Não é Domingo, Mas é Dia de Alegria: os 85 Anos de Silvio Santos!

Hoje ainda não é domingo, mas o dia também é de alegria – afinal, é o 85º aniversário daquele que é, provavelmente, o maior ícone da TV brasileira em todos os tempos: Silvio Santos.

Não é puxação de saco, como alguns podem sugerir. É um fato: Silvio é o maior animador do Brasil há anos. Não tem para ninguém: surgem uns ou outros que até conquistam o público – mas todos temem Silvio que, aos 85 anos de idade, ainda é um terror no Ibope, competindo inclusive com a toda poderosa Globo aos domingos, quando seu tradicional Programa Silvio Santos disputa ponto a ponto a audiência no horário.

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Nascido lá em 1930, na cidade do Rio de Janeiro, Senor Abravanel ascendeu de um humilde vendedor ambulante para a consagração como criador de um dos maiores impérios empresariais do Brasil – além de entreter os brasileiros ao longo de mais de 50 anos de carreira na TV. Aliás, a história da TV brasileira é pontuada pela presença de Silvio – não apenas no SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) como também na Record e na Rede Globo, as três maiores emissoras do país.

Com uma vida pública repleta de polêmicas (candidatura política, sequestro, doença nas cordas vocais, rombo no Banco PanAmericano, entre outras), Silvio continua em plena atividade, à frente da emissora que fundou lá no início da década de 80. Admirado pelos profissionais da área e querido entre suas colegas de trabalho (como chama as mulheres que frequentam a plateia de seus programas), Silvio ainda surpreende pela vitalidade que demonstra – e, claro, também pelas piadas loucas e insanas que lança durante suas gravações. Praticamente um personagem na TV (e também na Internet, onde seus vídeos bombam), Silvio foi um dos responsáveis por modelar o formato da TV como a conhecemos hoje – assim, não poderia ser diferente: Silvio é mito! O cara já foi até tema de escola de carnaval, chegando a desfilar com o elenco do SBT em peso.

Sendo assim, nada mais justo: o dia é dele! E por isso, decidi listar os 5 programas mais expressivos do homem do baú:

  1. TOPA TUDO POR DINHEIRO – exibido durante a década de 90 no horário nobre de domingo, popularizou o jargão “Quem quer dinheiro?”. Com o conhecido auditório do patrão, era repleto de atrações, gincanas e provas – e também as conhecidas pegadinhas e câmeras escondidas (que nos apresentaram aos atores Ivo Holanda, Gibe, Carlinhos Aguiar e outros).
  2. SHOW DO MILHÃO – programa de perguntas que foi uma sensação na década de 2000. O participante tinha a oportunidade de ganhar até 1 milhão de reais em barras de ouro, que valem mais do que dinheiro – é dinheiro ou não é?
  3. SHOW DE CALOUROS – durante mais de 20 anos, foi o programa mais relevante da carreira de Silvio e seguia o formato básico do gênero no rádio: candidatos a artistas que se apresentavam para um júri.
  4. QUAL É A MÚSICA? – gincana musical originalmente exibida nos anos 70 e que voltou no final dos 90. Entre os vários artistas que participaram da atração, vale citar o “príncipe” Ronnie Von , Sílvio Brito e a rainha do bumbum Gretchen (oi?).
  5. PORTA DA ESPERANÇA – iniciando lá nos anos 80, foi considerado o primeiro programa “assistencialista” da TV aberta, onde espectadores enviavam cartas contando suas necessidades ou desejos e tinham a oportunidade de terem seus pedidos atendidos.
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“Sete Vidas”: Trama de Lícia Manzo se Despede Deixando Saudades

Quando 2015 se iniciou, todas as atenções estavam voltadas a Babilônia, trama de Gilberto Braga (autor de Vale Tudo e Dancin’ Days) em parceria com Ricardo Linhares e João Ximenes Braga. Contrariando as expectativas, Babilônia foi rejeitada pelo público, tendo o pior desempenho do horário em todos os tempos. Foi quando Lícia Manzo chegou timidamente com Sete Vidas, surpreendendo com uma produção que já pode ser considerada uma das melhores telenovelas globais em anos.

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A sinopse de Sete Vidas foi inicialmente apresentada para o horário das 11, com apenas 50 episódios. Isto explica uma de suas qualidades mais notáveis: Sete Vidas teve uma narrativa “enxuta”. Com pouco mais de 100 capítulos, não houve muita correria ou enrolação (algo comum em trabalhos mais longos), o que contribuiu muito para o ritmo de Sete Vidas. Esta duração é bem menor que a média das produções globais, que sempre sofrem com aquela desconfortável sensação de “extensão” desnecessária. Na contramão, Sete Vidas ficou com aquele incrível gostinho de “quero mais”. Talvez esta é a hora da emissora apostar em folhetins mais curtos como este.

