“Amar”: A Intensidade do Primeiro Amor

Dizem que a adolescência é um dos períodos mais difíceis da vida. Os nervos ficam à flor da pele e todo sentimento parece ser elevado à enésima potência, fazendo com que situações simples possam tomar proporções gigantescas. Com o amor não é diferente e esta parece ser a premissa de Amar, longa-metragem de estreia do espanhol Esteban Crespo, que narra toda a intensidade do primeiro amor.

Amar  vai na contramão dos títulos tradicionais do gênero, já que não acompanha seus protagonistas no processo habitual de início um relacionamento (conhecer o outro, se aproximar, se apaixonar, etc.). Pelo contrário, o filme já nos apresenta os jovens Laura e Carlos no ápice da paixão: as trocas contínuas de mensagens, as escapadas do colégio, o sexo e suas descobertas – enfim, todas as peças de uma típica paixão adolescente é visto aqui.

Entretanto, se tudo nesta fase da vida é maximizado, os desentendimentos também o são – e, aos poucos, eles começam a surgir e afetar a relação do casal. E aqui encontramos talvez o grande problema de Amar: as ações passam a ser inverossímeis e seus personagens ganham contornos que fazem com que não tenhamos tanto apreço por eles. O homem, por exemplo, se torna um bobo sentimental e inconveniente, do tipo que espera na porta da ex-namorada para tirar satisfação. A mulher, por sua vez, vive em constante confusão e não sabe ao certo o que realmente espera de seu relacionamento – e no meio disso tudo, cada um sofre e reage à sua forma.

Apesar da química existente entre os protagonistas (Maria Pedraza e Pol Monen estão ótimos em cena) e de algumas sequências interessantes, Amar sofre com essas escolhas do roteiro. Talvez Amar seja um retrato cru de uma juventude que trata tudo hoje com praticidade e sem perda de tempo (se não está dando certo, é hora de partir para outra). O fato é que embora haja uma boa cinematografia, Amar não é um filme para toda hora – e confesso que muito do que absorvi desta produção pode ser resultado do meu atual momento de vida. O mais engraçado, no entanto, é pensar como as pessoas são tão descartáveis e se desapegam uma das outras com a mesma facilidade com que dizem “eu te amo” de maneira vazia. Ao menos isso, Amar consegue expor sem muita dificuldade.

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