“Esteros”: Drama Argentino Narra Relacionamento Entre Amigos de Infância

Matias e Jeronimo são amigos que cresceram juntos em Paso de Los Libres (região argentina que faz fronteira com o Rio Grande do Sul). Mais do que isso: eles são melhores amigos e se amam, mesmo que ainda não o saibam – isso é evidente desde a primeira aparição dos dois em Esteros, filme do estreante Papu Curotto. Mas o destino se encarregou de separa-los: enquanto Jeronimo permaneceu no país, onde estudou cinema e vive hoje uma vida simples, Matias se mudou para o Brasil, onde trabalha com pesquisas voltadas à área de biologia. Durante um feriado de carnaval, Matias retorna à cidade acompanhado de sua noiva (com quem está prestes a casar) e o reencontro entre ele e seu antigo companheiro é inevitável.

O argumento de Andi Nachon constrói, entre flashbacks e cenas do presente, a reaproximação entre estes dois amantes, de maneira excessivamente previsível, com soluções fáceis e clichês já vistos em inúmeras outras produções (a pessoa que não pode acompanhar o par, o uso de filtro solar que obriga o toque, a chuva que os confina em uma casa vazia no meio do nada, etc.). É como se tudo contribuísse para facilitar o desenrolar da trama e, com isso, aquele que seria o grande clímax da história não tem muito impacto, afinal sabemos desde o início que, hora ou outra, aquilo vai acontecer. Há também uma tentativa vã do roteiro em reafirmar o amor entre seus protagonistas através de diálogos que não soam naturais ou sequências que pouco acrescentam à narrativa.

Há ainda um certo tom melodramático, algo próximo aos romances mais convencionais, que talvez possa até produzir um efeito positivo para aquele adolescente em fase de descoberta que se vê apaixonado pelo amigo do colégio ou esteja experimentando a fase do primeiro amor. Mas cinematograficamente falando, Esteros pouco impressiona em sua proposta. Apesar da excelente fotografia e da trilha sonora muito bem executada, fica-se a impressão de que o longa poderia ter rendido muito mais caso fosse mais ousado e trouxesse maiores surpresas. Talvez tenha sido apenas estratégia de seu idealizador para tornar seu filme mais digerível ao público comum, nunca se sabe. Ao assistir Esteros, a sensação que fica é a de que você já viu isso em algum lugar. Uma pena que não é somente uma sensação, mas um fato.

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