Lícia Manzo também tem se mostrado uma autora de talento. Muitos comparam seu estilo ao do veterano Manoel Carlos (de Por Amor, Laços de Família e Mulheres Apaixonadas) – e, sim, as semelhanças são evidentes. Ambos criam seus textos baseados em situações cotidianas. Apesar do foco ser obviamente famílias de classe média, os dramas levantados são universais, capazes de atingir os mais distintos públicos. Este humanismo provoca identificação e reflexão. Talvez a única diferença entre Lícia e Maneco é que enquanto o autor constrói suas personagens sob um olhar livre de julgamento, Lícia possui uma abordagem mais crítica. O tom de “DR” é quase predominante em toda sua obra, como se cada um de seus tipos estivessem debatendo suas ideias e sentimentos. Se para muitos isso pode soar “chato”, em Sete Vidas a escritora surpreendeu pela qualidade de seu texto, que nos proporcionou diálogos intensos, com bastante naturalidade e compromisso com a realidade.

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Com uma proposta original (que basicamente se estruturou a partir do atual conceito de família), Sete Vidas apresentou temas contemporâneos e importantes, como inseminação artificial, homossexualismo, adoção – todos tratados com total humanidade. Com conflitos plausíveis, a novela abandonou os exageros tão comuns nos folhetins e sequer trouxe os tradicionais vilões, até mesmo por conta de sua abordagem. Jayme Monjardim, diretor de núcleo, teria até abandonado o uso excessivo de maquiagem, buscando trazer maior realismo à história e ressaltando as expressões e atuações de um elenco inspirado. Bastante homogênea, a escalação de Sete Vidas foi elogiada, desde os rostos mais conhecidos (de Débora Bloch, Selma Egrei, Regina Duarte – esta última em um papel secundário que roubou a cena) até nomes mais novos e que merecem atenção, como os novatos Isabelle Drummond, Jayme Matarazzo e Thiago Rodrigues.

Com um desfecho que dispensou quaisquer clichês batidos em nossa teledramaturgia (não teve casamento, nem bebês nascendo ou gente má se dando mal), Sete Vidas se despede do espectador como uma das expressivas tramas globais dos últimos anos. Chegando de mansinho, a novela caiu no gosto popular, proporcionando debates necessários à hora do café, no happy hour com os amigos ou na sala com a família – o que não deixa de ser uma surpresa, haja visto seu formato. Apesar de não ter o melhor Ibope, Sete Vidas foi repleta de diálogos marcantes e cenas memoráveis, mostrando que o realismo pode ser muito mais interessante que o velho conflito entre mocinhos e vilões. Resta a nós torcermos para que a Globo olhe Lícia Manzo com mais carinho, concedendo-lhe logo um merecido espaço no horário nobre.

Por Que “Em Família” Não Deu Certo?

Daí você pega um teledramaturgo consagrado, um diretor competente, alguns assuntos polêmicos, um elenco jovem e talentoso e pronto! Você tem uma ótima novela, com média de audiência satisfatória e boa aceitação do público. Certo? Bem, nem sempre. Em muitos casos, nem mesmo todos estes elementos são suficientes para se fazer um trabalho teledramatúrgico de qualidade – e o que era para ser um grande sucesso acaba se tornando um amargo fracasso. Em Família, atualmente no horário nobre, não leva apenas o título de último trabalho de Manoel Carlos (um veterano na televisão brasileira), mas também o de folhetim com a menor audiência da Rede Globo em anos. Duramente criticada e muito  longe do gosto popular, Em Família simplesmente não emplacou e, obviamente, pipocam teorias nas redes sociais sobre quais foram os motivos que levaram Em Família a ganhar tal posição e se tornar um dos maiores fiascos da história da Globo.

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Para começar, há de se observar que Manoel Carlos é um excelente romancista. Escrever boas histórias é com ele, definitivamente. Ele praticamente criou seu estilo ao escrever sobre o cotidiano da classe média, abordando diversos temas polêmicos e com apelo popular e social. Enquanto os outros novelistas se desprendem em tramas recheadas de reviravoltas, Maneco adentra a casa de suas personagens, invadindo cada vez mais sua intimidade. Mas, em tempos de super séries norte-americanas, recheadas de ação e com personagens fantásticos, já era de se esperar que o público que assistia a uma novela nos anos 90 não é o mesmo de hoje. A TV atualmente  é rápida, é dinâmica – e quem não acompanha este ritmo está fadado ao fracasso. E a trama de Manoel Carlos não acompanhou essas mudanças. Você assiste Em Família hoje, fica um mês sem assistir e quando volta você tem a sensação de que nada aconteceu, de que tudo permaneceu da mesma forma. Para quem acompanha diariamente, é um grande fardo ter de aturar as mesmas sequências cansativas todos os dias – o que fica ainda mais acentuado por conta dos cenários da trama que faz com que você pense que a mesma cena foi reprisada diversas vezes. Em suma: não acontece nada de relevante – e quando acontece é muito demorado. Não há agilidade, não há ação – e o público perde o interesse pela história.

