Sokurov Mostra Seu Ego Inflado em “Francofonia”

Assistir à uma obra do russo Aleksandr Sokurov não é tarefa para qualquer um. O estilo do cineasta não é fácil – e isso fica perceptível com o ritmo de câmera e a narrativa arrastados que podem facilmente dispersar a atenção dos menos pacientes. Seu Fausto, de 2011, por exemplo, foi ovacionado pela crítica, apesar de ter dividido a opinião do público – houve aqueles que consideraram sua versão do poema trágico de Goethe um clássico instantâneo, mas também houve quem desdenhasse de suas habilidades quanto diretor. Seu mais recente trabalho é Francofonia – Louvre Sob Ocupação que, acolhido com fervor em Veneza no ano passado, ganhou o prêmio de melhor filme europeu no festival.

01Sem uma estrutura de roteiro muito bem definida e narrado de forma quase experimental, Francofonia é ambientado na década de 1940 na França ocupada pela Alemanha Nazi e relata o encontro de Jacques Jaujard, ex-diretor do Museu do Louvre, e o conde Franz von Wolff-Metternich, um oficial alemão. A aliança entre os dois foi primordial para a preservação do patrimônio do museu durante a Segunda Guerra Mundial. A partir deste fio condutor, Sokurov divide a trama em partes distintas, que se alternam entre si para dissecar um período da história daquele que é considerado o maior museu francês.

Francofonia é visivelmente um projeto pessoal de seu idealizador, um admirador apaixonado por museus – não à toa, esta é sua segunda incursão neste tipo de proposta (seu A Arca Russa, de 2002, é simplesmente genial). Utilizando-se de um argumento que mistura documentário e ficção, Sokurov disserta sobre a força da arte como instrumento de depósito das memórias de uma nação – daí a importância de sua conservação, mesmo em uma época onde os museus são cada vez menos frequentados, diga-se de passagem. No entanto, a prepotência do longa em ser muito mais do que aquilo que realmente é tornam o filme enfadonho em diversos momentos. Além disso, a fotografia com imenso potencial é prejudicada por artifícios extravagantes – da edição atabalhoada ao uso de filtros exagerados. Não há também muita “interação”: Francofonia é, assim, um mero relato que muito diz, mas pouco seduz justamente por sua arrogância. É um filme de arte que faz questão de ser tratado como tal – e, com isso, não é todo mundo que o suporte. Questão de ego, não é, minha gente?

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