Festival Varilux de Cinema Francês 2018: Programação Imperdível Para Junho

Marque aí na agenda: entre os dias 07 e 20 de junho de 2018 acontecerá em todo o país o Festival Varilux de Cinema Francês. O evento, já considerado o maior festival de cinema francês do mundo, percorrerá cerca de 60 cidades brasileiras, oferecendo ao público a oportunidade de conhecer 20 longas-metragens da atual cinematografia francesa.

Entre os principais títulos, os destaques ficam por conta de O Amante Duplo, novo trabalho de François Ozon e que concorreu a Palma de Ouro em Cannes em 2017. Custódia, de Xavier Legrand, também é um dos mais aguardados desta edição. O filme, que foi um das grandes surpresas da última Mostra de Cinema de São Paulo, concedeu a seu idealizador o prêmio de melhor direção no Festival de Veneza. A cineasta Anne Fontaine (que participou nos últimos anos com Gemma Bovery  e Agnus Dei) chega com Marvin, drama sobre um adolescente gay interpretado por Finnegan Oldfield e que ainda tem no elenco a dona da França Isabelle Huppert.

A dupla Pierre Niney e Charlotte Gainsbourg estrelam o drama autobiográfico Promessa ao Amanhecer, baseado no livro de Romain Gary, onde o autor relembra sua juventude na Lituânia e seu êxodo como aviador durante a Segunda Guerra Mundial. Além disso, o oscarizado Jean Dujardin e Mélanie Laurent são os protagonistas da comédia O Retorno do Herói, de Laurent Tirard (diretor de O Pequeno Nicolau e Um Amor à Altura). O documentário da vez será A Busca do Chef Ducasse, sobre o chef  e mentor de culinária Alain Ducasse. Já o clássico do ano será Z, de Costa-Gravas. A produção franco-argelina recebeu 5 indicações ao Oscar em 1970: melhor filme, direção, roteiro adaptado, edição e filme estrangeiro (levando os dois últimos).

Além dos títulos, o Festival também apresentará pela segunda vez a Mostra de Realidade Virtual, uma seleção com cerca de 8 dos melhores filmes franceses nesta categoria. Também haverá, em parceria com a Unifrance Films, uma mostra com curtas-metragens premiados em diversos festivais, como Belle à Croquer (cujo elenco traz as atrizes Lou de Laâge e a dama Catherine Deneuve) e o elogiado Garden Party, que concorreu ao último Oscar. A delegação francesa, por sua vez, contará com a presença de 8 artistas: Finnegan Oldfield, Nabil Ayouch, Yannick Renier, Maryam Touzani, Jérèmie Renier, Fabien Gorgeart, Clotilde Hesme e Zita Hanrot.

Confira abaixo a lista completa dos títulos desta edição:

50 SÃO OS NOVOS 30 (Marie Francine), de Valérie Lemercier
O AMANTE DUPLO (L’Amant Double), de François Ozon
A APARIÇÃO (L’Apparition), de Xavier Giannoli
A BUSCA DO CHEF DUCASSE (La Quête D’Alain Ducasse), de Gilles de Maistre
CARNÍVORAS (Carnivores), de Jérémie Renier e Yannick Renier
DE CARONA PARA O AMOR (Tout le Mond Debout), de Franck Dubosc
CUSTÓDIA (Jusqu’à la Garde), de Xavier Legrand
A EXCÊNTRICA FAMÍLIA DE GASPARD (Gaspard va au Mariage), de Antony Cordier
GAUGUIN – VIAGEM AO TAITI (Gauguin – Voyage de Tahiti), de Edouard Deluc
MARVIN (Marvin ou la Belle Éducation), de Anne Fontaine
A NOITE DEVOROU O MUNDO (La Nuit a Devoré le Monde), de Dominique Rocher
NOS VEMOS NO PARAÍSO (Au Revoir Là-Haut), de Albert Dupontel
O ORGULHO (Le Brio), de Yvan Attal
O PODER DE DIANE (Diane a les Épaules), de Fabien Gorgeart
PRIMAVERA EM CASABLANCA (Razzia), de Nabil Ayouch
PROMESSA AO AMANHECER (La Promesse de L’Aube), de Eric Barbier
A RAPOSA MÁ (Le Grand Méchant Renard et Autres Contes), de Benjamin Renner e Patrick Imbert
O RETORNO DO HERÓI (Le Retour du Héros), de Laurent Tirard
TROCA DE RAINHAS (L’Échange des Princesses),  de Marc Dugain
O ÚLTIMO SUSPIRO (Dans la Brume), de Daniel Roby
Z (Z), de Costa-Gavras