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Outro ponto que tem prejudicado a trama é o elenco. Cá entre nós: Em Família não possui grandes nomes. Quem é o grande astro da trama? Não tem. Os grandes parceiros de Manoel Carlos (figurinhas constantes em suas obras) ficaram de fora e boa parte do elenco é formada por rostos desconhecidos e mesmo aqueles que o público já conhece não convencem – a começar pela protagonista, Julia Lemmertz (que nos capítulos iniciais era interpretada pela insossa Bruna Marquezine). Jamais afirmaria que o fracasso da trama seja culpa da atriz, mas se a personagem principal de uma telenovela não agrada ao público, o que se esperar de todo o resto? Apesar do talento inegável da filha de Lilian Lemmertz (primeira Helena de Manoel Carlos, em Baila Comigo, em 1981), faltou aquela identificação com o telespectador. Gabriel Braga Nunes (que foi unânime em Insensato Coração, de Gilberto Braga, em 2011) também não agradou na pele de Laerte – grande amor de Helena na adolescência – , assim como Humberto Martins, maridão da nossa protagonista – e um chato sem o menor charme. Ou seja, os mais experiente não possuem carisma suficiente, enquanto os mais novos não chamam a atenção. Aí fica complicado…

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Mais um erro: a história carece de boas tramas, inclusive as sociais. Um expert no assunto, Maneco já abordou diversos temas em seus trabalhos: alcoolismo, impotência sexual, homossexualismo, leucemia, AIDS, ética médica, entre outros. Em Família não possui, sequer, boas tramas paralelas – e como consequência, tudo fica sempre no mesmo núcleo, naquele mesmo círculo de personagens onde tudo se repete. Em Mulheres Apaixonadas, por exemplo, Manoel tinha à sua disposição mais de 100 personagens – ou seja, quando a coisa ficava muita cansativa em determinado núcleo, Maneco ia lá e mudava o foco da narrativa, colocando este núcleo meio que em “banho maria”. O mesmo não acontece em Em Família, porque não há muitos personagens e os que existem não são bem escritos – daí fica difícil para qualquer artista fazer milagre (é o caso, por exemplo, de Giovanna Antonelli, Vivianne Pasmanter, Helena Ranaldi, Paulo José e alguns outros que por mais que tentem não conseguem levar uma novela desse porte nas costas). Fato: Os personagens de Em Família são tão mal trabalhados que fica difícil tirar boas atuações dos elenco. A própria Helena, por exemplo, é uma das protagonistas mais chatas de todos os tempos – reclama a toda hora, fica se lamentando pelos cantos e alimentando um ódio inexplicável por seu primo Laerte, outro personagem que tinha tudo para ser o grande nome da trama nos primeiros capítulos, mas sua inconstância não nos deixa saber se estamos diante de um mocinho ou vilão. Aliás, vilões: onde estão os vilões de Em Família, aqueles que realmente fazem a trama pegar fogo? Não há! E como não há, consequentemente não acontece muita coisa.

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Há quem culpe Jayme Monjardim, diretor de núcleo da trama. De fato, desde Mulheres Apaixonadas, dirigida por Ricardo Waddington (velho parceiro do autor), Maneco não tem um grande sucesso – com exceção da microssérie Maysa – Quando Fala o Coração, dirigida por Monjardim, que foi muito elogiada pela crítica e abriu caminho para a parceria seguir em frente. Mas quando se fala de “família”, de “intimidade”, de “drama”, Monjardim peca um pouco – diferente do ótimo trabalho que Waddington realizava em suas dobradinhas épicas com Maneco (Por AmorLaços de FamíliaMulheres Apaixonadas e a série Presença de Anita). Em Laços de Família, por exemplo, o diretor utilizava planos de cena fechados que acentuavam todo o clima de intimidade que a trama exigia. As trilhas sonoras, escolhidas a dedo pelo autor, casavam perfeitamente com as fotografias das novelas. Resultado: ótimas tiragens em discos, coisa que há muito tempo não se vê em um folhetim das nove. A cúpula da Globo teria, inclusive, cogitado o afastamento de Monjardim – na verdade, rolam boatos de que o diretor já não aparece nos estúdios há alguns meses, deixando a responsabilidade nas mãos de Leonardo Nogueira. O motivo do “afastamento” do diretor? Boatos ainda dizem que 1) houve um desentendimento entre Jayme e Maneco; 2) o diretor estaria se dedicando a um novo trabalho; e 3) ele não aguentou a pressão e pediu para ser substituído.

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Em Família começou muito bem, realizando tecnicamente um trabalho louvável que, à primeira exibição, empolgou o público – mas já na primeira semana pecava por sua lentidão, desde cedo deixando o espectador incomodado na poltrona. Virou piada nas redes sociais com a confusão de idade entre os personagens na passagem da segunda para a terceira fase – e com razão. Apesar de dizer que não se importa, o autor teve que reduzir sua trama, que irá acabar já no mês de julho (tramas das nove possuem geralmente, no mínimo, 200 capítulos; Em Família vai encerrar com cerca de 140 capítulos) obtendo a menor audiência para esta faixa de horário da história da Globo. É, de certa forma, lastimável. Conhecendo a qualidade dos trabalhos do teledramaturgo, é de se preocupar o fato de que a próxima novela no horário será escrita por Aguinaldo Silva – outro grande nome dos folhetins brasileiros, mas que vem colecionando obras bastante questionáveis. Apesar de esboçar certa reação em alguns momentos, Em Família foi uma tentativa frustrada de se permanecer no velho dramalhão, na batida receita que hoje não funciona mais – desperdiçando o talento de um nome tão forte quanto o de Manoel Carlos.

