“Colossal”: Sci-Fi Metaforiza Questões Atuais

Gloria é uma jovem desempregada, alcóolatra e que acaba de levar um pé na bunda do namorado (com quem divide um apartamento em Nova York), o que a obriga a voltar para a casa da família no interior dos EUA. Do outro lado do planeta, um monstro gigante ataca a capital da Coréia do Sul, causando pânico e medo à toda população. Mas será que não existe alguma ligação entre estes fatos aparentemente isolados?

Dirigido por Nacho Vigalondo, Colossal é uma mistura interessante dos mais variados gêneros, como a comédia romântica, ação e o drama; mas é evidente que o longa se sobressai muito mais como uma ficção cientifica disfarçada de thriller psicológico, uma vez que o argumento do próprio cineasta constrói uma interessante alegoria sobre os conflitos internos que todos nós possuímos. Com ares de produção independente, o filme é estruturado em volta de sua protagonista: o monstro que aterroriza um país e o coloca em ruínas é a representação clara de uma pessoa que está emocionalmente destruída, desequilibrada e sem controle, praticamente à beira do caos. Assim, Colossal metaforiza questões como o alcoolismo e relacionamentos abusivos, problemas tão comuns no nosso cotidiano, mas de uma maneira menos indigesta daquilo que estaríamos acostumados a ver. A abordagem é muito sutil, camuflada por um roteiro que faz referência aos filmes sci-fi de outrora sem perder sua contemporaneidade.

Apesar da excelente ideia original, Colossal escorrega, entretanto, em sua execução, prejudicada pelo desenvolvimento de suas personagens. A protagonista de Anne Hathaway pouco cativa – e, quando o faz, é simplesmente porque não há um único tipo masculino na história que não seja minimamente babaca. Alguns arcos dramáticos ficam perdidos e sem nexo, o que enfraquece aos poucos a inusitada premissa. O desfecho ocorre de forma apressada, fazendo você pensar “peralá, era só isso que precisava acontecer?”. No final, temos uma produção que ainda não sabe ao certo qual é o seu propósito muito menos seu público alvo. Afinal, não é um drama tão arrojado para conquistar os cinéfilos mais exigentes, tampouco uma ficção rebuscada para chamar a atenção do espectador comum.

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