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FESTIVAL VARILUX DE CINEMA FRANCÊS 2018

Data: de 07/06/2018 a 20/06/2018
Informações: http://variluxcinefrances.com/2018/

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Festival Varilux de Cinema Francês 2016: Programação Imperdível no Mês de Junho

01Não há dúvidas: a melhor programação para os cinéfilos de carteirinha no próximo mês é o Festival Varilux de Cinema Francês 2016, que neste ano vai rolar entre os dias 8 e 22 de junho em todo o país.

A edição deste ano chega com força total: ao todo, são 16 produções (sendo 15 filmes inéditos) que serão exibidas em 50 cidades brasileiras, igualando ao recorde do ano anterior. Além disso, o evento ganhou uma semana a mais em relação à sua edição passada – o que, por si só, já demonstra o quanto o Festival se tornou um dos principais veículos de disseminação da cultura francesa no Brasil. Com isso, o público nacional poderá conhecer de perto a nova safra da produção cinematográfica da França – um país com um histórico aclamado na sétima arte.

Além dos títulos, o Festival conta também com atividades paralelas, como as já conhecidas Oficinas de Roteiro (que acontecem nas cidades do Rio de Janeiro e Recife) e também a Oficina de Crítica Cinematográfica – que neste ano será ministrada por Jean-Michel Frodon, ex-diretor de redação da cultuada revista Cahiers du Cinéma. Também já tem presença confirmada os diretores Roschdy Zem (cujo filme Chocolate, com Omar Sy, é um dos mais aguardados) e Philippe Le Guay (de Pedalando com Molière) e os atores Finnegan Oldfield, Vincent Lacoste e Lou de Laâge  – esta última, considerada uma das atrizes mais promissoras de sua geração.

Confira abaixo os títulos que estarão presente nesta edição do Festival Varilux:

ABRIL E O MUNDO EXTRAORDINÁRIO (Franck Ekinci, Christian Desmares)
AGNUS DEI (Anne Fontaine)
UM BELO VERÃO (Catherine Corsini)
CHOCOLATE (Roschdy Zem)
A CORTE (Christian Vincent)
OS COWBOYS (Thomas Bidegain)
UM DOCE REFÚGIO (Bruno Podalydès)
FLÓRIDA (Philippe Le Guay)
UM AMOR À ALTURA (Laurent Tirard)
LOLO, O FILHO DA MINHA NAMORADA (Julie Delpy)
MEU REI (Maïwenn)
MARGUERITE (Xavier Giannoli)
O NOVATO (Rudi Rosenberg)
LA VANITÉ (Lionel Baier)
VIVA A FRANÇA (Christian Carion)
UM HOMEM, UMA MULHER (Claude Lelouch)

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FESTIVAL VARILUX DE CINEMA FRANCÊS 2016

Data: de 08/06/2016 a 22/06/2016
Informações: http://variluxcinefrances.com/2016/

“Carrossel – O Filme” é Boa Opção nas Férias

02Durante a coletiva de imprensa de Carrossel – O Filme, a produtora Diane Maia utilizou uma expressão que me chamou a atenção: “a força da marca Carrossel”. É justamente isso – Carrossel é uma marca que se perpetua desde o final dos anos 80, quando a novela foi produzida pela Televisa (na época, já um remake de um programa da TV argentina), chegando ao Brasil pela primeira vez em 1991 através do SBT. Duas décadas depois, a emissora de Silvio Santos fez a sua própria versão da história – muito bem sucedida, não apenas por qualidade de produção mas também pela quantidade de produtos licenciados. O folhetim assinado pela esposa do patrão, Iris Abravanel, não decepcionou e alcançou uma audiência excelente para o SBT – em um horário marcado por telejornais sensacionalistas, Carrossel criou uma legião de fãs e resgatou um público que era abandonado pelas demais redes. Diante disso, a novela foi reprisada, ganhou uma série menos badalada (a fraquíssima Patrulha Salvadora) e, agora, seu longa-metragem – que, definitivamente, não era necessário mas é totalmente satisfatório como cinema.