Leblon, Família e Bossa Nova: As Tramas de Manoel Carlos

Bossa nova, Leblon, conflitos familiares… Estes são alguns elementos tradicionais que encontramos nas tramas de Manoel Carlos, um dos mais aclamados autores de telenovelas nacionais (afinal, o produto principal do nosso país é ainda a novela brasileira). Conhecido por suas heroínas fortes, sempre com o nome de Helena, Maneco (como é chamado no meio artístico) se consagrou ao retratar em suas tramas a sociedade carioca atual, dando maior foco nas relações entre familiares e criando personagens com conflitos muito próximos aos do público em geral.

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Mas Manoel Carlos não é apenas um grande novelista. Para quem não sabe, Maneco é um dos nomes que participaram diretamente da construção da nossa TV lá pela década de 60. Manoel Carlos esteve à frente de alguns programas clássicos da TV brasileira, como O Fino da Bossa, Esta Noite se ImprovisaFamília Trapo (Record) e Chico Anysio Show (pela antiga TV Rio), além de ser um dos primeiros diretores da revista eletrônica Fantástico.

Para comemorar a estréia de sua nova novela, Em Família (que, aparentemente, será sua última trama), decidi listar os 5 melhores trabalhos de Maneco como novelista. Traga o banquinho e o violão, solte uma bossa nova no player e confira a lista com as melhores tramas do veterano autor.

BAILA COMIGO (1981)
Em Baila Comigo, Manoel Carlos apresentou ao público sua primeira Helena, vivida pela atriz Lilian Lemmertz. A trama gira em torno dos irmãos gêmeos protagonizados por Tony Ramos (Joaquim Seixas Miranda e João Victor Gama). Baila Comigo fez um grande sucesso em outros países e, no Brasil, alcançou uma média de 61 pontos no Ibope – sendo que seu maior pico foi de 78 pontos.
Elenco Principal: Lilian Lemmertz, Tony Ramos, Raul Cortez, Susana Vieira e Fernando Torres

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HISTÓRIA DE AMOR (1995)
Uma das mais famosas novelas das 18 horas na década de 90, História de Amor traz Regina Duarte interpretando sua primeira Helena. Vendida para cerca de 30 países, História de Amor ressuscitou o Vale a Pena Ver de Novo quando foi exibida em dezembro de 2001 – horário que enfrentava uma crise na emissora carioca. Na época, a então esquecida novela de Manoel Carlos foi responsável por quase dobrar a audiência no horário, se tornando uma das mais assistidas reprises da Globo.
Elenco Principal: Regina Duarte, José Mayer, Carla Marins, Carolina Ferraz e Lília Cabral

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LAÇOS DE FAMÍLIA (2000)
Uma das mais cultuadas novelas do autor, Laços de Família conta a história da filha que se apaixona pelo namorado da mãe, Helena, vivida aqui por Vera Fischer. A trama abordou vários temas sociais (prostituição, leucemia, impotência, entre outros) e é considerada uma das mais “sombrias” obras de Manoel Carlos. Sucesso também no Vale a Pena Ver de Novo, quando reprisada, Laços de Família alcançou picos de 65 pontos de audiência no dia em que a personagem de Carolina Dieckmann raspa a cabeça em decorrência de seu tratamento contra a leucemia.
Elenco Principal: Vera Fischer, José Mayer, Tony Ramos, Carolina Dieckmann e Reynaldo Gianecchini

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MULHERES APAIXONADAS (2003)
Christiane Torloni é a Helena de Mulheres Apaixonadas, desta vez uma mulher que vive um casamento que caiu na rotina até o momento em que a personagem reencontra uma grande paixão da adolescência. Com diversas tramas sociais (como alcoolismo, homossexualismo, terceira idade, violência doméstica), a novela virou reportagem da revista americana Newsweek no ano de sua exibição – quando atingiu ótimos índices de audiência. Outro ponto forte da novela foi sua trilha sonora, que vendeu mais de 1 milhão de cópias, e sua abertura, que foi produzida com fotos enviadas pelas espectadoras e era reformulada a cada 2 semanas.
Elenco Principal: Christiane Torloni, José Mayer e Tony Ramos

