Não é Domingo, Mas é Dia de Alegria: os 85 Anos de Silvio Santos!

Hoje ainda não é domingo, mas o dia também é de alegria – afinal, é o 85º aniversário daquele que é, provavelmente, o maior ícone da TV brasileira em todos os tempos: Silvio Santos.

Não é puxação de saco, como alguns podem sugerir. É um fato: Silvio é o maior animador do Brasil há anos. Não tem para ninguém: surgem uns ou outros que até conquistam o público – mas todos temem Silvio que, aos 85 anos de idade, ainda é um terror no Ibope, competindo inclusive com a toda poderosa Globo aos domingos, quando seu tradicional Programa Silvio Santos disputa ponto a ponto a audiência no horário.

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Nascido lá em 1930, na cidade do Rio de Janeiro, Senor Abravanel ascendeu de um humilde vendedor ambulante para a consagração como criador de um dos maiores impérios empresariais do Brasil – além de entreter os brasileiros ao longo de mais de 50 anos de carreira na TV. Aliás, a história da TV brasileira é pontuada pela presença de Silvio – não apenas no SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) como também na Record e na Rede Globo, as três maiores emissoras do país.

Com uma vida pública repleta de polêmicas (candidatura política, sequestro, doença nas cordas vocais, rombo no Banco PanAmericano, entre outras), Silvio continua em plena atividade, à frente da emissora que fundou lá no início da década de 80. Admirado pelos profissionais da área e querido entre suas colegas de trabalho (como chama as mulheres que frequentam a plateia de seus programas), Silvio ainda surpreende pela vitalidade que demonstra – e, claro, também pelas piadas loucas e insanas que lança durante suas gravações. Praticamente um personagem na TV (e também na Internet, onde seus vídeos bombam), Silvio foi um dos responsáveis por modelar o formato da TV como a conhecemos hoje – assim, não poderia ser diferente: Silvio é mito! O cara já foi até tema de escola de carnaval, chegando a desfilar com o elenco do SBT em peso.

Sendo assim, nada mais justo: o dia é dele! E por isso, decidi listar os 5 programas mais expressivos do homem do baú:

  1. TOPA TUDO POR DINHEIRO – exibido durante a década de 90 no horário nobre de domingo, popularizou o jargão “Quem quer dinheiro?”. Com o conhecido auditório do patrão, era repleto de atrações, gincanas e provas – e também as conhecidas pegadinhas e câmeras escondidas (que nos apresentaram aos atores Ivo Holanda, Gibe, Carlinhos Aguiar e outros).
  2. SHOW DO MILHÃO – programa de perguntas que foi uma sensação na década de 2000. O participante tinha a oportunidade de ganhar até 1 milhão de reais em barras de ouro, que valem mais do que dinheiro – é dinheiro ou não é?
  3. SHOW DE CALOUROS – durante mais de 20 anos, foi o programa mais relevante da carreira de Silvio e seguia o formato básico do gênero no rádio: candidatos a artistas que se apresentavam para um júri.
  4. QUAL É A MÚSICA? – gincana musical originalmente exibida nos anos 70 e que voltou no final dos 90. Entre os vários artistas que participaram da atração, vale citar o “príncipe” Ronnie Von , Sílvio Brito e a rainha do bumbum Gretchen (oi?).
  5. PORTA DA ESPERANÇA – iniciando lá nos anos 80, foi considerado o primeiro programa “assistencialista” da TV aberta, onde espectadores enviavam cartas contando suas necessidades ou desejos e tinham a oportunidade de terem seus pedidos atendidos.
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“Carrossel – O Filme” é Boa Opção nas Férias

02Durante a coletiva de imprensa de Carrossel – O Filme, a produtora Diane Maia utilizou uma expressão que me chamou a atenção: “a força da marca Carrossel”. É justamente isso – Carrossel é uma marca que se perpetua desde o final dos anos 80, quando a novela foi produzida pela Televisa (na época, já um remake de um programa da TV argentina), chegando ao Brasil pela primeira vez em 1991 através do SBT. Duas décadas depois, a emissora de Silvio Santos fez a sua própria versão da história – muito bem sucedida, não apenas por qualidade de produção mas também pela quantidade de produtos licenciados. O folhetim assinado pela esposa do patrão, Iris Abravanel, não decepcionou e alcançou uma audiência excelente para o SBT – em um horário marcado por telejornais sensacionalistas, Carrossel criou uma legião de fãs e resgatou um público que era abandonado pelas demais redes. Diante disso, a novela foi reprisada, ganhou uma série menos badalada (a fraquíssima Patrulha Salvadora) e, agora, seu longa-metragem – que, definitivamente, não era necessário mas é totalmente satisfatório como cinema.