A trama de Carrossel – O Filme é relativamente simples: os alunos da fictícia Escola Mundial estão em férias e viajam para um acampamento, que pertence ao avô de uma das crianças do grupo. Sem a presença da querida professora Helena (Rosanne Mulholland, agora de volta ao casting da concorrente Globo) e acompanhados da diretora Olívia (Noemi Gerbelli) e da faxineira arretada Graça (Márcia de Oliveira), a turma é dividida em duas equipes para a disputa de uma gincana. No entanto, os times terão que unir forças para evitar que o sítio seja vendido para o vilão Gonzalez, que pretende transformar o local em uma fábrica poluente.

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Confesso que não é fácil assistir a Carrossel – O Filme sem ressalvas. A primeira já se apresenta no fato de que estamos diante de um filme voltado a um público infantil. Não que isso seja lá um grande problema ou que produções infantis não possam ser boas (um dos meus filmes preferidos, por exemplo, é o ótimo O Pequeno Nicolau, de Laurent Tirard), mas é difícil esquecer que a novela acabou há cerca de três anos e o elenco cresceu. Lucas Santos, o arteiro Paulo, engrossou bem a voz, por exemplo; Nicholas Torres, intérprete de Jaime, tem até barba; Fernanda Concon já é adolescente. Esta talvez tenha sido a maior tarefa dos diretores: fazer com que atores razoavelmente maduros consigam interpretar personagens tão infantilizados, cada um com característica forte e marcante. Em alguns momentos, isso pesa bastante e o filme tropeça em um tom meio “bobo” ou caricato demais.

No entanto, o roteiro direto é bem desenvolvido dentro de sua proposta, gerando situações engraçadas, apesar de poucas surpresas. O texto de Márcio Alemão e Mirna Nogueira consegue, em pouco menos de 1 hora e meia, valorizar cada um dos personagens e todos eles tem seu devido espaço (apesar de que, óbvio, há sempre os principais no grupo). E é interessante ver o time mirim em cena e constatar que alguns deles não amadureceram só no físico, mas sobretudo profissionalmente. Nomes como o já citado Lucas Santos, Thomaz Costa e Stefany Vaz dominam bem seus papéis, visivelmente mais seguros em frente às câmeras. O elenco adulto ganha bastante com a escalação de Orival Pessini (sim, o boneco Fofão) e Gabriel Calamari (pena que este último ficou reduzido apenas ao jovem gatinho que arranca suspiro das meninas mais novas). Para apimentar a narrativa, Paulo Miklos e Oscar Filho formam a dupla má da vez, no melhor estilo “vilão e ajudante atrapalhado”. No entanto, ambos são excessivamente extravagantes, estereotipados e previsíveis – mas tudo bem, a gente perdoa.

Com uma trilha sonora eclética, Carrossel – O Filme tem mais um pecado: o excesso de didatismo da direção de Alexandre Boury e Mauricio Eça, que não se contenta apenas em mostrar os fatos, mas explicá-los. O personagem tem que dizer que o acampamento é sua vida, o vilão necessita afirmar que odeia crianças, os pequenos precisam soltar (e cantar) aos quatro ventos que são amigos inseparáveis – os acontecimentos, por si, parecem não ser suficientes. Mas isso não atrapalha a película final. Apesar de não poder se comparar a grandes produções do gênero ou a um longa Disney, Carrossel – O Filme acerta ao levar para o cinema os melhores elementos da história na TV, com uma trama divertida, leve, sem apelação e números musicais que tem potencial para grudar na cabeça da garotada. Além disso, a fita traz lições valiosas sobre amizade e companheirismo e também reflexões sobre o respeito à natureza, ainda que todos esses temas sejam tratados de forma um tanto infantil. Boa opção para as férias, cabe ao espectador abandonar todos os preconceitos e embarcar nessa aventura.