PÁGINAS DA VIDA (2006)
Páginas da Vida traz a terceira e última Helena de Manoel Carlos vivida por Regina Duarte (a segunda foi em Por Amor, de 1997). A trama apresentou diversos temas sociais, sendo que o principal deles foi a questão da síndrome de Down. A trama conseguiu uma média no Ibope de 53 pontos e rendeu a Lília Cabral uma indicação ao Emmy Internacional de melhor atriz por sua atuação na novela.
Elenco Principal: Regina Duarte, Lília Cabral, Marcos Caruso, Fernanda Vasconcellos, Thiago Rodrigues e Ana Paula Arósio

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PRESENÇA DE ANITA (2001)
Ah, Anita… A trama de Presença de Anita (inspirada livremente na obra literária de Mário Donato) narra o envolvimento de Nando, homem de meia idade, com a jovem Anita, amiga de sua filha. Nando, que é casado, vive uma tórrida relação com a ninfeta – irresistivelmente bem interpretada pela estreante Mel Lisboa. Com Presença de Anita, Manoel Carlos conseguiu a maior audiência dentre as minisséries da década de 2000, desbancando sucessos como A MuralhaA Casa das Sete Mulheres.
Elenco Principal: José Mayer, Helena Ranaldi e Mel Lisboa

MAYSA – QUANDO FALA O CORAÇÃO (2009)
A trama retrata a vida da cantora Maysa e foi dirigida pelo próprio filha da artista, Jayme Monjardim. Com média geral de 26 pontos (excelente para seu horário de exibição), Maysa – Quando Fala o Coração foi o trabalho de estreia de Larissa Maciel – atriz escolhida entre cerca de 200 outras candidatas para viver a cantora. Muito elogiada pelo público e pela crítica, a novela teve um elenco formado praticamente com novos rostos da TV, inclusive o estreante Mateus Solano, no papel de Ronaldo Bôscoli.
Elenco Principal: Larissa Maciel, Eduardo Semerjian e Mateus Solano

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Bates Motel: 5 Motivos Para Você Assistir

Quem me conhece sabe que eu, definitivamente, não tenho paciência para sequências. É por essa razão que eu costumo torcer o nariz para seriados, sagas (vide O Senhor dos AnéisPiratas do CaribeStar Wars e derivados), séries, novelas, enfim, tudo aquilo que se precise acompanhar por muito tempo para se ter o entendimento completo do produto. No entanto, quando a produção é boa e eu gosto, eu não poupo elogios e recomendo a todos. E Bates Motel, do canal pago A&E, foi o último programa que conseguiu prender a atenção deste ser agitado que vos escreve.

01Levar uma das obras-primas do cinema mundial para as telinhas de um canal de TV pago não é algo, digamos, fácil. Tem que ter peito para encarar tal empreitada. Bates Motel conseguiu essa façanha. Super elogiada pela crítica e público, a primeira temporada (com 10 episódios) já tem data de estréia no Brasil para 04 de julho, pela canal Universal. Mas muita gente já assistiu a série e, se você ainda não sabe muito a respeito, vou te dar cinco bons motivos para você não perder a chance de acompanhar essa produção por nada…

1. Bates Motel é prelúdio de Psicose
A não ser que você seja um completo alienado, você já deve saber que Bates Motel serve como prelúdio do filme Psicose, obra-prima do gênero suspense do diretor Alfred Hitchcock. A trama vai acompanhar a juventude de Norman Bates e sua doentia relação com a mãe, com o intuito de mostrar a formação daquele que é um dos mais célebres assassinos do cinema. Diferente do que acontece no longa hitchcockiano, que se passa na década de 1960, Bates Motel traz Norman situado em um tempo presente e mostra todas as agruras de um típico adolescente do século 21: seus anseios, seus amores, a conturbada relação com a mãe e o irmão. Tudo isso vai ajudar a moldar a mente do assassino esquizofrênico, como, provavelmente, se verá nas próximas temporadas.

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2. Produtores da série com um bom currículo…
Bates Motel é produzida por Carlton Cuse e Kerry Ehrin que produziram, respectivamente, LostParenthood. Ou seja, já dá pra perceber que não vai ser por falta de talento que o projeto não vai decolar. Se você curtiu essas séries, provavelmente tem chances de cair de amores por Bates Motel.

3. O elenco é primoroso…
Lembra-se do garotinho chorão e rabugento de Em Busca da Terra do Nunca? E do garotinho pobre que conseguiu o bilhete dourado e herdou todo o império de Willy Wonca em A Fantástica Fábrica de Chocolate? Pois é, ele cresceu, engrossou a voz e se tornou Norman Bates. Freddie Highmore conseguiu, com muita proeza, recriar um dos personagens mais famosos da história do cinema. Não sei quem foi o seu preparador, mas Freddie encarnou Norman Bates na voz, nos gestos, no jeito psicótico de olhar e tudo mais, mostrando competência e se tornando um dos mais bem elogiados atores de sua geração.

02Além dele, Vera Farmiga consegue também atrair a atenção a cada aparição. Ela está incrivelmente neurótica no papel de Norma Bates, a mãe do vilão. Vera, que ficou conhecida por seus papéis no cinema, já está em seu quartao seriado – e tem sido uma das grandes atrações da temporada. Há quem já aposte nela para o próximo Emmy, inclusive. Integram o elenco ainda Mike Vogel, Max Thieriot, Richard Harmon, Nestor Carbonell, entre uma porrada de gente talentosa.

