação e em uma defesa da autogestão, e que defende uma transformação social fundamentada em estratégias que deverão permitir a substituição de um sistema de dominação estatista e capitalista por um sistema socialista e autogestionário”.

Os Anarquistas, novo filme de Élie Wajeman (de Aliyah, 2012), se passa no final do século XIX, precisamente no ano de 1899, onde Jean Albertini, um militar de origem humilde, é escolhido para se infiltrar em um grupo de anarquistas parisienses. Com a promessa de promoção caso a operação seja bem-sucedida, Jean fornece aos seus superiores informações sobre o cotidiano daquelas pessoas, enquanto se envolve fraternalmente com os membros do grupo – em especial, com a jovem Judith, uma das líderes da trupe de rebeldes.

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Talvez o maior erro de Os Anarquistas seja repetir pela não-sei-qualésima vez a velha estrutura narrativa da fórmula “infiltrado versus dilema”. Por conta disso, a obra de Wajeman fica restrita a um filme de época visivelmente previsível. Os ideais anárquicos são tratados com superficialidade, sem força suficiente para fomentar uma analogia político-social com a nossa contemporaneidade. Para além disso, falta ritmo ao argumento devido, sobretudo, à montagem da fita e também ao próprio roteiro, que mantém um equilíbrio durante toda a projeção e que dificilmente prende a atenção do espectador. É como se você assistisse a uma cena já esperando o que vai acontecer porque tem a incrível sensação de já tê-la visto anteriormente dentro do mesmo projeto.

No entanto, deve-se elogiar o trabalho cenográfico, bem como os demais itens de direção de arte, que praticamente nos transportam para a Paris daquele período. A fotografia, predominantemente em cores frias, ganha bastante com a utilização de pontos de luz, o que contribui para dar um sentido de “distanciamento” daquele grupo com o restante do mundo – e é, a meu ver, um dos pontos mais favoráveis da película. Com relação ao elenco, Tahar Rahim convence no papel do homem dividido entre a obrigação e a lealdade, vivendo em constante tensão com o medo de ser descoberto – apesar de não ser excepcional, bom deixar isso claro. Já Adèle Exarchopoulos, belíssima em qualquer enquadramento, até tenta se entregar à sua protagonista, mas a história não ajuda muito. Filme de abertura da Semana da Crítica no Festival de Cannes em 2015, Os Anarquistas é esteticamente atraente, porém faltou mais ousadia – algo claramente necessário ao tratar o tema. Cadê o fogo?

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