“Medo Viral”: Terror Que Referencia Clássicos, Mas Pouco Assusta

O terror é um gênero que tem rendido bons títulos nos últimos anos. Um Lugar Silencioso recebeu inúmeros elogios de público e crítica, enquanto Corra!, com todo louvor, recebeu quatro indicações ao Oscar, inclusive para melhor filme – isto apenas para citar exemplos recentes que sustentam a tese de que o terror possui um vasto repertório de ideias que, quando bem executadas, podem surpreender. Medo Viral, longa dirigido pelos irmãos Abel e Burlee Vang, é mais um exemplar que reflete, inclusive, uma tendência do mercado: explorar tecnologia e o mundo virtual para fomentar suas tramas, uma aposta que mira claramente no público mais jovem (fatalmente, o que mais consome cinema na nossa atualidade).

A premissa de Medo Viral pode parecer, a princípio, um tanto surreal: após a morte de uma garota em circunstâncias desconhecidas, um grupo de amigos recebe o convite para acessar um estranho aplicativo (semelhante ao Siri, do IOS). Aos poucos, a natureza sinistra do app se revela e estes adolescentes passam a ser perseguidos por uma entidade maligna capaz de reconhecer os medos mais profundos de cada um deles e, assim, assusta-los até a morte.

O problema de Medo Viral é que ele se apropria de inúmeros clichês do gênero, mas ao mesmo tempo é incapaz de ser um filme “sério”, parecendo muito mais uma sátira a este tipo de narrativa, já que, na prática, ele não consegue assustar. As soluções encontradas acabam sendo fáceis, quase sem lógica alguma e fatalmente previsíveis, recorrendo a recursos usados à exaustão em outras fitas e carecendo do óbvio: o terror gráfico, quase sempre em off screen. Com isso, os sustos servem mais para quebrar a pouca tensão que o roteiro cria, fazendo com que o terror em si fuja do gênero. Apesar do nítido esforço em homenagear os grandes clássicos (há, por exemplo, a apropriação do balão vermelho do Pennywise), Medo Viral não vai além de uma obra de pouca relevância, daquelas que podem até servir como entretenimento para um fim de noite (e até vale a pena ser conferido, se você estiver disposto a encarar o absurdo tão comum ao gênero), mas que está longe de ser marcante o suficiente para os amantes do terror.

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