4. O roteiro é excelente…
Toda série costuma ter episódios filler – sabe aquele episódio onde nada de relevante à trama acontece, é pura enrolação? Pois bem, Bates Motel ainda não chegou neste nível. Todos os episódios possuem um roteiro muito bem traçado, o que faz com que Bates Motel tenha sempre um conteúdo interessante e situações inusitadas que não te fazem desgrudar os olhos da tela. O projeto permanece envolvente durante todos os seus dez episódios, abusando de suspense e sem cair na monotonia. Não à toa, Bates Motel não passou pela produção de episódio piloto para sua avaliação – os dez episódios da primeira temporada já foram encomendados logo de cara.

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5. A trama é recheada de suspense…
Após a morte (?) de seu segundo marido – e pai de seu filho Norman – , Norma decide se mudar com seu filho para uma pequena cidade dos EUA. Lá, ela assume a gerência de um hotel de beira de estrada com a esperança de recomeçar uma nova vida ao lado de Norman. O que a mãe do garoto não sabe é que a construção de uma nova estrada deixaria seu hotel fora da rota principal da cidade, dificultando a localização e acesso dos clientes. Além disso, com o passar dos primeiros dias, Norma descobre que os moradores da pacata cidade possuem segredos que vão afetar todos seus planos.

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A segunda temporada já foi anunciada – mas teremos que esperar até 2014, pois as gravações só devem ocorrer no final deste ano e não há previsão de estréia no Brasil. Enquanto isso, vamos acompanhar os dez episódios iniciais para já entrar no clima da série e tentar descobrir um pouco mais do lado psicótico e sombrio de Norman Bates. Hitchcock não acha ofensivo.

ENQUANTO ISSO…
Freddie Highmore está excepcional no papel do jovem Norman Bates. Até mesmo fisicamente, diga-se de passagem. Mas se tem um ator hollywoodiano que realmente é a cara de Anthony Perkins, o intérprete de Norman no filme de Hitchcock, esse nome é Andrew Garfield. Confira aí:

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E aí, será que Garfield faria melhor?

“Salve Jorge”: Como Salvar o Que Já Está Perdido?

Há algum tempo, publiquei um texto em que discutia sobre  novos autores da teledramaturgia brasileira e como essa nova leva de profissionais estava dando uma repaginada nas produções nacionais. Na época, Avenida Brasil, de João Emanuel Carneiro, estava em sua reta final, sendo considerada um dos maiores sucessos do horário das 9. Nessa semana, Glória Perez entrega sua tímida Salve Jorge, que chegou ao seu último capítulo como a novela de menor audiência da história do horário – refletindo diretamente os problemas crônicos que nossas emissoras vem sofrendo para criar tramas de qualidade e que agrade o público.

5Autora de sucessos de público e crítica como Barriga de AluguelO Clone (mas também de fiascos como América Caminho das Índias), Glória diz que teve a sensação de dever cumprido. Sempre trazendo às suas obras temas polêmicos e de caráter social (como clonagem humana, emigração e homossexualismo), Glória levou à Salve Jorge o drama do tráfico de mulheres, tendo como principal personagem a jovem Morena (vivida pela insossa Nanda Costa – criticada do início ao fim da trama). A novela, cujo cenário se dividia entre o Complexo do Alemão e a Turquia, não decolou e pior: virou motivo de piada nas redes sociais por inúmeros motivos.

4O primeiro deles é simples, é direto: a trama não é boa. Definitivamente não é a tipo mais adequada para o horário. Glória optou por trazer uma abordagem mais “policial” para um produto que já está batido, já está cravado na imaginação dos brasileiros. Okay, outras produções já tiveram o mesmo apelo no horário e se deram bem, mas é aí que reside o segundo problema: a abordagem foi mal feita. Ao longo dos meses, o que se viu foi uma série de erros, incoerências e furos de roteiro que distanciaram a novela do gênero policial e a transformaram em um verdadeiro circo. Na internet, havia fóruns que sobreviviam apenas em descobrir os erros abruptos cometidos durante os capítulos – e eram muitos. Okay, Glória é novata no gênero. Além disso, ela é uma das poucas autoras globais que escreve sem colaboradores – portanto, alguns erros são justificáveis, afinal escrever novela é complicado. Mas nenhum telespectador (por mais pobre intelectualmente que seja) consegue assistir uma trama sem nexo.

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Grávida tendo filho de short? Só nas novelas de Glória Perez!