A trama de Carrossel – O Filme é relativamente simples: os alunos da fictícia Escola Mundial estão em férias e viajam para um acampamento, que pertence ao avô de uma das crianças do grupo. Sem a presença da querida professora Helena (Rosanne Mulholland, agora de volta ao casting da concorrente Globo) e acompanhados da diretora Olívia (Noemi Gerbelli) e da faxineira arretada Graça (Márcia de Oliveira), a turma é dividida em duas equipes para a disputa de uma gincana. No entanto, os times terão que unir forças para evitar que o sítio seja vendido para o vilão Gonzalez, que pretende transformar o local em uma fábrica poluente.

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Confesso que não é fácil assistir a Carrossel – O Filme sem ressalvas. A primeira já se apresenta no fato de que estamos diante de um filme voltado a um público infantil. Não que isso seja lá um grande problema ou que produções infantis não possam ser boas (um dos meus filmes preferidos, por exemplo, é o ótimo O Pequeno Nicolau, de Laurent Tirard), mas é difícil esquecer que a novela acabou há cerca de três anos e o elenco cresceu. Lucas Santos, o arteiro Paulo, engrossou bem a voz, por exemplo; Nicholas Torres, intérprete de Jaime, tem até barba; Fernanda Concon já é adolescente. Esta talvez tenha sido a maior tarefa dos diretores: fazer com que atores razoavelmente maduros consigam interpretar personagens tão infantilizados, cada um com característica forte e marcante. Em alguns momentos, isso pesa bastante e o filme tropeça em um tom meio “bobo” ou caricato demais.

No entanto, o roteiro direto é bem desenvolvido dentro de sua proposta, gerando situações engraçadas, apesar de poucas surpresas. O texto de Márcio Alemão e Mirna Nogueira consegue, em pouco menos de 1 hora e meia, valorizar cada um dos personagens e todos eles tem seu devido espaço (apesar de que, óbvio, há sempre os principais no grupo). E é interessante ver o time mirim em cena e constatar que alguns deles não amadureceram só no físico, mas sobretudo profissionalmente. Nomes como o já citado Lucas Santos, Thomaz Costa e Stefany Vaz dominam bem seus papéis, visivelmente mais seguros em frente às câmeras. O elenco adulto ganha bastante com a escalação de Orival Pessini (sim, o boneco Fofão) e Gabriel Calamari (pena que este último ficou reduzido apenas ao jovem gatinho que arranca suspiro das meninas mais novas). Para apimentar a narrativa, Paulo Miklos e Oscar Filho formam a dupla má da vez, no melhor estilo “vilão e ajudante atrapalhado”. No entanto, ambos são excessivamente extravagantes, estereotipados e previsíveis – mas tudo bem, a gente perdoa.

Com uma trilha sonora eclética, Carrossel – O Filme tem mais um pecado: o excesso de didatismo da direção de Alexandre Boury e Mauricio Eça, que não se contenta apenas em mostrar os fatos, mas explicá-los. O personagem tem que dizer que o acampamento é sua vida, o vilão necessita afirmar que odeia crianças, os pequenos precisam soltar (e cantar) aos quatro ventos que são amigos inseparáveis – os acontecimentos, por si, parecem não ser suficientes. Mas isso não atrapalha a película final. Apesar de não poder se comparar a grandes produções do gênero ou a um longa Disney, Carrossel – O Filme acerta ao levar para o cinema os melhores elementos da história na TV, com uma trama divertida, leve, sem apelação e números musicais que tem potencial para grudar na cabeça da garotada. Além disso, a fita traz lições valiosas sobre amizade e companheirismo e também reflexões sobre o respeito à natureza, ainda que todos esses temas sejam tratados de forma um tanto infantil. Boa opção para as férias, cabe ao espectador abandonar todos os preconceitos e embarcar nessa aventura.