Outro problema de Salve Jorge foi o excesso de personagens “orelha” (sabe aquele personagem que só aparece para contracenar como coadjuvante de outros coadjuvantes?). Isso causou um clima entre o elenco, quando muitos atores reclamavam de seus papéis insignificantes (o que é justificável). Tinha personagem que simplesmente não tinha razão para existir. Vera Fischer foi uma das que reclamaram e declarou que sua personagem não acrescentou nada à carreira da atriz. Tenso, hein? Mesmo os protagonistas da história não colaboraram. Nanda Costa, definitivamente, não era a escolha ideal. Rodrigo Lombardi, que nunca foi grande coisa, também não convenceu sendo “o cara”. Foi nesse ambiente que se destacavam personagens menores, como a delegada Helô (vivida pela sempre muito inspirada Giovanna Antonelli) e seu marido Stênio, Maria Vanúbia (com todo seu recalque) e a traficada Jéssica (pequena participação de Carolina Dieckmann no início da novela).

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Errr… quem?

Vale a pena comentar sobre os vilões? Sim. Cláudia Raia, que sempre brilha, dessa vez não conseguiu fazer um bom trabalho como Lívia. Talvez o público não tenha tido aquele interesse na personagem porque vínhamos de uma vilã inesquecível (Carminha, de Avenida Brasil, vivida por Adriana Esteves, em seu personagem mais marcante), mas o fato é que Cláudia não cumpriu com a promessa de criar uma vilã melhor – o que, certamente, era possível, pois Cláudia Raia é uma ótima atriz. Com isso, abriu caminho para Totia Meirelles, que deu toda humanidade à sua personagem Wanda e se tornou um dos poucos personagens bons da trama. E aquele personagem Russo segurando um gatinho a todo tempo? Mais parecia vilão de filme infantil!

2Definitivamente, Salve Jorge foi uma novela ruim. Glória diz que não entende as críticas e o fracasso da trama, mas a verdade é que a Salve Jorge é ruim. Não há outra explicação. Em uma época em que a TV briga diretamente com o computador pela atenção do público, fazer novela tem sido um grande desafio. Mesmo as produções atuais de maiores sucessos não chegam a ter a mesma audiência que trabalhos simples tinham há 10 ou 15 anos atrás – mas isso não impede a uma autora como Glória criar uma novela totalmente à deriva. A autora já revelou que não fará mais história onde as tramas se passam em outro país, pois, segundo ela, “é muito trabalhoso”. Trabalhoso para o público é ver gente falando português nos lugares mais remotos do mundo, Glória…

Cláudia Raia fazendo homenagem à Dita Von Teese? Brega - mas talvez a melhor coisa que Cláudia fez na novela...

Cláudia Raia fazendo homenagem à Dita Von Teese? Brega – mas talvez a melhor coisa que Cláudia fez na novela…


Salve Jorge
foi motivo de piada até mesmo no último capítulo. Com tudo mal resolvido, personagens que sumiram sem explicação, cena brega, conversão religiosa e tudo mais, a novela abre espaço para Amor à Vida, de Walcyr Carrasco (autor de sucessos no horário das 6 que assina sua primeira novela no horário) que parece beber na fonte das receitas antigas, especialmente de Manoel Carlos, apostando em uma abordagem recheada de histórias de amor e família – mas com muito mais polêmica, como já está rolando por aí. Ao menos, não teremos de aturar as trapalhadas de uma trama sem nexo, com personagens que não nos cativam e não acrescentam em nada à nossa teledramaturgia. Ah, e claro: também não teremos que aturar a música de Roberto Carlos…

Okay, é melhor esperar para conferir…

Realitys Musicais: Eles Ajudam em Alguma Coisa?

Dizem por aí – e eu digo “dizem” porque eu vejo pipocar notícias na rede, mas raramente escuto uma pessoa de bom senso comentar algo a respeito – que o The Voice Brasil está sendo um sucesso. Baseado no reality show norte-americano que estreou no ano passado, o The Voice é uma competição de canto, onde os participantes disputam entre si por um prêmio específico (desde contrato com gravadoras a valores em espécie). Este não é o primeiro formato a ser apresentado no país e fora dele. Há alguns anos, esse tipo de competição vem despertando a atenção do público – que se empolga, torce, vota pelo seu candidato preferido. Mas, cá entre nós, adianta alguma coisa participar destes programas?

"The Voice Brasil": será que desse mato sai coelho?

“The Voice Brasil”: será que desse mato sai coelho?

Entre 2002 e 2005, a Rede Globo apresentou o Fama que, com um formato bastante próximo, também funcionava como uma espécie de competição, onde os candidatos eram confinados em uma academia musical e lá recebiam aulas de música. Na época, talvez por se tratar até então de uma novidade, o programa conseguiu alavancar a audiência da emissora e revelar alguns nomes – apesar que maioria hoje vive no ostracismo. Desse programa, saíram Hugo e Tiago (amigos que formaram uma dupla sertaneja logo após o fim da atração), Marina Elali (que emplacou inúmeras canções em novelas globais), David Fantazzini (que já era vocalista de uma banda gospel e após sua participação seguiu carreira solo), Roberta Sá (uma das maiores cantoras nacionais em ascensão) e Thiaguinho (sim, o ex-Exaltasamba – se é que isso é importante para você). Mas e quanto a todos os outros?

Muitos outros programas do gênero chegaram ao país a partir daí. Quem não se lembra (infelizmente) do concurso Popstar, do SBT, que revelou o grupo feminino Rouge e, mais tarde, os “garotos” da banda Br’Oz? Quem ainda não lembra da primeira edição do Ídolos, ainda no SBT, que apresentou o cantor Leandro Lopes ao Brasil? Sim, ele mesmo que hoje é vocalista de uma banda de axé? Você não se recorda? Reveja seus conceitos. #NOT

A carreira de Thiaguinho vai bem. Elogiado pela crítica e público, ele até já declarou que "mudou a história do samba". Okay, menos, garoto, bem menos...

A carreira de Thiaguinho vai bem. Elogiado pela crítica e público, ele até já declarou que “mudou a história do samba”. Okay, menos, garoto, bem menos…

Brincadeiras e comentários maldosos à parte, o que realmente é preciso para se fazer sucesso? Afinal de contas, quando se está tão perto de alcançar o auge, o que faz com que o artista tenha sua carreira tão inferiorizada? Há quem diga que, de início, o público brasileiro não é muito inteligente. Em partes, concordo. Se formou uma mentalidade (estúpida, vamos combinar) de que quem assiste reality show é burro. Admito que, particularmente, eu viro a cara para qualquer tipo de reality. Me cansa e não acho paciência para ficar aturando gente que quer mostrar talento onde não tem, acho forçado demais. Também concordo que muitos realitys são profundamente desnecessários (leia-se aqui BBBA FazendaCasa dos Artistas e uma porção de outros do gênero que pegam uma dúzia de pseudo celebridades para disputar algum prêmio) e abusam da inteligência do espectador. Mas um programa musical, na minha modesta opinião, é mais um objeto de entretenimento. Se dali vai sair um grande artista, não garanto – mas que ao menos algumas horas de distração sadia (afinal, não deixa de ser música, certo?) pode sair dali é bem provável.

Veja o caso de inúmeros realitys desse tipo em países de primeiro mundo. Bons artistas saíram dali e alcançaram (ao menos por algum momento) uma exposição muito expressiva, até mesmo a níveis mundiais. Kelly Clarkson, por exemplo, foi a vencedora da primeira edição do American Idol – e certamente, uma das maiores responsáveis pelo sucesso e popularidade do programa. De lá, também saíram Carrie Underwood, por exemplo, vencedora da quarta edição e hoje é uma das maiores intérpretes de música country dos EUA, e Jennifer Hudson, cantora e atriz que já faturou inclusive estatueta do Oscar.

Resta dúvidas sobre o talento de Kelly?

Resta dúvidas sobre o talento de Kelly?

E o que dizer de Susan Boyle? Desprezada pelo júri e público do Britain’s Got Talent, a cantora não ganhou a competição, mas foi a maior revelação do programa, deixando o mundo inteiro de queixo caído com sua voz. No X-Factor, outra atração do gênero, ainda foram apresentados os garotos (ah tá…) do One Direction, conhece? O quinteto inglês se tornou um dos maiores grupos de todos os tempos, com milhões de visualizações no Youtube, inúmeras biografias (pergunta-se: pra quê?) e trazendo de volta a moda das boybands britânicas. Okay, você pode até ser indiferente aos talentos dos guris, mas confessa que você já se pegou cantando o refrão de What Makes You Beautiful, ou pelo menos já a ouviu uma porção de vezes.

One Direction: uma legião de fãs alucinadas e mais uma porrada de visualizações na Internet. Quem não queria?

One Direction: uma legião de fãs alucinadas e mais uma porrada de visualizações na Internet. Quem não queria?

No Brasil, o sucesso dos artistas que participam deste tempo de realitys são, geralmente, bastante passageiro. Alguns poucos conseguem algum destaque. A maioria é dividida em dois grupos: os que caem no ostracismo direto ou aqueles que ainda permanecem um tempo, fazendo participações esporádicas em programas do SBT, Record ou da Luciana Gimenez. Muitos deles alegam que, ao deixar as atrações, não encontram muitas opções, afinal tudo é tão igual, certo? Muitos não conseguem sequer gravar um único álbum – e quando conseguem, só vendem os álbuns para a família (geralmente a mãe, que compra, no mínimo, umas 50 cópias). As emissoras até ajudam em um momento, mas depois deixam os cantores por aí, sem  muitas opções.

Os 15 minutos de fama de muita gente duram, realmente, apenas quinze minutos. Quem ainda tem alguma sorte, consegue durar um pouco mais. Infelizmente, em um mundo onde qualquer um consegue fazer sucesso na Internet, a indústria fonográfica já não consegue mais se sustentar. Você faz sucesso de alguma forma? Okay, tem lugar pra você. Não chama mais atenção? O mercado te cospe como a um chiclete sem gosto. Fica a pergunta: vale a pena se expor por tão pouco? Bom, ao menos, alguns chicletes, mesmo que jogados fora, ainda dão algum certo sabor (pule para 1:48):

Certo?